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Restrições da Covid-19 podem ter dificultado denúncias, alerta Sebes

Análise é reforçada pela pesquisa da Unesp, em que 31% das mulheres relataram ter ficado mais difícil notificar a violência

07/03/2021 - 05h00

Getty Images/iStockphoto

Violência contra mulher

Na pesquisa de opinião sobre violência contra a mulher realizada pela Unesp de Bauru, 31% das mulheres ouvidas afirmaram que ficou mais difícil notificar a violência de gênero durante a pandemia. O índice chega a 40% entre as residentes na região leste e sudeste da cidade.

A percepção descrita no estudo é reforçada pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), que registrou queda, ainda que pequena, do número de queixas e atendimentos realizados no Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (CRM). Em dezembro de 2020, foram 239 registros, ante aos 244 efetuados no mesmo mês de 2019.

Na avaliação da titular da Sebes, Ana Cristina Sales, o isolamento social imposto para conter a disseminação do novo coronavírus pode ter dificultado o acesso das mulheres ao serviço, visto que passaram a ter menos oportunidades de estarem sozinhas, afastadas do agressor, para procurar ajuda.

"Normalmente, quando ela consegue recorrer ao CRM, por telefone ou pessoalmente, é quando vai levar o filho à escola ou quando sai de casa para qualquer outro compromisso. E este deslocamento diminuiu durante a pandemia", observa.

OBSTÁCULO

Diretora responsável pelo CRM, Vanessa Neves explica que os atendimentos são realizados a partir de busca espontânea das mulheres ou por encaminhamento feito pela rede de saúde ou pela polícia.

"E, mesmo quando elas procuram ajuda, há dificuldade para adesão ao atendimento, que só se concretiza no longo prazo. A gente sabe o quanto é difícil, para elas, por dependência financeira ou emocional, romper o ciclo de violência", analisa.

Outro dado revelado pela pesquisa é o fato de a maioria das mulheres desconhecer o trabalho realizado por instituições voltadas à defesa dos direitos e da saúde da mulher, como é o caso do Conselho Municipal de Políticas para as Mulheres (CMPM) e da Casa da Mulher, o que reforça a necessidade de estes organismos aprimorarem a comunicação com seu público.

Serviço

Mesmo durante a pandemia, o Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (CRM) funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, na rua Raposo Tavares, 11-35. 

 

Maior visibilidade

De acordo com as professoras Célia Retz e Tamara Guaraldo, da Unesp, as informações obtidas pela pesquisa poderão ser utilizadas para o desenvolvimento de estratégias de comunicação do Conselho Municipal de Políticas para as Mulheres (CMPM) de Bauru. Como o estudo mostrou que as mulheres vítimas de violência procuram por informações sobre seus direitos com maior frequência pela Internet, uma possibilidade seria aprimorar a transmissão de conteúdos por meios eletrônicos. A apresentação da pesquisa pode ser acessada (https://www.youtube.com/user/tvunesp).

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