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Pandemia afeta ainda mais os cegos, que dependem do toque para 'ver'

Deficientes visuais enfrentam rotina de restrições, uma vez que, ao tocar superfícies, ficam mais expostos ao coronavírus

por Larissa Bastos

13/01/2021 - 05h00

Internet/Reprodução

Sem poder contar com a visão, o principal recurso dos deficientes visuais para se localizarem e "rastrearem" o ambiente ao redor é o toque. Porém, em tempos de coronavírus, isso faz com que eles estejam mais expostos ao contágio pela doença, considerando que a recomendação dos órgãos de saúde é evitar o contato com superfícies que podem conter gotículas do vírus. Diante disso, essas pessoas acabam encontrando ainda mais limitações e privações em sua rotina.

O professor de informática e deficiente visual Jorge Herrera, de 54 anos, que mora com a esposa, também deficiente visual, conta que uma alternativa para realizar atividades básicas do dia a dia, como ir ao banco e ao mercado, foi fazer tudo em uma "única viagem" e recorrer a corridas por aplicativo. "Como não podemos deixar de tocar corrimãos e paredes quando saímos, acumulamos os compromissos para resolvermos tudo em um só dia, de uma vez", relata.

Por outro lado, o casal não abriu mão de ir na feira livre semanalmente, considerando que são produtos perecíveis e podem ser armazenados apenas por poucos dias.

ROTINA MAIS CANSATIVA

Após tantos meses em isolamento, Jorge relata que a falta de momentos de lazer faz com que a rotina em casa seja ainda mais cansativa. "Continuo trabalhando, mas sinto falta das pessoas, conversar com amigos, visitá-los ou recebê-los", pondera.

Além disso, ele é professor de informática no Lar Escola Santa Luzia para Cegos, em Bauru, e afirma que, desde a suspensão das aulas presenciais no local, foi necessário um período de adaptação para que pudesse continuar ensinando. Por ora, os alunos recebem as lições do curso por ligação telefônica.

MUDANÇAS

A pandemia mudou a rotina desta mesma instituição em que Jorge trabalha. A presidente do Lar Escola, Nilce Regina Capasso Canavesi, de 63 anos, afirma que as aulas presenciais continuam suspensas, porque a maioria dos 70 alunos integra o grupo de risco. "São idosos, renais crônicos, diabéticos, cardíacos e, para piorar, também são pobres. Nós, infelizmente, perdemos duas alunas para o coronavírus", lamenta. "Ficamos tristes, porque sentimos muita falta de estar com eles, mas voltar ainda é muito perigoso".

A presidente ainda lembra que foi a primeira vez, desde a fundação do Lar Escola, há 51 anos, que o Dia Nacional do Cego, celebrado em 13 de dezembro do ano passado, não foi comemorado.

Lar Escola arrecada doações

Nilce Canavesi explica que, mesmo com as aulas suspensas, o Lar Escola Santa Luzia para Cegos continua atuando para arrecadar cestas básicas e outros itens aos alunos de baixa renda. As doações podem ser feitas na rua Gérson França, 11-61, Altos Cidade. O telefone da unidade é 3223-1754. Ou, então, na avenida Castelo Branco, 24-09, Vila Ipiranga. Mais informações pelo (14) 3236-1977.

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