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Chuva arrasta carros e alerta continua até domingo

Na região da Vila Universitária, enxurrada atingiu cerca de 15 veículos; pode voltar a chover forte nos próximos dias

por Tisa Moraes, Francisco Brunelli e Ana Beatriz Garcia

30/01/2020 - 12h33

Samantha Ciuffa

Avenida Nações Unidas, nas imediações da Praça do Líbano

A grande quantidade de chuva que atingiu algumas regiões de Bauru, nesta quinta-feira (30), arrastou diversos veículos e demandou o resgate de ao menos duas pessoas, que ficaram ilhadas dentro dos carros. Apesar do susto e dos estragos, ninguém ficou ferido.

A chuva teve início por volta das 11h30 e, mais uma vez, transformou a avenida Nações Unidas em rio. Por pouco, o Rio Bauru não transbordou.

Segundo o Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet), em apenas 20 minutos, foram registrados 18,5 milímetros de chuva, o que pode ter contribuído para que tantos veículos fossem arrastados pela enxurrada. “Foi um volume grande em pouco tempo. Em uma área da cidade que é toda pavimentada, a enxurrada pode provocar estragos”, pontua o meteorologista Fernando de Almeida Tavares.

Ao todo, a chuva desta quinta-feira alcançou 32,5 milímetros. No mês, o total acumulado é 178,6 milímetros, volume semelhante ao registrado em janeiro do ano passado, mas bem abaixo do padrão de anos anteriores. Para os próximos dias, ao menos até domingo, há possibilidade de ocorrência de mais chuvas na cidade, de moderadas a fortes, e o bauruense deve ficar atento.

Nesta quinta, durante a chuva, o Corpo de Bombeiros foi acionado para resgatar uma idosa dentro de um veículo na quadra 1 da rua Capitão Gomes Duarte, na Vila Santa Clara, região do Altos da Cidade. Outra mulher passou pelo mesmo problema na quadra 21 da rua Vereador Joaquim da Silva Martha, na região da Vila Universitária. Os danos foram apenas materiais.

15 VEÍCULOS

No mesmo ponto da Vereador Joaquim da Silva Martha, na altura do cruzamento com a rua São Gonçalo, cerca de 15 veículos foram arrastados pela força da água e bateram uns nos outros, além de derrubarem placas de sinalização (leia mais abaixo).

Na quadra 4 da alameda Doutor Octávio Pinheiro Brisolla, outro automóvel também foi levado pela enxurrada e parou sobre a calçada. Uma moto também foi arrastada na avenida Nações Unidas.

Por conta do risco, vários pontos da cidade foram interditados, o que deixou o tráfego lento em um momento de grande fluxo de veículos. Local historicamente crítico, a avenida Nações Unidas, na altura do viaduto da antiga Fepasa, voltou a inundar. Até as 17h, a via permanecia liberada apenas parcialmente para o trânsito. Segundo a Defesa Civil, não houve registro de desabrigados ou danos estruturais em imóveis.

No início da tarde, os ventos chegaram 57 quilômetros por hora, o que contribuiu para que houvesse quedas de energia em alguns pontos de Bauru. Segundo a Emdurb, houve problemas no funcionamento de semáforos, como a falta de sincronismo em alguns cruzamentos com a rua Cussy Júnior. Nos cruzamentos da José Vicente Aiello com Floriano Peixoto, Duque de Caxias com Maria José e Nações Unidas com Júlio de Mesquita Filho, os semáforos ficaram apagados por cerca de 40 minutos.

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Minutos de prejuízos e até ‘cabeça d’água’ na Nações

Malavolta Jr.

Leonildo Manhani Junior fez imagens da avenida Nações Unidas, em frente ao Teatro Municipal

Que a avenida Nações Unidas alaga com alguns minutos de chuva, infelizmente, não é novidade. Mas, para Leonildo Manhani Junior, 46 anos, consultor de vendas em uma loja localizada na quadra 8 da avenida, a chuva de hoje foi surpreendente. “Em dois anos trabalhando aqui, nunca tinha visto algo assim”, diz.

Ele conta que, quando a chuva se acalmou, uma espécie de cabeça d’água, semelhante às que ocorrem em rios, surgiu pela avenida, levando tudo o que encontrava pela frente. “Neste momento, vimos um carro com um senhor, uma mulher e um cachorrinho. Ficamos sinalizando para que tentassem sair da avenida. Foi desesperador, mas ele conseguiu tirar o carro dali”, relembra.

No cruzamento entre as ruas Vereador Joaquim da Silva Martha e São Gonçalo, os prejuízos foram grandes. Na guarita de um edifício, o porteiro Luiz Gustavo de Faria, 40 anos, viu a água arrastar vários veículos.

“Trabalho aqui há 18 anos e nunca vi algo como hoje. Os carros batiam uns nos outros e derrubavam placas de sinalização. É difícil ver sem poder ajudar”, relata, dizendo ter contabilizado a chegada de pelo menos oito guinchos ao endereço para recolher os veículos.

O pedreiro Rosivaldo Ferreira de Souza, 43 anos, trabalhava em um estacionamento próximo quando a chuva começou. “Eu e outras pessoas tentamos fazer os carros e as motos pararem, mas depois a gente teve que se proteger”, conta. Segundo ele, os pedestres se aglomeraram na quadra 20 da rua Vereador Joaquim da Silva Martha, que fica em um nível mais elevado. Já os que perderam seus veículos só estiveram no local após a chuva cessar. “Foi triste ver as pessoas chegando. Alguns pegaram o carro já todo batido, mas teve motociclista que não conseguiu sequer achar seu veículo”, finaliza.

‘Cachoeira’ em unidade de saúde

A chuva forte desta quinta-feira formou uma espécie de ‘cachoeira’ dentro da unidade de saúde do bairro Nova Bauru. Infiltrações no prédio levaram muita água para dentro do local e o atendimento aos usuários acabou sendo prejudicado, conforme revela Miriam Cleide de Paula e Silva, 40 anos.
“Quando entrei, não sabia se estava dentro ou fora do posto, de tanta água que caía. Fiquei indignada, porque as funcionárias da área da saúde tiveram que deixar atender para tentar tirar a água”, revela ela, que havia levado a filha de 2 anos para uma consulta.
Pouco tempo depois, quando a chuva forte cessou, o atendimento foi realizado. Por meio de suas assessoria de imprensa, a prefeitura informou que não foi comunicada sobre esta ocorrência.

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