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Economia & Negócios

Bauru perde quase 3 mil vagas de emprego somente no mês de abril

Perdas provocadas pela pandemia do novo coronavírus afetaram principalmente os setores de serviços, comércio e indústria

por Tisa Moraes

29/05/2020 - 05h49

Aceituno Jr.

Bruna Maria de Souza perdeu o emprego no início da quarentena e passou a fazer doces como alternativa de renda

Reflexo imediato da quarentena imposta para reduzir a velocidade de disseminação do novo coronavírus, o nível de emprego em Bauru sofreu queda drástica em abril. Somente neste primeiro mês de suspensão dos serviços considerados não essenciais, foram extintos quase 3 mil postos de trabalho com carteira assinada na cidade.

Conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pela Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia com base em dados divulgados pelas empresas, 2.991 empregos formais foram perdidos em abril, resultado que foi impulsionado principalmente pelos setores de serviços, comércio e indústria.

O desempenho crítico de Bauru, como já era imaginado, acompanha uma tendência nacional. No Brasil, foi contabilizada a extinção de 860,5 mil vagas, sendo 260,9 mil somente no Estado de São Paulo.

DEMITIDA

Uma das trabalhadoras que entrou para estas estatísticas foi a auxiliar de vendas Bruna Maria de Souza, 32 anos, demitida de uma loja de utilidades domésticas da cidade logo no início da quarentena. "Tinha sido contratada em novembro do ano passado. Infelizmente, fiquei poucos meses. Além de mim, outros 13 funcionários foram demitidos somente nesta loja", comenta.

Os R$ 1,2 mil que recebia como salário começaram a fazer falta e Bruna passou a produzir bolos de pote, trufas e pães de mel, que ela vende no @docesbrunamaria, no Instagram, como uma alternativa de renda. "São doces que eu sempre gostei de fazer. Então, vou seguir batalhando", acrescenta.

O setor do comércio, onde Bruna trabalhava, foi um dos mais afetados pelo fechamento provisório dos estabelecimentos em Bauru. Segundo o Caged, neste segmento, foram extintos 727 postos com carteira assinada em abril, volume menor apenas que o ramo de serviços, que fechou o mês com a redução de 1.578 vagas. Já a indústria registrou perda de 551 vagas (veja mais no quadro).

"A indústria não foi obrigada a parar totalmente suas atividades, mas demitiu porque passou a não ter demanda para o volume que estava acostumada a produzir", destaca o economista Reinaldo Cafeo, que é presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib).

RECUPERAÇÃO LENTA

De acordo com ele, o governo federal criou estratégias para que o emprego não fosse diretamente atingido pela quarentena, ao menos no curto prazo. Entre as medidas adotadas, estão a redução de jornadas, o adiamento do pagamento de tributos e linhas de crédito para que as empresas pudessem se sustentar.

Porém, como a quarentena já se alonga por mais de dois meses, os impactos foram inevitáveis, especialmente para os negócios de menor porte. "Bauru, por exemplo, tem matriz econômica alicerçada em comércio e serviços. Estes dois setores foram muito prejudicados e terão uma recuperação lenta. Quem deve segurar um pouco a queda no nível de emprego é a área de construção civil, que não teve grande paralisação, além de indústrias de exportação e as ligadas à cadeia de alimentação", detalha.

Até o momento, o resultado só não é mais devastador porque, entre janeiro e março, o nível de emprego formal em Bauru foi positivo, com a geração de 1.553 novas vagas. Com isso, o saldo do primeiro quadrimestre de 2020 ficou em 1.438 vagas extintas.  

O que nos aguarda

A projeção para os próximos meses, segundo o economista Reinaldo Cafeo, não é boa. De acordo ele, maio deverá registrar perda ainda maior de vagas de trabalho com carteira assinada, na comparação com abril. "De modo geral, o empresário segurou o quanto pôde, mas a maioria, a partir do segundo mês de quarentena, já não tem mais musculatura financeira para garantir os empregos", analisa.

Em junho, a previsão é de que os resultados sigam negativos, mesmo com o início da flexibilização da quarentena, já que os estabelecimentos não deverão voltar a registrar, tão rapidamente, o mesmo movimento de clientes do passado. "Se as vendas não vierem - e não devem vir, porque as famílias estão com orçamento achatado -, mais pessoas poderão ser demitidas. O resultado será o aumento da informalidade ou do número de miseráveis", observa.

Diante deste quadro, a estimativa, segundo Cafeo, é que Bauru perca, até o final do ano, R$ 1 bilhão de Produto Interno Bruto (PIB), dos R$ 13 bilhões que eram projetados para 2020.

Inscrições para o Novotec Virtual estão abertas até 31 de maio

Nesse cenário, as qualificações se tornam ainda mais importantes. Os cursos para o Novotec, programa que visa preparar o estudante para o mercado de trabalho, estão com inscrições abertas para sua modalidade virtual até o dia 31 de maio.
A ação é realizada por meio de uma parceria entre a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e o Centro Paula Souza. São 10 mil vagas para oito cursos de formação profissionalizante com aulas 100% online para alunos de todo o território paulista.
A modalidade Novotec Virtual é realizada online, por uma plataforma da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), com módulos tutorados de 80 horas e horário de aula definido pelo próprio estudante.
Além dos cursos de Lógica de Programação, Banco de Dados, Gestão Administrativa e Planejamento Empresarial, que já faziam parte da modalidade, quatro novas opções estão disponíveis: Desenvolvimento Web, Finança na Empresa, Desenvolvedor Mobile e Espanhol Básico.
Para participar, é preciso ser aluno de qualquer uma das séries do Ensino Médio e se inscrever pelo site do Novotec (www.novotec.sp.gov.br). Estudantes da Educacao de Jovens e Adultos (EJA) das escolas estaduais e concluintes do ensino médio ou EJA médio de dezembro de 2018 até dezembro de 2019 também poderão se inscrever.

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