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'Isolamento e restrições em Bauru não serão revertidos', diz Gazzetta

Prefeito descarta adotar isolamento vertical, o lockdown, mesmo se a medida for recomendada pelo Ministério da Saúde

por Marcele Tonelli

26/03/2020 - 06h00

Facebook/Reprodução

O prefeito divulgou, nas redes sociais, um vídeo com o seu posicionamento, na tarde desta quarta

A Prefeitura de Bauru e a Secretaria Municipal de Saúde descartaram o afrouxamento das medidas de contenção social e restrições de comércio e serviços adotadas na cidade em razão do coronavírus (Covid-19). O posicionamento vai na contramão do chamado "lockdown vertical", defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, no qual apenas pessoas do grupo de risco seriam isoladas.

Ao rejeitarem a medida, tanto o prefeito Clodoaldo Gazzetta quanto o secretário municipal de Saúde, Sérgio Henrique Antonio, ressaltaram que a cidade está alinhada com as recomendações da Secretaria Estadual de Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OMS). E que, se, eventualmente, o Ministério da Saúde adotar o isolamento vertical, o município não irá respeitar.

"Não há a mínima possibilidade de isso acontecer neste momento. O isolamento da população e as restrições impostas pela prefeitura não serão revertidos agora. Tomamos como referência todos os países que adotaram este mesmo isolamento e que tiveram redução de casos por causa disso. O presidente tem grande autoridade, mas o poder absoluto no município é do prefeito", afirma Gazzetta, dizendo que só seguiria uma medida federal do tipo caso houvesse a mudança da concepção de epidemia no País e a comprovação de benefício aos municípios. O prefeito, inclusive, divulgou nas redes sociais um vídeo com seu posicionamento, na tarde desta quarta-feira (25).

Secretário de Saúde, o médico Sérgio Antonio considera absurdo o isolamento somente de grupos de risco da Covid-19. "Qualquer pessoa pode ser contaminada e desenvolver a forma grave da doença. Temos casos graves suspeitos de um homem de 31 anos no Hospital Estadual e outro de 49 anos em hospital particular. Até criança com suspeita temos na cidade", reforça Sérgio.

E A ECONOMIA?

Segundo Gazzetta, a cidade não está parada, embora pareça para muita gente. "Temos vários estabelecimentos funcionando por meio de entregas, que estão liberadas. A economia está em movimento, bem menos que o normal, mas está. A proibição é para o acesso ao público, mas todos podem funcionar com delivery. Adotamos restrição mínima", completa.

Ele explica que o decreto municipal que restringiu comércio e serviços valerá, pelo menos, até que a cidade esteja preparada para enfrentar possível explosão de casos e epidemia. "Precisamos de um hospital de campanha e da compra de equipamentos. Se, hoje, liberarmos a normal circulação de pessoas, o número de casos pode explodir e não temos estrutura nenhuma para a epidemia", pontua Clodoaldo Gazzetta.

Cultos e call centers

Quanto à medida do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) que derrubou, na última terça-feira (24), liminar que proibia cultos e missas presenciais, Gazzetta é enfático: "O que vale em Bauru é a lei municipal. Se alguém entrar com ação judicial e a Justiça obrigar a abrir as igrejas para os cultos, aí é outra situação. Neste momento, elas ficarão fechadas por causa da Lei de Ocupação do Solo. Missas e cultos apenas virtuais", esclarece.

Na mesma linha de raciocínio, ele cita os serviços de call centers, que, no decreto federal, foi considerado essencial, mas teve a atividade restrita no decreto municipal. "Eles só podem prestar serviços para áreas essenciais, como a telefonia e energia elétrica. Não podem atuar na cobrança", finaliza o prefeito.

 

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