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Laqueaduras dobram entre 2019 e 2020, mas vasectomias caem 46%

Procedimentos são oferecidos de forma gratuita pelo Programa de Planejamento Familiar, da Secretaria Municipal de Saúde

21/01/2021 - 05h00

Um dos métodos é a inserção do implante subcutâneo de etonogestrel, que não tem sua eficácia comprometida mesmo que a paciente esteja sob tratamento para HIV ou sob uso de substâncias psicoativas

Em um 2020 atípico por conta da pandemia da Covid-19, dobrou a quantidade de laqueaduras realizadas pela Prefeitura de Bauru, por meio do Programa de Planejamento Familiar. Segundo informações da Secretaria Municipal da Saúde, foram 113 procedimentos de esterilização em mulheres no ano passado, contra 56 em 2019. Já a vasectomia, processo padrão de esterilização do homem, caiu 46%. No ano passado, foram 232 cirurgias e, em 2019, 432.

De acordo com a legislação vigente, podem passar por cirurgias de esterilização somente aqueles com mais de 25 anos ou com, pelo menos, dois filhos vivos. Se atenderem aos critérios, os interessados podem procurar a Unidade de Saúde Básica (UBS) ou a Unidade de Saúde da Família (USF) mais próximas para dar entrada ao procedimento.

Para a laqueadura, as interessadas devem ser atendidas por um ginecologista, especialista na saúde da mulher, que vai solicitar os exames necessários, como papanicolau, ultrassom, hemograma, urina tipo 1 e cultura de secreção vaginal.

Em casos de vasectomia, o paciente deve agendar uma consulta com um clínico geral, mas não há necessidade de exames, com exceção daqueles homens que apresentem algum tipo de comorbidade.

Após o atendimento, o paciente que receber o aval médico será encaminhado para avaliação de uma equipe multidisciplinar do programa, que inclui médico ginecologista, enfermeiro, psicólogo e assistente social. São oferecidas, em média, 48 vagas mensais para novas avaliações e 48 para retornos.

EM ANDAMENTO

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, atualmente, 23 homens estão com o processo em andamento para realizar a vasectomia. Já em relação à laqueadura, não existe demanda reprimida, porém, 95 mulheres estão com o cadastro desatualizado e, para regularizar, devem procurar a Casa da Mulher (avenida Nações Unidas, 27-28) para dar continuidade no processo. Mais informações pelo telefone (14) 3104-1468.

Além destes procedimentos, o Planejamento Familiar também realiza a inserção de Dispositivo Intra Uterino (DIU). Para ele, são ofertadas uma média de 12 vagas mensais a casos novos e 20 vagas de retorno para acompanhamento.

Há, ainda, um novo programa que começou a atender no final do ano passado de inserção gratuita de contraceptivos reversíveis de longa duração (leia mais abaixo).

Programa disponibiliza contraceptivos de longa duração

Fotos: Divulgação

Pamela Leticia Dias, Natalia Caroline Batista de Oliveira e Naiara Silva Domingos foram as primeiras contempladas no programa

Em dezembro de 2020, a Secretaria Municipal de Saúde formalizou o Programa de Inserção Gratuita de Contraceptivos Reversíveis de longa duração, destinados exclusivamente às adolescentes com idades entre 14 e 18 anos, 11 meses e 29 dias, e para mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Nas adolescentes, o método oferecido é o Sistema Intrauterino com Levonorgestrel. Já para as mulheres, é realizada a inserção do implante subcutâneo de etonogestrel, que não tem sua eficácia comprometida mesmo que a paciente esteja sob tratamento para HIV ou sob uso de substâncias psicoativas.

Para ter acesso ao programa, as mulheres devem ser moradoras de Bauru, além de estarem cadastradas e em acompanhamento médico em uma das UBSs, incluindo as unidades de saúde especializadas, como o Centro de Referência em Moléstias Infecciosas (CRMI), Centro de Apoio Psicossocial Álcool e Drogas (Caps), e a Equipe do Consultório na Rua.

CONTEMPLADAS

Assim que foi lançado, três mulheres receberam o contraceptivo. Umas delas foi Pamela Leticia Dias, de 27 anos. "Eu tive três filhos tomando injeção. Tomo remédio para epilepsia e o médico falou que este não corta o efeito. Então, é melhor porque assim eu não engravido mais".

Outra contemplada, Natalia Caroline Batista de Oliveira, de 21 anos, também comentou que o programa é inovador e vai ajudar muitas mulheres. "Vai ser ótimo, porque já tenho um filho de 4 anos e estou desempregada. Então, não é o momento de engravidar agora", relatou.

ENCAMINHAMENTO

O fluxo para o encaminhamento das mulheres para o programa será estabelecido pelo médico ginecologista coordenador da Casa da Mulher, unidade responsável pela inserção dos dois métodos contraceptivos, reversíveis e de longa duração. Outras orientações podem ser obtidas por meio da Ouvidoria da Saúde, pelo telefone (14) 3104-1452.

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