Bauru e grande região

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Com 44 pacientes na fila, município e Estado discutem abrir mais leitos

Prefeitura afirma que DRS-6 garantiu mais 20 vagas no HE, mas ainda sem prazo; Saúde estadual fala em diálogo e análises

por Cinthia Milanez

13/01/2021 - 05h00

Prefeitura de Bauru/Divulgação

Suéllen Rosim, Vanusa Margarida Facchin, Doroti Vieira Alves Ferreira, Alana Trabulsi Burgo, Ezequiel Santos e Orlando Costa Dias se reuniram nesta terça-feira (12) para discutir a questão

A demanda reprimida e a diminuição de vagas de outras especialidades por conta da pandemia são apontadas como os principais motivos para uma preocupante fila de espera por internação de 44 pacientes, em Bauru, incluindo sete com sintomas de Covid-19 e o restante ligado a áreas como clínica médica e ortopedia (dados atualizados até as 18h desta terça-feira, 12). Em vista disso, a prefeitura discutiu, em uma reunião na manhã de ontem, a ampliação do número de vagas - principalmente, de UTIs - com o Departamento Regional de Saúde do Estado de São Paulo (DRS-6). Segundo o município, o órgão garantiu mais 20 leitos de enfermaria para a Covid-19 no Hospital Estadual (HE). O Estado, por sua vez, não crava o aumento de vagas.

Titular da Secretaria Municipal de Saúde, Orlando Costa Dias considera a quantidade de pessoas aguardando internação elevada. "Inclusive, no último final de semana, eu fui até o Pronto-Socorro Central (PSC) e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), momento em que constatei que a situação está preocupante", comenta.

Segundo o médico, houve um represamento muito grande no auge da pandemia e, agora, as chamadas doenças sazonais também começaram a se manifestar. "Nós perdemos leitos ao longo do tempo e a preocupação se voltou somente à Covid-19. Porém, nunca deixamos de ter casos de AVC, fratura, pneumonia e problemas de circulação. Enfim, uma gama enorme de situações não é contemplada. O governo estadual precisa saber que a cidade cresceu e se tornou referência para toda a região".

Por isso, o secretário e a prefeita Suéllen Rosim participaram de uma reunião com a diretora da DRS-6, Doroti Vieira Alves Ferreira, além da técnica da instituição, Vanusa Margarida Facchin. O encontro também contou com o diretor da Divisão de Vigilância Epidemiológica, Ezequiel Santos, bem como a médica Alana Trabulsi Burgo, diretora substituta do Departamento de Urgência e Unidades de Pronto Atendimento.

Ainda de acordo com Orlando Dias, o município pensou no Instituto Lauro de Souza Lima para atender aos pacientes clínicos, ou melhor, àqueles que não necessitam de cirurgia. "Na reunião, o Estado também confirmou a criação de mais 20 leitos de enfermaria para a Covid-19 no Estadual, mas não estabeleceu um prazo para tanto", revela.

Em nota, a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo não confirma nem descarta tal informação, ao dizer apenas que "dialoga com os gestores regionais, além de fazer análises técnicas para a definição das estratégias assistenciais, incluindo a ativação de leitos conforme a necessidade e capacidade da rede".

A pasta informa, ainda, que "qualquer medida definida é articulada com os municípios da região e comunicada à população". O órgão reforça que a região de Bauru possui diversos serviços de referência, como os hospitais Estadual e de Base, para atender à demanda local, além do suporte da Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde (Cross). Online por 24 horas, o sistema verifica vagas disponíveis em hospitais públicos paulistas para eventuais transferências.

Lista tem paciente há 8 dias esperando por vaga

Diretora substituta do Departamento de Urgência e Unidades de Pronto Atendimento, órgão vinculado à Saúde municipal, Alana Trabulsi Burgo alerta que o tempo de espera por internação chama a atenção. Ontem à noite, por exemplo, havia um paciente aguardando oito dias por uma vaga. "O Estadual passou a receber apenas as pessoas com sintomas de Covid-19 e as outras especialidades ficaram à cargo do Base, reduzindo o número de leitos disponíveis".

De acordo com ela, a demanda pelos serviços de urgência e emergência, em Bauru, dobrou na última semana. A UPA do Bela Vista, que sempre foi a mais movimentada da cidade, passou a atender 500 pessoas por dia, sendo a maioria com sintomas de Covid-19. Antes, a quantidade de pacientes diários do local girava em torno de 250.

Segundo a diretora, nem todo mundo é testado para a doença imediatamente ao ir até as unidades. "Nós seguimos o protocolo do Ministério da Saúde, que recomenda a realização do RT-PCR quando os pacientes estão entre o terceiro e o sétimo dia de, ao menos, dois sintomas".

Por isso, Alana Burgo recomenda que as pessoas acionem o Samu - através da opção 2 do 192 - para obter informações antes de ir até as unidades. O órgão orientará se elas devem ficar atentas em casa ou procurar pelas UBSs sentinelas da Covid-19: Redentor, Falcão e Mary Dota. Somente se houver sintomas mais graves, como falta de ar e febre persistente, os pacientes precisam ir até as UPAs.

 

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