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'Chama invisível': queimadura com álcool em gel em Bauru gera alerta

Paciente, que foi atendido no Hospital Estadual, passou o produto nas mãos e nos punhos e foi utilizar a churrasqueira

03/04/2020 - 06h00

Marcello Casal Jr./Agência Brasil

É preciso tomar muito cuidado com o material inflamável, que é o álcool gel, e que gera "chamas invisíveis"

Neste momento de pandemia da Covid-19, a importância do álcool em gel como alternativa para a higienização das mãos quando não é possível lavá-las com água e sabão se tornou mais do que fundamental. Contudo, é preciso tomar muito cuidado com o material inflamável e que gera "chamas invisíveis". Bauru, inclusive, já conta com um caso de acidente do tipo.

O médico cirurgião plástico Eudes Nóbrega, que atua na Unidade de Tratamento de Queimaduras do Hospital Estadual de Bauru (referência no atendimento de queimaduras para pacientes dos 645 municípios do Estado de São Paulo), recebeu, nesta semana, um caso em que o paciente passou o álcool em mãos e punhos e foi utilizar a churrasqueira. "Ele não viu as chamas e a queimadura se alastrou. Como o álcool em gel leva mais tempo para evaporar da pele, é preciso tomar cuidado ao se aproximar de fontes de calor", explica.

O médico conta que, como as chamas são transparentes, o perigo se torna ainda maior. "Neste caso, a pessoa sentiu a ardência, mas não viu as chamas. Então, jogou mais álcool em gel para tentar amenizar a ardência e piorou a situação", complementa Eudes Nóbrega.

O paciente não autorizou a Famesp, gestora do Hospital Estadual, a fornecer o seu estado de saúde e mais detalhes.

CUIDADOS

O uso do produto deve ser feito com muita cautela, especialmente em ambientes como a cozinha, onde fica o fogão, e em áreas de lazer com churrasqueiras, pois é uma substância inflamável e que demora a se dissipar das mãos em razão de sua consistência.

Após a aplicação do álcool em gel, recomenda-se esperar secar completamente as mãos e aguardar de 15 a 20 minutos para que seja mais seguro fazer atividades que envolvam qualquer fonte de calor.

De acordo com Eudes Nóbrega, o álcool em gel proporciona uma queimadura que pode variar de 2.º a 3.º grau, dependendo do tempo de exposição. Mais comumente provoca queimaduras de 2.º grau superficial até 2.º grau profundo. É um tipo de ferimento que, além de bolhas ou chamuscamento da pele, pode causar danos mais profundos. "Em alguns casos, pode até precisar de enxertos", alerta. Por isso, a necessidade de cuidados redobrados.

Crianças no isolamento

O médico cirurgião plástico Eudes Nóbrega também alerta para cuidados com as crianças nesse período de isolamento social. “Nesse momento em que todos estão em casa, juntos, precisamos ficar mais atentos às crianças para evitar queimaduras por acidentes domésticos”.

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