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Verão acende alerta para intoxicação

Umidade e calor aumentam riscos de proliferação de bactérias em alimentos; medidas simples podem ajudar na prevenção

por Marcele Tonelli

14/01/2020 - 06h00

Vinicius Bomfim

Por medo de intoxicaçao alimentar, Luciene Moises e Rodrigo Mantoani procuram lugares conhecidos para comer e não consomem molhos

Quente e úmido, o verão é estação propícia para proliferação de fungos e bactérias. E é no prato que mora um dos principais perigos. Resultada de descuidos, muitas vezes, a intoxicação alimentar se torna um risco diário nesta época e é preciso mais atenção no preparo e armazenagem dos alimentos ou até mesmo na escolha mais criteriosa de locais para refeição, a fim de evitar transtornos na saúde. Em crianças e idosos, principalmente, a intoxicação alimentar pode até matar.

Segundo o Departamento de Saúde Coletiva de Bauru, alimentos refrigerados devem ser mantidos com temperaturas abaixo de 10 graus. Já os alimentos quentes devem ficar sempre acima de 65 graus.

"Até em casa, nunca deixe comida em cima de fogão em temperatura ambiente. O ideal é colocar na geladeira ainda quente", alerta o diretor do departamento, Mário Ramos.

"No comércio, se você for comprar um salgado e a estufa estiver em temperatura ambiente, corra! Não compre!", acrescenta Ramos, dizendo que esta é uma prática comum e muito flagrada pela fiscalização da prefeitura não só nesta época, mas ao longo de todo o ano. "Bolos recheados e kaftas são os campeões de denúncias", completa ele, dizendo que a Vigilância procura agir no mesmo dia em que é acionada.

Em 2019, três toneladas de alimentos foram inutilizadas pela Vigilância Sanitária Municipal, porque estavam sendo comercializadas em condições inadequadas.

ORIGEM E CONDIÇÕES

Mário Ramos explica ainda que o consumidor deve ficar atento aos produtos de origem animal, carne, peixe, frango, queijo, mel e ovos. "Eles devem ter origem conhecida, ou seja, terem no rótulo informações sobre o serviço de inspeção, municipal, ou estadual ou federal: SIM, SIF OU SISP", orienta.

Além disso, o consumidor nunca deve adquirir ou utilizar um alimento que tenha cor, odor ou sabor diferente. "Uma carne com a pontinha esverdeada, não se pode ter o restante reaproveitado. Um peixe com cheiro forte, não coma! Um doce com sabor azedo, jogue fora!", fecha questão, lembrando que a validade nem sempre é sinal de que o produto está em boas condições de consumo.

Alimentos em embalagens amassadas, estufadas, enferrujadas e furadas também devem ser inutilizados para evitar riscos.

MANIPULAÇÃO

Já sobre a manipulação dos produtos, Ramos lembra que é preciso sempre verificar as condições de higiene dos estabelecimentos. "Nunca coma em um ambiente que você perceber pratos, copos e talheres sujos. Estes são indícios que já denotam risco sanitário", alerta.

Outras medidas são: lavar as mãos antes de preparar os alimentos; não utilizar a mesma tábua de corte e faca para legumes e carnes (só depois de higienizadas); evitar manipular muito os alimentos cozidos; e lavar bem legumes, verduras e frutas (mergulhar em água com uma colher de hipoclorito por 15 minutos).

'Trauma'

Quem sofre de intoxicação, jamais esquece. Foi depois de ingerir um salgado frito de presunto e queijo e passar mal no trabalho que a manicure Giselle Migliori, 37 anos, nunca mais entrou em lanchonetes desconhecidas. "Tenho muito medo de comida pronta também. E, em casa, procuro cozinhar pouco para não reaproveitar nada", conta.

A mesma medida é tomada pelo técnico em radiologia Rodrigo Mantoani, 33 anos. "Só como assados ou lanches fora de casa se conheço bem o lugar. E molhos nem pensar. Tenho medo de passar mal", comenta.

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