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Saúde municipal em alerta: Bauru pode perder radioterapia pelo SUS

Secretário de Saúde diz ter sido informado sobre o fim do convênio do Estado com o instituto que presta o serviço na cidade

por Cinthia Milanez

13/01/2021 - 05h00

Divulgação

Por meio de um convênio com o Estado, o Naic atende pacientes de Bauru e outras 67 cidades da região pelo SUS

Imprescindível para o combate ao câncer, segunda doença que mais mata no Brasil, a radioterapia pode acabar extinta para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em Bauru. O titular da Secretaria Municipal de Saúde, Orlando Costa Dias, revela ter sido informado sobre o fim do convênio do Estado com o Nair Antunes Instituto do Câncer (Naic), único responsável pela prestação deste tipo de serviço na rede pública da cidade. Em breve, segundo o secretário, os pacientes terão de se deslocar até o Hospital Amaral Carvalho, em Jaú.

Diante desse horizonte preocupante, a Prefeitura de Bauru adianta que pretende mobilizar os outros 67 municípios do entorno, que fazem o tratamento na mesma instituição, para tentar reverter a situação. Em nota, o governo estadual alega que a assistência está garantida na região (leia mais abaixo).

Ainda de acordo com Orlando Costa Dias, o anúncio foi feito pela diretora do Departamento Regional de Saúde (DRS-6), Doroti Vieira Alves Ferreira, em uma reunião na manhã desta terça-feira (12). "É um absurdo um paciente com câncer ir para outra cidade para fazer a radioterapia e, depois, retornar a Bauru", comenta.

O secretário informa que a prefeita Suéllen Rosim tentará mobilizar os políticos da cidade e dos demais municípios da região contra esta decisão, que, segundo ele, foi tomada com o objetivo de cortar gastos.

O Naic, por sua vez, confirma a informação dada pelo secretário. Segundo o órgão, o convênio com o Estado existia desde março de 2016. De lá para cá, mais de 2,5 mil pacientes receberam o tratamento pelo SUS neste local. Antes, o serviço era prestado pelo Hospital Manoel de Abreu, mas acabou extinto, porque a unidade possuía uma tecnologia considerada ultrapassada.

Conforme informações do Naic, os pacientes serão assistidos só até o dia 25 de fevereiro deste ano e, depois, encaminhados ao Amaral Carvalho. 

OUTRO LADO

Em nota, a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo fala apenas no tempo presente, sem dar detalhes do que ocorrerá no próximo mês. A pasta informa que a radioterapia segue normalmente na região de Bauru e a assistência aos pacientes está garantida.

Ainda de acordo com a nota, o convênio se mantém vigente e há outros serviços de referência na região, como o Hospital Amaral Carvalho, em Jaú.

Instituto aponta que fila de espera atualmente já é de quatro meses

Ainda de acordo com o Naic, poucos locais disponibilizam o serviço de radioterapia pelo SUS em todo o Pais e, por isso, há fila de espera. No caso de Bauru, segundo o instituto, o tempo em que os pacientes aguardam o tratamento gira em torno de quatro meses.

Para o órgão, com a interrupção do contrato, as pessoas serão transferidas para filas de espera ainda maiores, fato que poderia prejudicar o resultado do tratamento.

O Naic atende, em média, 40 pacientes do SUS por dia, mas o ideal seria que o Estado aumentasse a cota para 70, quase o dobro deste número, conforme argumenta a instituição.

O instituto também teria sido informado de que estes pacientes iriam para Jaú, mas com uma cota menor ainda: apenas 20 pessoas fariam o tratamento por dia. O governo estadual, contudo, não confirmou esta informação.

Acelerador linear

Em 2012, o Hospital Estadual (HE) chegou a ganhar um acelerador linear, mesmo equipamento utilizado pelo Naic para fazer a radioterapia nos seus pacientes, do Ministério da Saúde, mas o aparelho está guardado até agora. Conforme o JC noticiou, o uso do acelerador depende da construção de um local específico para funcionar com a proteção da radiação. Contudo, as obras estão paralisadas, segundo a assessoria de comunicação da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), que administra a unidade de saúde. Não há previsão para retomá-las.

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