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Morre o pediatra Clovis Celulare

Partida do médico, que tinha 74 anos, gerou comoção em Bauru, já que várias gerações receberam seus cuidados

21/01/2021 - 10h06 atualizado às 06h35

Reprodução

Médico dr. Clovis Celulare

O pediatra Clovis Celulare morreu, na madrugada desta quinta-feira (21), em um hospital particular de Bauru, por conta de complicações da Covid-19. Muito querido e respeitado na cidade, sua partida, aos 74 anos, provocou consternação, já que várias gerações de uma mesma família receberam seus cuidados.

Muitos colegas de profissão também demonstraram tristeza em redes sociais por conta da morte de Clovis, que trabalhou no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP por 32 anos e em clínica particular, onde atendeu até o final de 2020.

Considerado um médico tradicional, também era muito atualizado, sendo referência pela experiência clínica e pelo conhecimento adquirido, ressalta o presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Marcos Cabello. “Era um profissional muito querido do grupo médico, dos pacientes e acolhia todos os profissionais mais jovens. Era muito atuante na APM”, destaca Cabello.

Outros médicos da cidade deixavam aos cuidados dele os próprios filhos e netos, como é o caso do otorrinolaringologista Helder Fernandes de Aguiar. “Ele tinha 74 anos e ainda participava de escalas de plantão, dormia no Centrinho, não deixava de ir ao consultório. Até o último dia, antes dos sintomas se manifestarem, ele trabalhou como pediatra”, comenta Helder.

“Era uma pessoa ímpar, nunca deixou pacientes sem atendimento, entendia as angústias das mães. Ele sempre teve essa sensibilidade. Em determinados momentos, só de vê-lo, as mães já se acalmavam, ficavam aliviadas”, completa.

Além da parceria na profissão, Helder era amigo pessoal de Clovis, desde 1987, já que trabalharam juntos em clínica médica e no Centrinho. “Era uma pessoa mais introvertida, mais reservada. Posso dizer que tive o privilégio de ser amigo dele. Foi um amigo cordial, companheiro que deixa muita saudade”, salienta.

O médico ressalta, ainda, o quanto os olhos de Clovis brilhavam ao falar da família, que deixa agora: a esposa Gilssara e os filhos Deborah, Nathalia e Pedro, além de três netos.

‘CUIDAVA DE TODOS’

André Moron era fisioterapeuta, amigo e paciente de Clovis. “Ele me tratou de uma pneumonia, recebeu minha sobrinha, cuidou da minha irmã no pós-parto. Quando a minha mãe faleceu, ele foi uma pessoa muita prestativa, dando aquela força, espiritualidade. Ele não era só um pediatra, era alguém que cuidava de todos, da cabeça aos pés”, destaca.

Na manhã desta quinta-feira (21), houve uma despedida rápida apenas para os mais próximos e, na sequência, seu corpo foi sepultado, no Cemitério Parque Jardim dos Lírios.

“O enterro precisou ser com poucas pessoas. Depois da oração, uma pessoa pediu a palavra e falou: ‘ninguém me conhece aqui, mas precisei estar presente, a pedido da minha filha. Foi o doutor Clovis quem a salvou, precisava me despedir pessoalmente dele’. Acho que não existe um legado maior do que este para um médico”, conclui André.

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