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Furtos 'desmancham' prédio da União

O galpão, localizado na quadra 1 da avenida Sorocabana, na Vila Industrial, está desocupado desde março deste ano

por Cinthia Milanez

30/07/2020 - 05h00

Fotos: Malavolta Jr.

Presidente da Associação de Moradores da Vila Dutra, Jesus dos Santos reclama da situação

Telhas, fiação e até a madeira que dá sustentação ao telhado têm sido furtadas do antigo prédio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), situado na quadra 1 da avenida Sorocabana, na Vila Industrial, em Bauru. Desocupado desde março deste ano, o galpão da União está se "desmanchando" devido à ação de criminosos, que invadem o local até durante o dia. Em abril, conforme o JC noticiou, parte do espaço pegou fogo e a polícia apontou indícios de interferência humana.

Presidente da Associação de Moradores da Vila Dutra, bairro próximo ao local, Jesus Adriano dos Santos informa que o prédio abriga três armazéns e dois já tiveram quase tudo levado.  

Tão logo a vizinhança percebe alguma movimentação estranha, entra em contato com Jesus. "O pessoal se sente bastante inseguro por conta dos furtos e eu aciono a polícia", revela.

Na medida do possível, segundo ele, a corporação se direciona ao local e até chegou a executar algumas apreensões, mas as ocorrências são bastante frequentes, inclusive, durante o dia. "Dá dó de ver, porque ninguém vigia o prédio e qualquer pessoa consegue entrar", descreve.

O presidente da entidade alega que já sugeriu que a prefeitura ocupasse o galpão, colocando uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou um Centro de Referência em Assistência Social (Cras). "Agora, existe um plano de instalar uma espécie de cooperativa por lá", adianta.

Rafael Santana de Lima é responsável pelo projeto em questão. Hoje, ele exerce a função de diretor de Departamento da Secretaria Municipal de Administrações Regionais (Sear), mas trabalhou por oito anos junto à Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra).

De acordo com o profissional, a proposta visa mudar não só o prédio, mas todo o seu entorno, porque envolve o auxílio a 10 mil pessoas ligadas à agricultura familiar. "Eu já levei o pessoal do Incra para ver o espaço. Porém, antes de mais nada, a União precisa cedê-lo ao município", ressalta.

O projeto, segundo ele, consiste em transformar o local em uma espécie de entreposto, como se fosse uma unidade da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), mas destinada à agricultura familiar, eliminando todos os atravessadores.

Por isso, Rafael lamenta a atual situação do galpão. "O prédio da Conab é muito grande e possui uma cobertura de telhas de alumínio. Os criminosos devem ter levado mais de 50 caminhões daquele material e calculo um prejuízo de R$ 1 milhão. As pessoas estão 'desmanchando' um prédio que pode mudar a realidade de toda a região", observa.

E AGORA?

Em nota, a assessoria de comunicação da Conab esclarece que a unidade em questão não faz mais parte do patrimônio da companhia. O órgão fez a devolução do prédio à Secretaria de Patrimônio da União (SPU).

A reportagem, então, acionou o Ministério da Economia, ao qual a SPU está subordinada. Também por meio de nota, a pasta afirma que trata pendências cartoriais e de avaliação para definir a destinação do imóvel.

Ainda de acordo com o órgão, a Delegacia da Receita Federal, vizinha do local, e a Polícia Federal têm auxiliado a SPU com a guarda do imóvel.

Até o momento, o Ministério da Economia frisa que a Prefeitura de Bauru não fez qualquer proposta em relação ao espaço, mas participou de uma vistoria recente junto à SPU.

Conforme o JC já noticiou, a visita se deu em 22 de abril de 2020, alguns dias depois que parte do galpão pegou fogo. Na ocasião, a Polícia Federal instaurou um inquérito para tentar identificar os responsáveis pelo incêndio.

TRÊS PRESOS

A PF também investiga crimes cometidos contra o prédio da União. No último dia 14, por exemplo, em um trabalho realizado junto à Polícia Militar (PM), foram presos, pelo menos, três acusados por furto no local e dois receptadores, que compravam material retirado do endereço.

Já a Receita Federal lamenta a situação do imóvel da União que abrigou a Conab, mas informa não ter qualquer responsabilidade por sua manutenção ou segurança. A única ação que toma, ocasionalmente, é avisar a PM quando ocorre alguma movimentação estranha e ostensiva no local.

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