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Imóvel abandonado volta a significar risco no Centro

Parte de estrutura do prédio da quadra 2 da Rodrigues desabou há quase 1 ano e chuvas podem resultar em queda

por Bruno Freitas

21/11/2020 - 05h00

Aceituno Jr

Edifício Estoril pode ter novo desabamento a qualquer momento

A sensação de quem se posiciona em frente ao Edifício Estoril e olha de baixo para cima é a de que partes dele irão desabar a qualquer momento novamente. A chuvarada e ventos fortes ocorridos em Bauru potencializam o perigo. Um comerciante vizinho faz o alerta: "Se não tomarem alguma atitude, ele vai cair".

O Edifício Estoril, situado no numeral 2-41 da avenida Rodrigues Alves, no Centro, tem sua fachada, de 1912, tombada. Parte dela caiu há quase um ano, no dia 17 de dezembro, durante chuva torrencial. Hoje existe um impasse entre a Associação Beneficente Portuguesa de Bauru, proprietária do imóvel, e a prefeitura. A entidade revelou ao JC o interesse de doá-lo para o Município. Já a atual gestão comunica que não quer absorver a propriedade. Enquanto ninguém quer o prédio, ele segue abandonado, escorado e ameaçando pedestres e veículos que transitam na via pública.

Antes de qualquer ação, seja de quem for, proprietário ou prefeitura, há exigência de submeter as alterações de análise do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac).

O lojista que chama a atenção é Laércio Greatti, 65 anos, que trabalha no imóvel ao lado há quatro décadas. Ele mantém contato com a Defesa Civil e a associação e destaca que a demolição se faz necessária. 

"São 10 anos de deterioração até chegar no que vocês estão vendo aqui hoje. É triste e desanimador porque essa região do Centro está abandonada", critica.

Segundo Júlio Natividade, novo coordenador da Defesa Civil, já houve o pedido para que a associação recolocasse, ao menos, e com urgência, os tapumes que caíram. Segundo ele, o vento forte que bate na parte que encontra-se aberta propicia risco de desabamento.

Em dezembro do ano passado, Clodoaldo Gazzetta e a secretária de Educação, Isabel Miziara, apresentaram projeto de complexo educativo-cultural a ser construído no Centro, na frente da Praça Machado de Mello, pelo valor de R$ 2,3 milhões, por meio de desapropriações. Mas esta área não compreende o terreno do Edifício Estoril, afirma a prefeitura. No entanto, sua continuidade depende do novo governo que será eleito em votação do segundo turno, no próximo domingo (29).

NINGUÉM QUER

Segundo o presidente da Associação Beneficente Portuguesa, Mauro Joaquim Monteiro, o Edifício Estoril está à disposição para a prefeitura obter a propriedade do imóvel. O que resultaria primeiramente num processo de destombamento e depois na possível demolição. Até que isso ocorra, Mauro explica ao JC que desde o ano passado as paredes e o teto estão reforçados. Ainda segundo ele, já foi feito contato com equipe especializada para fazer o emparedamento da parte da frente. "A definição, depois disso, creio, deve ficar para o próximo prefeito (a) eleito (a)", comenta.

A atual gestão municipal, que encerra o mandato em 31 de dezembro, comunica que não há interesse por parte da administração Clodoaldo Gazzetta no recebimento em doação do imóvel.

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