Bauru e grande região

 
Geral

Com impacto de dólar e seca, preços de alimentos aumentam

Carnes de aves, suínos e bovinos e produtos agrícolas estão mais caros

por Tisa Moraes

20/11/2020 - 05h00

Samantha Ciuffa/JC Imagens

Carlos Sette analisa o cenário

O Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Associação Paulista de Supermercados e Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Apas/Fipe), registrou inflação de 2,3% no mês de outubro. Entre os principais motivos para este cenário atual, está o dólar alto e a seca prolongada neste ano.

A alta do dólar vem impactando diretamente em produtos como a carne, devido, entre outras razões, ao valor da ração dos animais, que representa entre 70% e 80% do custo de produção dos animais. "O valor do milho, um dos principais insumos da ração, atingiu sua maior cotação de 2020 nos últimos dois meses. Isso faz com que os pecuaristas ajustem os preços para conter a perda de margem, impactando, por fim, o consumidor", destaca o presidente da Apas, Ronaldo dos Santos.

Em outubro, a carne de aves subiu 9,16% - a segunda maior variação mensal para a proteína, perdendo apenas para 2018, durante a greve dos caminhoneiros, quando chegou a 21%. Já para os suínos, o índice foi de 8,44%. Ambas as categorias devem refletir em alta de preços nos cortes sazonais, como tender e peru, para o final de ano.

"O produtor de carne está exportando em dólar a R$ 5,25. Para manter este produto no mercado interno, só compensa se ele vender pelo mesmo preço. Então, o consumidor brasileiro vai pagar mais caro", pontua o economista Carlos Roberto Sette.

O impacto pode ser conferido também na proteína bovina, que teve acréscimo de 5,38%. Entre os cortes que registraram inflações, estão a picanha (11,16%), patinho (8,67%) e contrafilé (7,16%). O atual índice de preços acumulado do ano é de 10,78% - o maior registrado no período foi em 2015, com 11,33% - e a projeção da Apas é que não deve haver deflação nos próximos dois meses de 2020.

"Neste ano, os trabalhadores tiveram, na média, 3% de aumento nos salários, um índice que não acompanhou a alta dos preços dos produtos. Considerando também aqueles que ficaram desempregados e sem renda devido à pandemia, a expectativa é de que o Natal do brasileiro seja, neste ano, bem mais modesto", analisa o economista.

HORTIFRÚTI

Já os produtos in natura tiveram aumento de 5,73% em outubro. As frutas registraram 6,02%, os legumes, 9,86% e os tubérculos, 7,79%. Entre os produtos, os maiores aumentos vieram da berinjela (33,34%), vagem (29,2%), batata (22,57%), mamão (18,91%) e tomate (16,40%). Os motivos envolvem fatores climáticos.

"Na época do plantio, fez seca demais e, na hora da colheita, choveu demais. Estes extremos comprometeram tanto a quantidade quanto a qualidade do produto colhido, o que gera alta nos preços de produtos agrícolas", detalha Sette. Na lista dos produtos que registraram queda nos preços estão o leite (-0,91%), cebola (-7,38%), abóbora (-4%) e mandioquinha (-3,14%).

O economista também aponta que a falta de embalagens plásticas e de papelão devem contribuir para manter os preços inflacionados. "Em novembro, faltou matéria-prima para os fabricantes destas embalagens no Brasil, o que também eleva custos, que terão de ser repassados para o consumidor", observa.

Ler matéria completa