Bauru e grande região

Economia & Negócios

Economia traça 'plano de guerra' para minimizar efeitos da pandemia

Home office, férias coletivas e banco de horas estão entre as medidas; indústrias adaptam produção para atender demanda

por Tisa Moraes

25/03/2020 - 05h26

Renan Casal

Gino Paulucci Júnior, diretor regional do Ciesp

As empresas de Bauru na área de comércio, serviço e indústria estão traçando estratégias para minimizar as perdas econômicas já esperadas diante da epidemia de coronavírus no País. Com a 'paradeira' em boa parte das atividades, os setores buscam se organizar para enfrentar o novo momento. Entidades representativas, inclusive, citam que a situação demanda a delimitação de verdadeiros "planos de guerra".

A indústria, sem dúvidas, é o segmento menos afetado, já que não foi atingida por nenhum decreto governamental para suspensão de atividades. Porém, parte das empresas tem adaptado suas produções para atender a demanda crescente por tipos específicos de suprimentos.

Exemplos são embalagens plásticas para álcool em gel e respiradores hospitalares. "No primeiro caso, é o que estão fazendo muitas empresas do setor plástico. Já fabricantes de automóveis estão contribuindo com a produção de componentes para respiradores. É um esforço de guerra para garantir a produção de materiais de extrema necessidade neste momento", detalha o diretor da regional Bauru do Ciesp, Gino Paulucci Júnior.

Segundo ele, o setor não registra, de modo geral, redução na demanda, justamente por ter a responsabilidade de abastecer supermercados, padarias, açougues e farmácias, entre outros estabelecimentos que seguem com suas atividades em tempo integral. Ainda de acordo com Paulucci Júnior, todas as providências para aumentar a segurança dos trabalhadores neste período foram adotadas.

COMITÊ DE CRISE

Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, Odair Secco Cristóvam destaca que os empresários do comércio ainda buscam caminhos para contornar os impactos econômicos provocados pelo coronavírus. Com exceção dos serviços considerados essenciais, como é o caso do setor de alimentação, todas as lojas foram fechadas por força de decreto.

"Confesso que ainda estamos meio perdidos. Foi tudo muito em cima da hora. Tem algumas empresas que ainda estão conseguindo fazer vendas online, mas é a minoria. A maioria está parada e deu férias coletivas para os funcionários. A situação é complicada", pontua.

FLEXIBILIZAÇÃO

Presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Reinaldo Cafeo afirma que o empresário deve priorizar o pagamento de salários, mas estar atento às possíveis flexibilizações que podem ser autorizadas pelo governo. "Se possível, o gestor deve colocar parte da equipe em férias e negociar com o trabalhador o pagamento daquele acréscimo de um terço (exigido por lei)", detalha.

Outra recomendação é "não pensar em pagamento de tributos" e negociar prazos e condições de pagamento com os fornecedores que já entregaram mercadorias. "Além disso, cancelar os pedidos que foram feitos e não foram entregues, se não forem necessários. Para que as empresas não sucumbam, o gestor deve criar um comitê de crise, fazer com que cada centavo a ser gasto tenha um critério e aguardar decisões do poder público no sentido de alívio deste caixa", acrescenta.

Ministério do Trabalho

Segundo Guiomar Pessotto Guimarães, coordenadora institucional da Procuradoria do Trabalho no Município de Bauru, o Ministério Público do Trabalho (MPT) não recebeu, até o momento, denúncias de demissão em massa por conta da suspensão do funcionamento de empresas na região. O órgão abrange 116 municípios.

"Não recebemos notícias desta prática. Recebemos, por exemplo, denúncias de falta de álcool em gel para trabalhadores que atendem o público, de não dispensa de estagiários menores de 18 anos. Entendemos que as empresas ainda estão meio perdidas, então, sempre buscamos o diálogo para que sigam as recomendações", detalha.

Segundo Guiomar, as Procuradorias regionais seguem orientação da Procuradoria-Geral do Trabalho em Brasília quanto a eventuais políticas do governo federal que permitam redução de jornada com redução de salários. O órgão avaliou, por exemplo, que a medida provisória (MP) revogada nesta segunda-feira (23) - que autorizaria a suspensão do contrato de trabalho por quatro meses sem pagamento de salário - aceleraria a estagnação econômica por interromper abruptamente a circulação de recursos, além de expor "uma gama enorme da população a risco iminente de falta de subsistência".

Para os próximos dias, a Presidência da República promete publicar uma nova MP, chamada de 'pacote antidesemprego', para possibilitar a redução de salários e jornadas em até 50%. Conforme Guiomar, o MPT ainda não se posicionou sobre a medida anunciada.

 

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