Bauru e grande região

 
Geral

HE retira a cloroquina da rotina, mas ela ainda pode ser prescrita

Comissão de Controle de Infecção Hospitalar da unidade explica que não se trata de proibição, já que médicos têm autonomia

por Tisa Moraes

23/05/2020 - 05h19

Malavolta Jr.

Lucas Alves, coordenador da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do HE, fala sobre o novo protocolo da unidade

Referência para atendimento de casos de Covid-19 na rede pública de Bauru e região, o Hospital Estadual (HE) retirou, nesta sexta-feira (22), a hidroxicloroquina e a cloroquina da rotina de tratamento de pacientes com suspeita ou confirmação do novo coronavírus. A decisão institucional foi informada pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar da unidade e está amparada no consenso publicado em 18 de maio pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira, Sociedade Brasileira de Infectologia e Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.

O novo protocolo também se baseia nos últimos estudos científicos publicados sobre o uso da hidroxicloroquina e cloroquina, cujas evidências não estariam demonstrando eficácia destes medicamentos para tratamento da Covid-19. Coordenador da comissão do HE, o médico infectologista Lucas Marques da Costa Alves destaca, contudo, que não se trata de uma proibição de uso, já que os médicos responsáveis pelo tratamento destes pacientes possuem autonomia para prescrição, se entenderem que há indicação.

"A diferença é que, agora, estes medicamentos saem da rotina de tratamento dos pacientes. Os parâmetros para utilização serão individualizados, ou seja, discutidos caso a caso", pontua, salientando que, como não há comprovação de eficácia da hidroxicloroquina e da cloroquina, não é possível definir, de antemão, em quais casos elas ainda poderão ser usadas.

Alves explica que os dois medicamentos eram prescritos mais amplamente até duas semanas atrás. A indicação era voltada para os casos considerados moderados e graves. "São aqueles pacientes com muita falta de ar, que não conseguem manter uma quantidade de oxigênio ideal circulando no sangue sem o suporte (externo) de oxigênio", pontua Alves.

Outro critério era não haver contraindicação, o que ocorre especialmente para os pacientes cardiopatas. Também havia necessidade de o paciente concordar com a utilização, a despeito de possíveis efeitos colaterais, como alterações cardiovasculares.

PACIENTE INFORMADO

Porém, conforme estudos começaram a ser divulgados em periódicos científicos, estas substâncias passaram a ser cada vez menos utilizadas. "Para os pacientes, passamos a dar a informação de que os estudos não mostraram eficácia. O médico, contudo, possui autonomia para uso, se achar pertinente", acrescenta o coordenador.

Assim como ocorria até agora, se o profissional responsável decidir pelo uso de hidroxicloroquina ou cloroquina, o paciente deverá concordar com o tratamento e assinar um termo de ciência e consentimento. Questionado se os médicos do HE poderão ser pressionados por pacientes e familiares a adotar este tipo de terapia farmacológica, já que ela é preconizada pelo Ministério da Saúde, Alves disse que o protocolo federal não prevê imposições à prática médica.

"O fato de os protocolos serem diferentes não interfere. O que o Ministério da Saúde faz é uma orientação em relação ao tratamento", frisa. O médico destaca, ainda, que o protocolo federal reconhece não existir comprovação de "beneficio inequívoco" dessas medicações para o tratamento da Covid-19. "Assim, fica a critério do médico a prescrição, sendo necessária também a vontade declarada do paciente", assinala o documento.

Ler matéria completa