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Lobo-guará é flagrado em escola e quase é atropelado na Zona Sul de Bauru

Curioso e preocupante, o caso ocorreu na noite desta terça-feira (4), por volta das 20h, na quadra 12 da avenida Affonso José Aiello, região dos Villaggio

por Ana Beatriz Garcia

05/08/2020 - 14h59

Reprodução

Lobo-guará adulto foi avistado na avenida Affonso José Aiello, na região dos Villaggios

Se o lobo-guará está em alta por conta da nova cédula de R$ 200,00 - que estampará o animal sob risco de extinção -, em Bauru, um deles despertou curiosidade e preocupação aparecendo na quadra 12 da avenida Affonso José Aiello, na Zona Sul. O momento foi gravado por quem passava no local.

Pouco depois das 20h, Simone Lopes Herrera, moradora do Villaggio II - condomínio localizado na região em que o animal apareceu -, recebeu, em um grupo de WhatsApp, as imagens do lobo-guará que tinham sido capturadas há pouco. “Moradores do grupo que estavam fazendo caminhada pelo local gravaram e nos mandaram para advertir sobre a presença do animal”, conta. “Ele deveria estar buscando por comida e fugiu para o meio do mato, em seguida. Achei lindo, mas fiquei assustada”, completa.

Nas imagens, o lobo-guará anda pelas escadas da Escola FourC e, visivelmente amedrontado, foge ao ver um homem se aproximando. Neste momento, o animal quase é atropelado ao cruzar a via, mas, felizmente, consegue chegar à mata onde desaparece.

PERDA DE HABITAT

Inclusive, o atropelamento é uma das preocupações em relação à espécie, de acordo com zootecnista Luiz Pires, que explica que o animal avistado era mesmo um lobo-guará adulto, pertencente à flora selvagem brasileira, típica do cerrado e em extinção que, por conta da crescente perda de habitat, tem se aproximado do perímetro urbano.

“Nos últimos tempos, temos visto esse animal com mais frequência na nossa região. Mas, geralmente, atropelado nas rodovias que cortam Bauru. Isso tem nos preocupado muito, porque esse deslocamento pode ser, justamente, pela dificuldade em encontrar ambientes íntegros para sobreviver”, avalia.

Outro ponto de atenção que o especialista ressalta é quanto às doenças que estes animais silvestres podem adquirir caso tenham contato com cachorros domésticos, como sarna, por exemplo. “Por ser um animal em extinção, esse deslocamento nos preocupa ainda mais. Naquela área, ele pode ter vindo pela estrada à procura de frutas e pequenos roedores para se alimentar”, diz Luiz Pires.

RESGATE

De acordo com o zootecnista, ainda que selvagens, esses animais não apresentam nenhum tipo de perigo, a menos que sintam-se acuados e ameaçados.

“Pelo contrário, são bastante arredios, não chegam perto de humanos e, para estar ali, possivelmente estava perdido procurando alimento. Nessa situação, o melhor a se fazer é deixar ele seguir”, orienta.

Confira o vídeo encaminhado via WhatsApp:

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