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Um bambu, milhares de possibilidades

Ariosvaldo Cipriano é artesão e fabrica diversos itens a partir de pedaços da planta em Bauru

por Larissa Bastos

23/10/2020 - 05h00

Fotos: Aceituno Jr.

Ariosvaldo Cipriano, de 56 anos, fez cursos para aprofundar nas técnicas de artesanato com bambu

O bambu é uma das plantas mais versáteis que existem. Isso porque, a partir dele, podem ser criados muitos itens, como móveis, painéis, itens decorativos, cestos, entre outros. Pensando neste leque de possibilidades é que Ariosvaldo Cipriano, de 56 anos, se apaixonou pela "arte em bambu" e decidiu investir nisso para se desenvolver. Atualmente, é da venda desses artesanatos que ele garante sua renda mensal.

O primeiro contato do Ari com o artesanato em bambu foi aos 15 anos. Ele conta que aprendeu a trançar cestos com o professor Vardinho, em Duartina, município onde que foi criado. Porém, não desenvolveu interesse em se aprofundar nas técnicas na época, pois já trabalhava na área de construção civil. "Só que, em 2015, com a crise econômica, a demanda de trabalho caiu bastante. Paralelo a isso, descobri que existiam outras técnicas para tratar o bambu e que podia criar mais de 10 mil coisas a partir dele. É um universo infinito e por isso me apaixonei", explica.

Então, ele transformou em um ateliê a garagem da sua casa, localizada no Jardim Santa Edwirges. Lá, Ari armazena os pedaços de bambu que colhe e realiza as fabricações. A calçada da casa dele funciona como uma vitrine, onde muitas peças ficam expostas.

PANDEMIA

Após três anos se aperfeiçoando e divulgando produções próprias nas redes sociais, Cipriano afirma que não sentiu o impacto da pandemia. "Acho que tenho vendido até mais. Recebo muitas encomendas, principalmente de móveis. Uma vizinha trocou sofá, camas e cadeiras da casa dela por móveis de bambu", diz.

Ele relata, inclusive, que os móveis são os itens que mais gosta de fabricar. Geralmente, demandam dois dias de trabalho. "Apesar de ser trabalhoso, é o que preciso utilizar mais técnicas e posso usar tudo que aprendi. É meu diferencial", avalia Cipriano.

Por outro lado, ele classifica as peneiras como os itens mais difíceis de serem fabricados, porque é necessário utilizar diferentes materiais e vários tipos de tranças.

LUA MINGUANTE

Outro ponto que comprova a complexidade desse tipo de artesanato é a escolha do momento para colher o bambu. Cipriano explica que uma forma de tratar a planta é cortá-la durante o quarto de lua minguante, e deixá-la no broto por pelo menos uma semana. Dessa forma, evita-se a proliferação do inseto caruncho.

"Nesse período, a planta está dormindo. Ou seja, não está se alimentando. Quando você a corta e deixa ela no broto, ela continua realizando fotossíntese e consumindo o próprio alimento que tinha armazenado. Dessa forma, ela fica 'menos doce' e não atrai o inseto, que poderia contaminar o artesanato depois", detalha o artesão.

Para adquirir conhecimento sobre esse tipo de artesanato e como tratar o bambu, Cipriano fez cursos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Ele acabou se destacando e tornou-se auxiliar do professor Mário, que ministra as aulas do órgão.

"Poucos alunos vão até o final do curso porque, para sair das técnicas básicas, você precisa realmente gostar desse tipo de arte. Muitos abandonam", afirma. Ele já participou de pelo menos 16 cursos nos últimos três anos.

SERVIÇO

Para quem quiser conhecer o trabalho de Ari Cipriano, basta acessar seu perfil no Facebook (http://www.facebook.com/ariosvaldo.cipriano) ou contatá-lo pelo WhatsApp (14) 99673-1410. O ateliê fica na alameda Sparta, 7-46, no Jardim Santa Edwirges, em Bauru.

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