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Eleitor quer renovação, mas mantém perfil conservador, dizem especialistas

Analistas ressaltam que os candidatos escolhidos para o segundo turno, Suéllen (Patriota) e Raul (DEM), têm visões semelhantes

por Cinthia Milanez

17/11/2020 - 05h00

Malavolta Jr.

Mestre e doutor em Ciência Política Bruno Pasquarelli

Mesmo em busca de renovação, afinal, o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSDB) não foi escolhido para disputar o segundo turno, o eleitorado bauruense mantém o perfil conservador no poder, conforme avaliam dois especialistas consultados pelo JC sobre os resultados de domingo (15). Os candidatos que disputarão o Palácio das Cerejeiras, Suéllen Rosim (Patriota) e Raul Gonçalves Paula (DEM), têm visões semelhantes, segundo eles.

Mestre e doutor em Ciência Política, Bruno Pasquarelli avalia que o resultado não surpreendeu. "As últimas pesquisas já mostravam que a Suéllen estava se destacando como o segundo grande nome para a Prefeitura de Bauru. Porém, eu fiquei impressionado com o fato de a candidata ter assumido o primeiro lugar entre os mais votados", acrescenta.

De acordo com Pasquarelli, Raul possuía uma projeção de conseguir de 30% a 35% dos votos. "Ele manteve a sua base eleitoral, que tradicionalmente escolhe os candidatos de centro e direita", comenta.

Além disso, o cientista político compara o pleito municipal com as eleições que culminaram na vitória do presidente Jair Bolsonaro, também voltado para a ala conservadora. "O Bolsonaro conseguiu 73% dos votos na cidade, quase o mesmo número daqueles conquistados por Suéllen e Raul juntos", observa.

Já o historiador e professor da Unesp Maximiliano Martin Vicente também afirma que a ida de Suéllen ao segundo turno não surpreendeu. "Nós sabíamos que ela estava muito bem nas duas pesquisas que foram feitas, mas nem tanto a ponto de conquistar o primeiro lugar nas urnas", justifica.

Ainda segundo Vicente, a população desejava uma mudança no Executivo, mas se manteve alinhada à sua preferência ideológica. "Veja o percentual da votação que o Bolsonaro teve na cidade. De lá para cá, não houve uma mudança radical neste sentido", constata.

VEREADORES

Em relação à Câmara de Vereadores, Bruno Pasquarelli diz que já esperava de 40% a 50% de renovação, como, de fato, ocorreu. Dos 17 parlamentares da atual legislatura, nove foram reeleitos. "É uma taxa mediana, mas está de acordo com o que acontece no restante do País", frisa.

O cientista político também comenta o aumento de 12 para 13 partidos na nova composição do Poder Legislativo. "Eu acredito que o Executivo terá dificuldade na hora de negociar com cada legenda. Outro ponto negativo diz respeito à baixa representação feminina - apenas três mulheres foram eleitas", complementa. Para ele, apesar de o eleitorado querer mudança no Executivo, isso não ocorreu no Legislativo, marcado por apresentar poucas pautas ligadas ao campo progressista.

Maximiliano Martin Vicente, por sua vez, avalia que a maioria dos vereadores eleitos está alinhada a um grupo bastante conservador. "Por isso, eu creio que o novo prefeito, independente de quem seja, não terá grandes atritos com o Legislativo", finaliza.

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