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Pesquisador de Bauru descobre novo camarão em Pernambuco

Espécie é rara e seu nome presta homenagem ao compositor Chico Science

por Larissa Bastos

18/10/2020 - 05h00

Arquivo Pessoal

Nova espécie de camarão é colorida e mede 1 centímetro

Um pesquisador de Bauru descobriu um novo camarão no Litoral de Recife (PE). O estudo, que fez parte do pós-doutorado de Gabriel Lucas Bochini na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), durou três anos. O trabalho ainda indica que o animal é extremamente raro.

Gabriel é graduado em biologia pela Unesp de Bauru e fez mestrado e doutorado na mesma universidade, porém, em Botucatu, sob coordenação do professor doutor Rogério Caetano da Costa.

Ele, que se diz apaixonado por biologia marinha e por pesquisas, decidiu ingressar em um pós-doutorado na UFPE, sob orientação do professor Alexandre Oliveira de Almeida. A ideia inicial seria levantar quantos tipos de camarões existem no Litoral pernambucano. "Além disso, analisar a vida marinha comparando duas áreas: a da Praia de Suape, que é impactada pela presença de um porto próximo, e a Praia dos Carneiros, que é de preservação ambiental", explica o biólogo.

Para isso, foi desenvolvido uma espécie de atrator, que era deixado submerso nos dois locais durante três meses. Depois, eram retirados e o conteúdo analisado em laboratório. As coletas foram realizadas durante dois anos.

SURPRESA

Porém, os pesquisadores tiveram uma grata surpresa: encontraram um camarão novo, bem diferente dos já conhecidos: mede apenas um centímetro e é colorido, entre outras particularidades.

Conforme conta Bochini, o primeiro camarão foi encontrado em 1 de agosto de 2017. "Durante dois anos, analisamos a morfologia dele. Depois, escrevemos o artigo científico, enviado para a revista científica Journal of Crustacean Biology, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e publicado este ano", descreve. A espécie foi nomeada como Chicosciencea pernambucencis, em homenagem ao cantor e compositor pernambucano Chico Science.

Durante todo o trabalho, foram encontrados apenas sete indivíduos nas duas áreas estudadas. "Isso indica que trata-se de uma espécie extremamente rara. Inclusive, seu habitat foi bastante afetado pelo derramamento de petróleo que ocorreu na costa brasileira no ano passado", avalia o biólogo.

Bochini espera que a descoberta atraia investimentos para a ciência brasileira. Participaram da pesquisa Andressa Cunha, Mariana Terossi e Alexandre Almeida. Após a conclusão do pós-doutorado, Gabriel Bochini retornou a Bauru, onde atua como professor bolsista da Unesp.

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