Bauru e grande região

 
Geral

Bauru é 'coberta' por fumaça

O fenômeno foi causado por várias ocorrências de fogo em mato na cidade e em toda a região

por Cinthia Milanez e Vinicius Bomfim

15/09/2020 - 05h00

Malavolta Jr.

A fumaça encobriu boa parte da cidade, como mostra a imagem feita na região do Jardim Godoy

Bauru amanheceu "coberta" de fumaça nesta segunda-feira (14). O cenário, provocado por vários focos de incêndio em áreas de mato e pelo tempo seco, poderá se repetir dentro dos próximos dias, já que não há previsão de chuva para esta semana (leia mais na página ao lado).

Responsável pelo Comando de Bombeiros do Interior 2 (CBI-2), com sede em Bauru, o coronel Victor de Freitas Carvalho afirma que este tipo de ocorrência se torna frequente quando o tempo está quente e seco, favorecendo a propagação do fogo.

Para se ter ideia, a mínima da umidade relativa do ar, ontem, chegou a 16%, às 15h10, colocando a cidade em estado de alerta. Já a temperatura máxima alcançou a casa dos 34,5 graus, às 15h40.

As equipes do Corpo de Bombeiros deram início ao combate às queimadas logo cedo, por volta das 6h, na quadra 8 da avenida Pinheiro Machado, no Nova Esperança. Às 12h, as três viaturas que atendem a cidade ainda estavam pelas ruas lutando contra outros focos de incêndio.

O primeiro deles, inclusive, levou cerca de duas horas e meia para ser contido. O local fica próximo a um posto de combustíveis, fazendo com que a corporação agisse rapidamente.

De acordo com Centro de Operações do Corpo de Bombeiros (Cobom), outros pontos do município, também registraram focos de incêndio, como alguns trechos da avenida Comendador José da Silva Martha, além dos bairros Santa Edwirges e Tangarás.

Na região, o cenário não mudou muito. Houve grandes queimadas em Iacanga e na Reserva Indígena de Avaí. Em Botucatu, o autor de um incêndio em um terreno foi identificado (leia mais na página 12).

A gravidade da situação levou o Corpo de Bombeiros a acionar o Plano Chamada, ou seja, convocar todo o efetivo, incluindo quem estava de folga ou no Setor Administrativo.

EM NÚMEROS

O coronel Victor Carvalho informa que, entre 1 de janeiro e 31 de setembro de 2019, a cidade havia registrado 792 ocorrências envolvendo fogo em mato, que devastaram uma área equivalente a 639,4 hectares.

No mesmo período deste ano, os casos subiram para 995, uma alta de 26%. Porém, os incêndios de 2020 destruíram 395,2 hectares, 38% a menos do que em 2019. "O maior tempo de estiagem provocou o aumento das ocorrências, mas ainda estudamos o motivo pelo qual a área atingida foi menor".

O comandante reforça que os incêndios colocam a vida das pessoas em risco, além de causarem problemas respiratórios.

Para denunciar fogo em mato, basta acionar os bombeiros pelo 193 ou fazer um boletim de ocorrência (BO) online.

Lei prevê multa somente em caso de reincidência

Em Bauru, atear fogo em mato é proibido, conforme preconiza o Código Ambiental do Município. O Decreto 13.134, datado de 2016, define os critérios para a aplicação de multas em casos de infrações ambientais provenientes de queimadas. 

Porém, de acordo com informações da assessoria de comunicação da prefeitura, em primeiro lugar, é preciso notificar os responsáveis, que só receberão autuação se houver reincidência.

Por isso, o número de multas é pequeno. Em 2019 inteiro, foram emitidas 66 notificações e apenas um auto de infração. Em 2020, o município aplicou 30 advertências e duas multas.

Os responsáveis pelas queimadas em terrenos de até 400 metros quadrados têm de pagar R$ 1,5 mil à prefeitura. Entre 400 e 1 mil metros quadrados, o valor sobe para R$ 3 mil.

De 1 mil a 5 mil metros quadrados, a multa chega a R$ 5 mil. Já para as áreas acima de 5 mil metros quadrados, a prefeitura soma R$ 1 mil a cada metro quadrado até atingir R$ 27 mil.

As queimadas em logradouros públicos, mesmo pequenas, implicam em um auto de infração equivalente a R$ 1,5 mil.

Veio do Pantanal?

Muitos bauruenses questionaram se a fumaça que "cobriu" a cidade, nesta segunda, era um reflexo das queimadas no Pantanal. Contudo, o meteorologista José Carlos Figueiredo, do IPMet, informa que não há esta relação, porque a intensidade dos ventos não permitiu que isso acontecesse.

Figueiredo reforça que, se o fenômeno se repetir, em Bauru, nesta terça-feira (15), será possível dizer que a fumaça saiu do entorno dos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. "Amanhã [hoje], os ventos estarão mais fortes", justifica.

O coronel Victor de Freitas Carvalho, do CBI-2, atribui o cenário local às diversas ocorrências envolvendo fogo em mato, em toda a região, de domingo (13) para cá.

Em tom de alerta, o comandante ainda complementa que a maioria das ocorrências atendidas pela corporação é provocada pela ação humana direta ou indireta. "Apesar de todos os nossos esforços, a população também precisa colaborar, evitando usar o fogo para limpar os terrenos", aconselha.

Ler matéria completa