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Cidade tem 'boom' na venda de bikes

Por conta da pandemia de Covid-19, muitos consumidores têm recorrido ao pedal; setor já enfrenta problemas de reposição

por Tisa Moraes

20/08/2020 - 05h00

Aceituno Jr.

Thiago Lelis notou um aumento de ciclistas nas trilhas que faz

Enquanto a maioria dos setores da economia amarga perdas financeiras em razão da pandemia da Covid-19, lojas de bicicletas e acessórios não estão dando conta de atender à enorme demanda que surgiu justamente neste período. Para driblar o sedentarismo, aliviar a mente ou buscar uma nova forma de deslocamento, muitos moradores de Bauru têm recorrido ao pedal como forma de driblar as dificuldades trazidas por estes tempos de distanciamento social. Nesta quarta (19), inclusive, foi o Dia Nacional do Ciclista.

De acordo com estabelecimentos ouvidos pelo JC, entre junho e julho, as vendas mais que dobraram na comparação com o mesmo período do ano passado. "Nesse pico, o setor teve um aumento de 118% nas vendas, mas a alta já vinha sendo observada desde maio", comenta Edenilson Rogério Veríssimo, proprietário de uma loja localizada nos Altos da Cidade.

O "boom" foi impulsionado pelas restrições impostas por decreto, como o fechamento de academias e clubes durante os primeiros meses de pandemia. Para o segmento, trata-se de uma alta que não deve ser momentânea, já que, mesmo com o início da flexibilização das atividades, muitas pessoas permanecem receosas em relação a aglomerações.

É um medo que também já tinha levado parte dos consumidores a recorrer à bicicleta como meio de transporte individual, que garante o distanciamento considerado seguro pelas autoridades sanitárias. "Com isso, tivemos uma alta significativa de vendas não apenas de bikes, mas também de componentes, como câmara de ar, além de itens como capacetes, roupas e luvas", acrescenta Veríssimo.

REPOSIÇÃO

A grande demanda fez com que bikes, peças e acessórios desaparecessem rapidamente das prateleiras, gerando uma corrida dos estabelecimentos para a reposição dos estoques. Porém, como as fábricas haviam suspendido suas produções por meses, os prazos, mesmo que dilatados, nem sempre são cumpridos pelos fornecedores.

"Acredito que esta escassez de produtos siga até o começo do ano que vem. Tem peças que nem em e-commerce o ciclista consegue achar. Como consequência, esta falta já está gerando elevação de preços", comenta Augusto Issao Sakashita, proprietário de uma loja que fica na Vila Seabra.

É uma mudança já sentida pelo policial militar Thiago Lelis, 32 anos, que pedala regularmente há mais de 15 anos. "Estou pesquisando preços para comprar uma melhor bike melhor, mas ainda estou avaliando se pego uma nova ou usada", comenta ele, que percebeu grande aumento de ciclistas nas trilhas que está acostumado a percorrer.

Entre os novatos, está o casal Brian Marques, 32, e Patrícia Britto, 28 anos, que começou a pedalar logo no início da pandemia como forma de fugir do sedentarismo. Como ficaram sem trabalhar, já que ele é DJ e ela, cerimonialista, compraram bikes para manter corpo e mente ativos.

"Ando, em média, três vezes por semana. No começo, fiz oito quilômetros e quase morri. Agora, já faço 40 quilômetros. Como pegamos gosto, já até trocamos as bicicletas por outras melhores", revela.

Pedal dentro de casa

Parte das vendas nas lojas especializadas foi impulsionada pela crescente demanda pelos denominados rolos, equipamentos que podem ser acoplados na roda traseira da bicicleta para permitir que os ciclistas treinem em casa. Como a bike fica suspensa, o treino é feito sem necessidade de deslocamento, assim como ocorre em uma bicicleta ergométrica.

"Vendemos muito deste equipamento, que já existia antes da pandemia, mas não era tão procurado como agora", acrescenta Augusto Issao Sakashita.

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