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Hospitais da cidade usam cloroquina

Droga que virou alvo de polêmica e cuja eficácia segue em estudos científicos tem sido usada como opção em Bauru

por Marcele Tonelli

09/04/2020 - 05h47

Reprodução

Medicação teve a indicação de uso ampliada desde o dia 3 de abril

Hospitais de Bauru, das redes pública e particular, já utilizam a cloroquina ou hidroxicloroquina, que é variante da mesma droga, no tratamento de pacientes com suspeita de coronavírus (Covid-19). Embora sua eficácia ainda esteja sendo estudada cientificamente, a medicação tem sido usada desde o início da epidemia como opção nos casos em que há internação do paciente. Segundo o JC apurou, o Hospital Estadual (HE) - referência da Covid-19 na rede pública - ministra a droga, assim como os hospitais privados que atendem suspeitas e confirmações da doença.

Em coletiva de imprensa, nesta quarta-feira (8), o coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus do Governo de São Paulo, David Uip, e o secretário de Saúde do Estado, José Henrique Germann, informaram que todos os hospitais estaduais receberam, por parte do Ministério da Saúde, a medicação.

Segundo Germann, cerca de 200 mil comprimidos foram recebidos do Ministério e já distribuídos pela rede estadual. Desde o dia 3 de abril, a indicação foi ampliada a todos os pacientes internados.

E o uso tem sido feito desde o início da internação, mas apenas quando há a indicação médica. "Desde que haja consentimento formal [em papel] do paciente, quando ele aceita, ou quando algum familiar que responde por ele aceita os riscos frente à prescrição médica", cita Germann.

EFEITOS COLATERAIS

David Uip reforça, contudo, que o uso da cloroquina é indicado apenas para pacientes internados, porque há necessidade de observação médica, principalmente em relação aos efeitos colaterais.

Efeitos adversos cardíacos, hepáticos e visuais são relatados no uso da cloroquina. "Temos enorme experiência com a cloroquina. Nós, que trabalhamos com medicina infecciosa e tropical, usamos a cloroquina há muitos anos no tratamento da malária. Eu trabalho em Angola desde 2003 e posso afirmar: é uma droga importante, com efeitos colaterais não desprezíveis", cita Uip. "Não há um trabalho científico, até agora, que concluiu a eficácia e eficiência deste medicamento. Nós aguardamos os resultados", acrescenta.

O Estado não informou quais as impressões observadas por equipes médicas até o momento em pacientes que receberam a cloroquina no HE de Bauru.

Uma das estratégias utilizados na internação de pacientes entubados com suspeita de Covid-19 tem sido a posição prona (virar o paciente de bruços), que é uma manobra feita para combater a hipoxemia e ajudar na estabilização hemodinâmica.

Gazzetta é questionado por Estado sobre salões de beleza

Sob o risco de ter infringido o decreto estadual que proíbe a abertura de estabelecimentos não essenciais, o prefeito Clodoaldo Gazzetta diz ter sido questionado pela Procuradoria do Estado, nesta quarta-feira (8). 

É que uma das normas do novo decreto municipal, conforme o JC noticiou, permitiu que profissionais de salões de beleza e barbearias, por exemplo, possam atender no estabelecimento, não mais apenas a domicílio. O decreto diz que é permitido apenas um cliente por sala e com hora marcada. E o prefeito garante que é preciso que a fachada do estabelecimento permaneça fechada durante o atendimento para que não haja penalidades.

"Avaliamos junto à Vigilância Epidemiológica e acreditamos que essa medida envolvia menor risco de contágio do que deixar o profissional ir até a casa do cliente, onde pode ter contato também com a família dele. Só que o Estado parece entender diferente", explica o prefeito.

A situação foi levada para discussão junto ao Estado. Um parecer  deve ser emitido nesta quinta-feira (9), pela revogação ou não da medida municipal.

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