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Escolas municipais retornam a partir do dia 22, mas prefeitura pode recuar

Das 66 unidades de ensino infantil, só 35 foram vistoriadas; deste montante, apenas 40% independem de qualquer ajuste

por Cinthia Milanez

23/01/2021 - 05h00

Cinthia Milanez

Gustavo Bugalho, Maria Kobayashi, Suéllen Rosim e Orlando Costa Dias em coletiva nesta sexta

Em um clima tenso, marcado por cobranças por parte das entidades representativas dos professores quanto à volta às aulas mesmo em meio à fase vermelha do Plano São Paulo, a Prefeitura de Bauru anunciou, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (22), que a retomada das atividades presenciais nas escolas municipais para crianças acima de 2 anos ocorrerá a partir do dia 22 de fevereiro. Porém, o poder público não descarta a possibilidade de recuar, caso não haja condições - inclusive, epidemiológicas. O município também começou a vistoriar as unidades e, das 66 escolas de ensino infantil, só 35 já passaram por fiscalização. Deste montante, apenas 40% independem de qualquer tipo de ajuste.

Além da prefeita Suéllen Rosim, participaram da coletiva os secretários Gustavo Bugalho (Negócios Jurídicos), Maria Kobayashi (Educação) e Orlando Costa Dias (Saúde). Na ocasião, a chefe do Executivo municipal reforçou os seus principais motivos para publicar o decreto, na última quinta-feira (21), com a regulamentação para a volta às aulas presenciais. "A pandemia continua entre nós e, como já sabemos sobre os cuidados necessários para nos prevenir, a nossa vida precisa voltar ao normal", argumenta.

A prefeita também levou em consideração o desempenho dos alunos. "Nós precisamos que as crianças voltem, pelo menos, a ser inseridas, aos poucos, no ambiente escolar para que elas se lembrem de que precisam da educação", defende.

Entretanto, Suéllen reforça que nem todas as escolas terão condições de retomar a partir do próximo dia 22. Das 35 unidades vistoriadas, apenas 40% estão aptas e 30% precisam de pequenos ajustes, que serão feitos até o início do ano letivo. Outras 30% deverão levar um tempo maior para abrir as portas. "Nós trabalhamos para conseguir acertar tudo em tempo recorde", garante.

No meio da coletiva, a prefeita foi interrompida por um representante dos professores, que a questionou sobre a retomada das atividades presenciais nas escolas mesmo diante do fato de Bauru estar na fase vermelha do Plano São Paulo, considerada a mais restritiva de todas, na qual só funcionam os serviços essenciais.

O docente também alegou que a prefeitura não recebeu qualquer entidade de classe antes de tomar tal decisão. Suéllen, por sua vez, deixou claro que ouviu professores e diretores sobre o assunto. "As crianças estão em todos os lugares, menos nas escolas. Nós não podemos olhar só um lado", acrescenta a prefeita.

MERENDA

Titular da Secretaria Municipal de Saúde, Orlando Costa Dias ressalta a importância das unidades de ensino na vida de muitas crianças. "Lá, os alunos também recebem alimentação e, por isso, as mães imploram para a retomada das aulas", diz.

Já a secretária de Educação, Maria Kobayashi, informa que as escolas municipais terão um regramento específico para cada faixa etária, que ainda será publicado. "As crianças não voltarão todos os dias, mas participarão de um escalonamento para preservar a saúde de todos", pontua.

Ainda segundo ela, as escolas deverão adquirir os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) necessários através do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE). 

O ensino remoto ficará mantido e a participação de até 35% dos alunos nas aulas presenciais não será obrigatória. Os estudantes com comorbidades deverão seguir a distância.

Já a retomada nas escolas estaduais mudou do dia 1 para 8 de fevereiro, conforme o anúncio feito pelo governador João Doria nesta sexta-feira (22). Na ocasião, ele também suspendeu a obrigatoriedade da presença dos alunos nas salas de aula enquanto o Estado estiver nas fases laranja ou vermelha (leia mais na página 16). A mudança não afetará o comportamento das escolas municipais.

O retorno dos colégios particulares, por sua vez, ficará a critério de cada escola.

Vacinação dos professores

A prefeita Suéllen Rosim alega que pediu à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e ao Ministério da Saúde para incluir os professores entre os grupos prioritários da vacinação contra a Covid-19. A solicitação foi feita à chefe do Executivo municipal por um grupo de vereadores, em reunião realizada na última quinta-feira (21).

Em nota, o Estado diz que o "Plano Estadual de Imunização contra Covid-19 tem o compromisso de vacinar, junto com as prefeituras, todas as pessoas que integrarem formalmente os públicos-alvo indicados nos cronogramas oficiais do PNI (Programa Nacional de Imunizações), dependendo da disponibilidade de vacinas pelo governo federal para expansão dos grupos e continuidade da campanha".

Até o momento, de acordo com a pasta estadual, o Ministério da Saúde disponibilizou a SP "apenas 1,3 milhão de doses - a serem aplicadas em duas etapas -, podendo, assim, imunizar pouco mais de 650 mil pessoas, considerando o esquema vacinal de duas doses".

O Ministério da Saúde, também por meio de nota, "afirma que os trabalhadores da educação estão incluídos no grupo prioritário, que é divido em fases. A primeira fase da vacinação contra a Covid-19 conta com as doses aprovadas para uso emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que foram disponibilizadas para distribuição pelos laboratórios. O escalonamento desses grupos populacionais para vacinação se dará conforme a disponibilidade das doses de vacina, após liberação pela Anvisa", pontua.

O plano de operacionalização de vacinação contra a Covid-19, ainda de acordo com a União, "é dinâmico e será adaptado - se necessário - e, por isso, podem ocorrer ajustes necessários nas fases de distribuição das vacinas e nas indicações de público-alvo, de acordo os cenários já planejados, considerando a indicação de uso apresentada pelo fabricante, o quantitativo de doses entregues e os públicos prioritários já definidos".

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