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'Fiquem atentos aos remédios que baixam a imunidade'

Vídeo de médico de Ourinhos sobre medicamentos perigosos em tempos de coronavírus ganhou as redes sociais na última semana

por Tisa Moraes

22/03/2020 - 05h46

Arquivo Pessoal

O pediatra José Luiz de Lima possui mais de 40 anos de atuação

A apreensão crescente dos brasileiros diante do avanço do coronavírus no Brasil fez com que se multiplicassem nas redes sociais vídeos de especialistas na área de saúde para dar orientações à população. E um deles foi o do médico pediatra de Ourinhos José Luiz de Lima, que possui mais de 40 anos de atuação no sistema público e privado de saúde.

Com a mesma linguagem simples e direta utilizada no vídeo, ele concedeu esta entrevista ao Jornal da Cidade para alertar sobre os medicamentos que podem reduzir o nível de imunidade do organismo e que, portanto, devem ser evitados, especialmente neste momento que o País atravessa.

Formado pela USP de São Paulo, ele também dá dicas sobre remédios que ajudam a fortalecer a saúde, incluindo aqueles formulados a partir de plantas, que seguem a tradição da cultura oriental. "O chinês não toma a quantidade de anti-inflamatórios que é consumida na Europa", pontua José Luiz.

Apesar do grande número de mortos na China por conta do coronavírus, o país registra a proporção de 0,23 óbito para cada 100 mil habitantes. Na Itália, o índice já é de 5,7.

Leia, abaixo, os principais trechos da entrevista. O vídeo completo do médico, que viralizou na última semana, pode ser conferido no JCNET.

JC - Por que o senhor tomou a iniciativa de gravar o vídeo?

José Luiz -Venho acompanhando, desde a epidemia de dengue do ano passado, a questão do uso de anti-inflamatórios. Vários dos que morreram vinham tomando AAS e outros anti-inflamatórios, que baixam a imunidade, as plaquetas. No caso do coronavírus, vimos a diferença entre a China, que segue a medicina oriental, e a Itália, que tem uma medicina muito parecida com a nossa, de muito medicamento.

JC - O senhor acredita que este foi um dos fatores para o elevado número de mortes na Itália?

José Luiz - O chinês é mais resistente à dor e não toma a quantidade de anti-inflamatórios que é consumida na Europa. Foi lá, inclusive, que surgiu o ibuprofeno, que pode provocar asma, gastrite, alergias e baixa as plaquetas. Há um mês, um menino que teve febre maculosa em Ourinhos não morreu da doença. Ele sangrou até a morte porque tinha tomado ibuprofeno em casa. Temos tido um a dois casos de morte por ano na UTI infantil de Ourinhos pelo mesmo motivo.

JC - Todas as projeções apontam que a pior fase da epidemia de coronavírus no País ainda está por vir. Este cenário se torna ainda mais preocupante diante do hábito brasileiro de automedicação?

José Luiz - O brasileiro é bombardeado com propagandas de Naldecon (pseudoefedrina), Multigrip, Coristina D, ibuprofeno (Buscofem, Advil). E eles aliviam bem a dor, a febre, mas podem ser perigosos. Quem tem medo de febre ainda está no tempo de quem não sabia que febre é a defesa contra vírus e bactérias. Não tem que correr para o pronto-socorro, o que é um hábito do brasileiro, nem tomar anti-inflamatórios. O ibuprofeno tira a febre, mas tira a defesa do organismo também.

JC - O que deve ser usado para controlar os sintomas?

José Luiz - Eu recomendo comprimido de arnica, que vem da Alemanha. O nome comercial é Motix ou Traumeel. Para criança, um comprimido mastigável; para crianças maiores e adultos de porte médio, dois comprimidos; e adultos grandes, três comprimidos a cada quatro horas. A arnica alivia bem a dor sem mexer na febre e na defesa do organismo.

JC - É preciso alguma cautela também com soluções nasais?

José Luiz - Todos estes remédios de pingar no nariz, Afrin, Naridrin, Narix, tiram a defesa das narinas. É um medicamento vasoconstritor, desincha, só que a mucosa das narinas ficam sem defesa. É tudo o que o coronavírus, ou qualquer outro vírus, precisa para entrar no organismo.

JC - Então, qual a saída para quem precisar descongestionar o nariz?

José Luiz - Como prevenção, estamos usando bastante para adultos e crianças o Rinosoro Jet XT, que é feito com xilitol. Ele não deixa parar vírus e bactérias tanto na narina, quanto na garganta e nos dentes. Hoje, existe até pasta de dente, goma de mascar feita com xilitol.

JC - Neste momento, em que todo mundo está preocupado com o risco de ser infectado pelo coronavírus, qual é a recomendação? Como a pessoa deve agir se apresentar sintomas clássicos de gripe, que coincidem com os sintomas de coronavírus?

José Luiz - A grande maioria das pessoas infectadas vai sarar sozinha ou nem vai apresentar sintomas. A pessoa pode ter a doença, criar imunidade e nem saber que foi infectada. É o que a gente chama de paciente assintomático. Isso vai acontecer com uma grande parte das pessoas e já pode ter acontecido em Bauru, inclusive. Outra parte significativa da população vai ter sintomas leves, coriza ou um pouquinho de tosse ou garganta raspando.

JC - As crianças estão mais seguras em relação ao coronavírus?

José Luiz - Na China, não houve nenhum caso grave com crianças abaixo de 9 anos. O mais preocupante é o grupo de risco, que inclui idosos, doentes crônicos e pessoas imunossuprimidas. Estes devem ficar em casa e não devem ficar recebendo visita, principalmente se esta visita apresentar algum tipo de sintoma.

JC - De todos os medicamentos que o senhor citou no vídeo (veja abaixo), algum merece especial cuidado para pessoas que apresentarem sintomas de coronavírus?

José Luiz - Os anti-inflamatórios, como o ibuprofeno, são os piores porque não servem para vírus, não servem para bactérias e realmente tiram a defesa do corpo. Abaixam a imunidade e podem piorar o quadro de um paciente infectado, seja por coronavírus, dengue, chikungunya, febre maculosa, sarampo. Aliás, gostaria de fazer um alerta sobre o sarampo, que pode matar muitos jovens neste ano. A vacinação não atingiu nem de longe a meta. Os jovens de 20 a 40 anos estão totalmente desprotegidos. A vacina não dura tudo isso e as pessoas não estão sabendo. Muitos postos fizeram a campanha até 19 anos, o que é um erro.

JC - Além da lista detalhada no vídeo, há algum outro tipo de medicamento que requer atenção?

José Luiz - No caso da cortisona, eu falei da betametasona e dexametasona, mas faltou o mais importante que é a prednisolona. Quem toma corticoide por via oral baixa a imunidade imediatamente. No vídeo, eu destaco o xaropinho, que alivia a tosse, mas engorda, incha e baixa a imunidade. Exemplos são o Predsim, Prelone, Celestamine e Kóide D.

JC - Quais são as recomendações para fortalecer a imunidade neste momento de apreensão?

José Luiz - As pessoas podem recorrer ao canal Autor da Própria Saúde, no YouTube, que é muito interessante. Ele é muito estudioso e detalha quais são as plantas que aumentam a imunidade. Dá dicas muito práticas. Agora, comercialmente, temos como opção drágeas de Echinacea purpúrea, vendida sob o nome de Enax, que serve para adultos. Para criança, é o Becan (beta-glucana) em gotas. Criança pequena, cinco gotas; criança maior, dez gotas. Tomar todos os dias, uma vez por dia. Estes remédios também são à base de plantas.

JC - Fora isso, tem a recomendação tradicional de cuidar da saúde como um todo: ter boa alimentação, fazer exercícios físicos...

José Luiz - Sim, mas é algo que todas as pessoas já sabem. A intenção é trazer um diferencial, com dicas novas. O uso do xilitol, das plantas vai ajudar bastante. Quem gosta, também pode tomar chás, como os chineses sempre fizeram. Neste canal Autor da Própria Saúde, as pessoas poderão encontrar quais plantas para chás são mais indicadas.

JC - E quanto aos alimentos, há algum tipo de cuidado a ser tomado?

José Luiz - A orientação é evitar alimentos com tartrazina, que tem a função de adoçar alimentos. Pode ser encontrada em isotônicos, sucos de caixinha adoçados (conhecidos como néctar), alguns tipo de doces industrializados e até biscoitos de polvilho. É uma droga que provoca alergias, piora a imunidade e dá gastrite. E pode desencadear asma, porque fecha os brônquios. É muito perigosa nesta época de coronavírus.

Excepcional

Por conta da pandemia de Covid-19, a Entrevista da Semana deste domingo (22) não abordará questões pessoais do convidado, como normalmente acontece. Com a preocupação de garantir aos leitores a maior quantidade possível de informações sobre os caminhos possíveis para o enfrentamento do novo coronavírus, nesta edição os aspectos técnicos foram priorizados.

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