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Máscaras: produção em tecido estimula vendas e solidariedade

Provence, com sede em Bauru e Agudos, redirecionou produção de lingerie para atender demanda de urgência

por Bruno Freitas

09/04/2020 - 06h00

Aceituno Jr

Luis Evandro Manflin, na fábrica da Provence

De catálogo feminino à máscara de tecido. Foi assim, da noite para o dia, que a Provence Lingerie mudou radicalmente parte de sua linha de produção depois que as lojas de Bauru e Agudos tiveram suas atividades suspensas devido à quarentena do coronavírus. O proprietário Luis Evandro Manflin alterou o foco do negócio, temporariamente, por dois motivos. Pelo fato de os pedidos de lingerie não terem procura e ao perceber que não haviam mais máscaras descartáveis à venda. Assim, ele redirecionou a fábrica e o setor de vendas.

A unidade da Provence Lingerie situada no trevo da entrada de Agudos, no km 327 da rodovia Marechal Rondon (SP-300), vem produzindo o produto em larga escala, em tecido de 100% algodão, duas camadas, esterilizado e lavável, nas cores branca e preta. O primeiro cliente que motivou a Provence a investir nas máscaras foi a Prefeitura de Agudos. Agora, tanto a fábrica da cidade e a loja em Bauru estão comercializando por lotes para o público em geral.

"Creio que no futuro retomaremos as lingeries, mas não temos ideia da duração desse período que estamos vivendo. Fomos obrigados a nos reinventar. O meu pensamento agora é um dia de cada vez", comentou Manflin.

DOAÇÕES A ENTIDADES

A produção comercial ainda tem espaço para solidariedade. Luís Evandro destacou também que parte do que a Provence produz é direcionada para doação, direcionando para entidades assistenciais de Bauru e Agudos que abrigam pessoas do grupo de risco.

VENDAS POR LOTES

A confecção diária ainda não é suficiente para atender toda a demanda. Para vendas em Bauru, na loja que da rua Manoel Bento Cruz, 6-07, Centro, a empresa se organizou com dois lotes diários. A confecção que é feita pela manhã eles colocam para vender às 14h. Forma-se uma fila do lado externo, com espaçamento entre os clientes e o lote esgota em 30 minutos.

Depois a venda ocorre as 16h. Já em Agudos, onde a loja tem a fábrica anexa, a comercialização acontece das 10h às 18h. Em ambas, de segunda a sexta.

Não estão sendo feitas encomendas por telefone.

A costureira de Bauru que "dá o peixe e ainda ensina a pescar"

Arquivo pessoal

Lúcia Miassaca começou costurando para amigos e precisou chamar reforço das irmãs

Assim como diz o conhecido provérbio lá do título, Lúcia Miassaca, costureira há 12 anos, não só ajudou a melhor amiga, financeiramente afetada pela crise, com os primeiros tecidos, mas também propiciou o ensino do corte e costura para que ela pudesse se sustentar do novo trabalho: confecção de máscaras.

Lúcia teve a sua produção de bonecas temáticas interrompida após festas serem adiadas e canceladas, devido à pandemia do coronavírus. E no primeiro dia em que foi procurar máscaras descartáveis para uso pessoal, se deparou com a falta do produto em toda a cidade. A partir disso, teve a ideia de começar produção própria.

Seguindo recomendação das autoridades de saúde, com tecido duplo de algodão, ela começou a fazer máscaras de diversas cores e investiu bastante na produção com estampas, para adultos e crianças. Lúcia começou a divulgar opções em seu perfil de Facebook, oferecendo para os amigos, mas a oferta viralizou na internet e hoje ela produz mais de 100 por dia, para empresas e uso doméstico.A costureira passou a contar com reforço das irmãs Maria Lúcia e Agda Assis, em ateliê de sua casa, na Antônio Zuiani, 4-31, Centro, onde são feitas também as vendas. 

COMPARTILHANDO

Lúcia conta que a amiga Rosangela, que é cabeleireira, estava sem exercer seu trabalho. E ela a ajudou a iniciar uma nova profissão do zero, dando os primeiros tecidos e compartilhando sua experiência. A costureira disse que em Bauru já não se acha mais com facilidade a matéria-prima e que ela vai buscar tecidos em Ibitinga. Detalhou também que depois de lavar bem a máscara, antes de utilizar novamente, ainda é recomendável usar ferro de passar em alta temperatura. Os pedidos podem ser feitos pelo telefone celular/whats 99886-5033.

Confecção solidária e para sustento da família

Aceituno Jr

Carla Motta com máscaras que acompanham instruções de uso

A empresária Carla Motta passou 3 dias chorando sem saber o que fazer para promover o sustendo da família, quando a cidade teve decretada a quarentena e o fechamento do comércio. Além da atividade da loja Elemento Natural, em Bauru, suspensa, ela perdeu a clientela que cancelou festas.

Com o futuro incerto, ela que também costura há muitos anos, passou a fazer máscaras de tecido e começou a doar grandes quantidades para pessoas de baixa renda e de grupo de risco. Chegou distribuir cerca de 500 unidades. 

Na última semana as contas apertaram e ela precisou confeccionar para venda, mas não abriu mão das doações. 

CORRENTE DO BEM

"Continuo doando, agora com mais critério. Faço cadastro e controlo quem recebe. Mas preciso vender também para sustentar a família. Faço para empresas e uso particular. Sempre carrego algumas unidades comigo e quando vejo alguém na rua, que precisa, acabo presenteando. E quando vendo, tenho unitário e o pacote com cinco, onde eu dou mais uma de graça, incentivando a pessoa a dar essa para alguém que não pode comprar, como uma corrente", revela.

As máscaras de tecido que Carla produz seguem protocolo da Saúde e acompanham instruções. Ela vende em casa, na rua Charles Hughs, 2-38, Jardim Europa. O telefone/whats para encomenda é 99731-5676.

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