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Empresários protestam contra ICMS de veículos: 'É impossível trabalhar'

Donos de lojas de vendas de automóveis fizeram carreata por várias vias de Bauru pela revogação do aumento do imposto

por Ana Beatriz Garcia

22/01/2021 - 05h00

Ana Beatriz Garcia

Com "buzinaço" e frases de protesto, cerca de 100 veículos, de acordo com a organização, passaram pelas principais avenidas da cidade em manifestação

"O aumento é abusivo. É surreal o que está sendo cobrado". A indignação do lojista Uelton Menezes, de 43 anos, é compartilhada por, ao menos, 15 mil lojistas de comercialização de automóveis em todo o Estado de São Paulo. Ele, que é proprietário de uma revendedora de carros usados, há 30 anos, em Bauru, foi um dos participantes da carreata que percorreu as ruas da cidade, na manhã desta quinta-feira (21), em protesto contra o aumento no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para a compra e venda de veículos novos, seminovos e usados.

A concentração do ato, que foi acompanhado pela PM, começou às 7h, em frente à Havan, na quadra 9 da rua Nicolau Assis, no Jardim Panorama. Segundo a organização, cerca de 100 veículos seguiram em "buzinaço" pela avenida Nações Unidas até a altura da rua Coronel Alves Seabra. De lá, passaram também por avenidas como Rodrigues Alves e Duque de Caxias, finalizando na Getúlio Vargas, junto a um carro de som que acompanhou todo o evento.

Protestos com o mesmo objetivo também foram realizados em diversas outras cidades paulistas.

REAJUSTES

O reajuste que causou as manifestações está previsto no Pacote de Ajuste Fiscal, proposto pelo governo do Estado, que passou a vigorar na última sexta-feira (15). Com a mudança, a alíquota para carros usados passa de 1,8% para 5,3%, um aumento de 207%. Já para automóveis zero quilômetro, o imposto vai de 12% a para 13,3%, acréscimo de 2,5%.

"Isso nos impacta demais porque temos funcionários, despesas com Lava Car, todo o preparo do carro para poder vendê-lo. Temos que dar as garantias no pós-venda e, ainda, outros impostos para pagar. Ou seja, com essa taxação, os 10% de lucro bruto que tínhamos está caindo para algo em torno de 4,1%", afirma o revendedor Uelton Menezes. "Se continuar assim, é impossível trabalhar. Teremos que reduzir despesas de alguma forma e isso conta com a demissão de funcionários e corte de serviços", salienta.

BAIXA E CORTES

Conforme o JC publicou nesta quarta-feira (20), o aumento na taxa do ICMS implica, de acordo com os lojistas, em uma queda ainda maior na arrecadação do setor, considerando que a venda de veículos sofreu uma redução de 30% durante a pandemia, na comparação com 2019.

"Este aumento é abusivo e ainda mais em um momento em que a economia está debilitada. Financeiramente, não vai fechar a conta de quem trabalha com os usados e seminovos. Para quem trabalha com os novos e na compra com isenção (PCD), também houve muitas alterações e, com certeza, as 15 mil lojas do Estado de São Paulo terão de fazer cortes importantes. Mais de 300 mil empregos estão em jogo", afirma o vice-presidente da Associação Brasileira de Concessionários Hyundai (Abrahy), Danilo Chahim. "Caso o cenário não seja revisto, será muito desafiador para quem trabalha no setor", finaliza.

O governo de São Paulo tem alegado que precisou fazer o ajuste fiscal para cobrir o rombo deixado pela crise do coronavírus.

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