Bauru e grande região

 
Geral

De avô para neto: amor pela medicina

Assaf Hadba passa legado de respeito e cuidado pela profissão a João Assaf; futuro do ofício também é discutido em família

por Larissa Bastos

18/10/2020 - 05h00

Malavolta Jr.

João Assaf Hadba 'assume o bastão' do avô Assaf Hadba, que o inspirou com sua trajetória

Neste domingo (18), celebra-se o Dia do Médico. Porém, antes mesmo da data ser escolhida para este fim, a história da família Hadba já havia começado na medicina. Há 53 anos, Assaf Hadba, de 88 anos, iniciava sua carreira. Sua trajetória alimentou no neto João Assaf Hadba admiração pela profissão. Conclusão: ele decidiu tornar-se médico também. Atualmente, juntos discutem o futuro do ofício e, principalmente, compartilham o lema de que a "medicina deve ser feita com amor".

Os primeiros passos de Assaf Hadba como cirurgião geral foram em 1959, em Pirajuí, onde atuou por mais de seis anos. Depois, se especializou em coloproctologia e trabalhou em Bauru até se aposentar, em 1992. Nesse meio tempo, realizou os mais variados tipos de operação, desde hemorroida até partos.

Ele se diz um "servo da medicina". Durante anos, foi vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e conta ter implementado o Exame do Cremesp, prova realizada de forma voluntária por recém-formados para avaliar a qualidade da formação dos cursos de medicina do Estado.

SONHO PESSOAL

Uma grande vontade do cirurgião era que algum de seus filhos escolhesse a medicina como profissão. Porém, isso só se concretizou com o neto João Assaf Hadba, de 34 anos, que carrega o mesmo nome e sobrenome do avô. "Dentre os 5 filhos, 11 netos e 6 bisnetos, eu sou o único médico. Então, ele passou o bastão para mim. Pulou uma geração e caiu na do neto", brinca.

João Assaf ainda conta que se formou em medicina em 2012. Depois, passou por importantes experiências em grandes hospitais do País, se especializou em cirurgia plástica e retornou para Bauru. "Claro que iniciar a carreira durante uma pandemia não é o melhor dos cenários, mas estou confiante de que vai dar tudo certo", assegura.

PRINCÍPIO

Além do nome e sobrenome, o avô e o neto compartilham do mesmo princípio profissional. "Medicina é amor. Você precisa amar o que você faz e amar seu paciente, que é um ser humano como você", frisa Assaf Hadba. O neto ainda complementa que "o médico de sucesso deve tratar as pessoas como se fossem da própria família".

TELEMEDICINA

O assunto mais discutido entre eles atualmente é a telemedicina. Ambos se preocupam com a forma como o recurso está sendo utilizado nesse momento de pandemia e, principalmente, como será no futuro.

Eles argumentam que ela não deve substituir o exame físico, mas pode ser usada de forma complementar à consulta presencial, como no caso de pessoas que tomam remédios controlados e precisam de receita.

"O grande elo da medicina é o relacionamento entre o médico e o paciente, que permite aquela vontade de se entregar ao doutor, dar a ele a posição de poder fazer tudo por aquele cidadão que o procurou", complementa o coloproctologista.

COMEMORAÇÃO

A contribuição da família se estende, inclusive, para a data que foi escolhida para ser comemorado o Dia do Médico no Brasil. "Na década de 1970, costumava me reunir com meus amigos médicos todo dia 18 de outubro, no Dia de São Lucas. Depois de alguns anos de celebrações, pedi para um colega meu encaminhar um projeto à Câmara para formalizar a data como Dia do Médico e aconteceu", relembra Assaf Hadba.

Ler matéria completa