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Covid amplia importância do serviço social

No período de maior desafio, assistentes sociais atuam para que medidas protetivas sanitárias e econômicas caminhem juntas

por Bruno Freitas

15/05/2020 - 06h00

Bruno Freitas

Ana Cristina Sales é diretora de departamento da proteção social básica

Hoje é o dia dos profissionais que garantem a efetivação dos direitos sociais da população e que caminham de "braços dados" com diversas esferas públicas e privadas, em especial a Saúde, já que a presença dos assistentes sociais durante a pandemia tem sido cada vez mais exigida. Lidando com o fator sofrimento diariamente, eles vêm desempenhando papéis fundamentais, mesmo que isso as coloquem, muitas vezes, em risco de contágio da Covid-19 para poder atender famílias em vulnerabilidade.

O JC ouviu quatro assistentes sociais de Bauru que afirmam que a categoria teve sua importância amplificada devido ao coronavírus e seus graves reflexos sanitários e financeiros.

Para Lucila Bacci, diretora de divisão e responsável por 11 unidades de referência na Secretaria de Saúde, com 17 anos no serviço público municipal, esse é um momento diferente na história e nas carreiras de cada assistente social. E a maior dificuldade, segundo ela, é a conscientização das pessoas para ficarem em casa, cuidarem da saúde, usarem a máscara e entenderem que todos fazem parte deste processo, do cuidado.

"É importante que a comunidade se junte a nós para evitarmos que o maior número de pessoas se contaminem e que as pessoas em vulnerabilidade passem por toda essa dificuldade, vivas. Esse é o nosso objetivo. A grande solução para todo esse processo, da Covid, é a vacina. Mas enquanto ela não existir, estamos na luta do trabalho em conjunto com a sociedade", destaca.

DESAFIOS

Lucila Bacci revela que um dos grandes desafios para a categoria é articular todas as políticas de proteção que são necessárias. Ela explica que a pandemia trouxe a necessidade de se discutir políticas públicas, que são importantes e precisam ser protegidas. "A economia é importante, mas precisamos garantir que a vida seja prioridade. E as medidas protetivas vão conseguir que as duas coisas consigam caminhar juntas", pontua.

Para ela, outra questão desafiadora neste momento de pandemia é comunicar o óbito por coronavírus, seja confirmado ou caso suspeito. "É difícil explicar para a pessoa que acabou de perder um ente querido que ela não pode velar de forma convencional, que existe um protocolo que precisa ser seguido para garantir a segurança e a saúde dos familiares. Sabemos como é a perda. E não poder velar, ver e se despedir visualmente, não é um processo fácil", complementa Lucila Bacci.

GARANTIAS

Segundo Ana Cristina Sales, diretora de departamento da proteção social básica do município, com mais de 20 anos de atuação pública, a política de assistência social é embasada na garantia de direitos e dentre eles, o que é mais exigido hoje é o acesso à alimentação.

"Lidamos com famílias com extrema vulnerabilidade de renda e convivência. Não estamos só na linha de frente das epidemias, mas também em alagamentos e destruições, por exemplo", comenta.

PÓS-PANDEMIA

Ana Sales acrescenta que o momento é muito desafiador e que o pós-pandemia preocupa. "Estávamos acostumados a lidar com uma quantidade de famílias que precisam de assistências, mas isso triplicou. Vamos ter um reflexo avassalador na área econômica. E é justamente neste ponto que o serviço social vai ser mais exigido, no fortalecimento dessas famílias e buscar com elas alternativas diferentes daquelas que já estávamos acostumados, porque depois dessa pandemia ninguém vai ser o mesmo. É preciso buscar equilíbrio emocional, afinal, precisamos estar bem para cuidar do outro", finaliza.

PAPEL

Para a professora Clorinda Queda, o exercício profissional visa às desigualdades sociais e equalização de oportunidades.

De acordo com ela, em Bauru o papel do assistente social não é recente, mas vem contando com a presença destes com maior intensidade no formato de projetos e programas cientificamente planejados e concretizados desde o ano de 1963, com a criação da Faculdade de Serviço Social de Bauru da ITE, além da criação da Secretaria de Bem-Estar Social (Sebes).

H1N1 E DENGUE

A também professora na área Lilia Christina de Oliveira aponta a importância de os profissionais atuarem em várias expressões da questão social, na fome, violência, educação e desemprego, garantindo direitos de atendimento para que os problemas não se agravem. Ela recorda de outros momentos críticos que exigiram muito destes profissionais, como a pandemia de H1N1 em 2009 e os casos incontroláveis de dengue de Bauru.

NACIONAL

O Conselho Federal de Serviço Social comemora a data nas redes sociais e em suas regionais, destacando que a categoria dialoga com a sociedade sobre o que o serviço social pode oferecer como profissão em defesa da efetivação dos direitos da população. O site é http://www.cfess.org.br.

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