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Solidão e medo causados pela Covid são as principais demandas do CVV

Em tempos de pandemia, o Centro de Valorização da Vida de Bauru oferece apoio emocional, mas precisa de mais voluntários

por Samantha Ciuffa

23/01/2021 - 05h00

Engin Akyurt/Unsplash

Isolamento social intensifica problemas emocionais

A solidão intensificada pelo isolamento e o medo do desconhecido permeiam grande parte das atribulações que chegam ao Centro de Valorização da Vida (CVV) de Bauru, desde que a pandemia da Covid-19 teve início. A constatação é de José Carlos dos Santos, 66 anos, porta-voz do órgão, cuja missão é garantir apoio emocional e prevenir o suicídio. "O que estamos passando trouxe uma ressignificação da vida e isso causou muita dor. As pessoas são as mesmas, mas os problemas estão intensificados", garante.

Os impactos emocionais decorrentes das mudanças bruscas no cotidiano provocadas pelo novo contexto ressaltou a necessidade do CVV de contar com novos voluntários. O órgão, mantido pelo Grupo Amigos em Prontidão que completa 39 anos no próximo domingo (24), promoverá um curso para interessados em acolher, por meio de ligações telefônicas, aqueles que estão em sofrimento (leia mais abaixo).

De acordo com Santos, os sentimentos de tristeza, medo, solidão, insegurança e angústia são as principais queixas recebidas nos últimos tempos. "O medo foi um fator bastante relevante. Contrair o vírus e ser assintomático, assim como visitar os pais e contaminá-los são exemplos disso. O luto também fez parte e, no geral, é um cenário de muita dor", narra.

ATENDIMENTO

As ligações são feitas por parte de pessoas dos mais variados perfis, de jovens a idosos. "O sofrimento não vê classe social, idade, cor, sexo, nem religião", declara o porta-voz. Apesar de ter tido um caráter regional, desde 2017 o sistema do CVV é unificado: as demandas podem chegar qualquer lugar do Brasil por meio do número 188.

José Carlos dos Santos reforça que o trabalho não é oferecer soluções, além de não dispensar o atendimento médico e psicológico. "Quando alguém desabafa, sem ninguém para dizer que é para fazer isso ou aquilo ou que você está certo ou errado, a adrenalina diminui e fica mais fácil de conseguir enxergar outras formas de enfrentar os problemas", afirma.

SERVIÇO

O CVV pode ser acionado por qualquer pessoa em situação de sofrimento pelo número 188. Outras informações sobre o serviço em Bauru podem ser obtidas pelo (14) 99192-0415.

'Aqui, o nosso trabalho não é fazer julgamentos e críticas, mas acolher'

Diante do contexto atual, o CVV precisa de mais voluntários. Para tanto, o curso preparatório está previsto para a segunda quinzena de março e será online. "Os interessados precisam ser maior de idade, ter disponibilidade de tempo, de calor humano e de aprendizado", explica o porta-voz do órgão, José Carlos dos Santos.

Segundo ele, a maior dificuldade é derrubar alguns paradigmas da comunicação. "A gente já nasce dando palpites e conselhos. É comum a ideia de que sabemos de tudo e que nossa experiência vale para todos. É preciso quebrar esse paradigma, pois nosso trabalho não é fazer julgamentos e críticas, mas sim acolher", diz.

Os treinamentos serão aplicados por voluntários mais experientes e têm duração de, aproximadamente, 10 semanas. A preparação para esse tipo de atendimento passa por aulas teóricas e práticas.

Todas as informações do curso estarão no Instagram (@gap_cvvbauru) e Facebook (cvvbauru) da entidade.

Nova sede

Conforme publicado pelo JC, a entidade tenta levantar recursos para a construção de uma sede própria, que ficará em um terreno doado pela prefeitura, na Vila Nipônica.

A ideia é que, no local, também passe a funcionar o Grupo de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio (Gass), assim como possa garantir espaço à formação de voluntários e ao Cine Ser, projeto de apresentação de filmes com diversas temáticas.

Para tanto, o CVV criou uma "vakinha" online, cuja meta é angariar R$350.000,00. O link para quem quiser ajudar é http://vaka.me/1393378. 

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