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Na pandemia, família de Bauru cozinha e doa 50 marmitas todo dia

Criado há cerca de um mês, Projeto Batata Doce distribui refeições diariamente para comunidade do Jardim Europa

por Cinthia Milanez

11/04/2021 - 05h00

Arquivo Pessoal

Lorena (filha), Guto (marido), Rosana, Luísa (filha) e Laís (filha): a família trabalha unida para ajudar o próximo nesta pandemia

Sensibilizada com o aumento da miséria diante das inúmeras restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus, uma família de Bauru resolveu unir forças e cozinhar todos os dias para doar marmitas a quem precisa. Criado há cerca de um mês, o Projeto Batata Doce distribui 50 refeições diárias para os moradores da comunidade do Jardim Europa, em Bauru. Idealizadora da iniciativa, a empresária e criadora de conteúdo digital Rosana Guerra, de 56 anos, relata que tudo começou quando ela tomou conhecimento do agravamento da situação. "No mês passado, eu passei a receber mensagens pelo Instagram de gente pedindo doações de alimentos", completa.

A empresária, então, pensou em ajudar a comunidade do Jardim Europa, a mais próxima da sua casa. "Eu conversei com o meu marido para usarmos o tempo em que a nossa loja de decoração e casa está fechada em prol daqueles que precisam", acrescenta. A partir daí, Rosana contou com a colaboração do marido Guto, bem como das trigêmeas Lorena, Luísa e Laís. "Nós pedimos as doações pelo Instagram e no grupo do condomínio no WhatsApp", informa.

A ideia, segundo a empresária, era produzir as marmitas por uma semana. "Eu pensei que, devido à crise econômica, pouca gente poderia ajudar, mas as doações - inclusive, de pessoas de outros países, como Portugal e Cuba - não param de chegar", observa. Na cozinha da casa de Rosana, cada membro da família tem uma função. O preparo dos alimentos fica a cargo da empresária, que recebe a ajuda das trigêmeas. Uma delas até assumiu a responsabilidade pela limpeza da louça. Já o marido de Rosana busca mantimentos, faz as compras e leva as refeições até a comunidade. "Nós acordamos em torno de 5h30 para fazer 3,5 quilos de arroz, 2 de feijão e 10 de carne, fora os legumes", donta.

O mesmo capricho aplicado no preparo dos alimentos pode ser visto na montagem das marmitas. "Eu pedi para as filhas das minhas amigas desenharem nas tampinhas, que também recebem mensagens positivas", reforça. Ainda segundo Rosana, a família não pretende parar enquanto receber doações. "Nós aprendemos diariamente com aquela comunidade. Certa vez, havia duas crianças na fila e uma delas disse que não precisávamos entregar uma marmita por pessoa, porque era possível dividir entre duas", comenta.

SERVIÇO

A empresária recebe mantimentos na Escola Damásio Educacional, que fica na rua Rubens de Mello e Souza, 2-48, atrás do prédio do Ministério Público (MP), na Getúlio Vargas, de segunda a sexta, das 8h às 18h. Existe, ainda, a possibilidade de solicitar que alguém vá buscar os donativos pelo telefone (14) 99712-1103. A empresária ainda trabalha com doações em dinheiro através do Pix, cuja chave é o CPF de Rosana: 091.259.168-40. Para obter outras informações, basta acessar a página da idealizadora do projeto no Instagram: @rosanajguerra.

Condomínios também se unem para arrecadar alimentos

Arquivo Pessoal

O Villaggio 2 preparou um drive thru para arrecadar mantimentos

Também sensibilizados com o aumento da miséria neste período de agravamento da pandemia do novo coronavírus, alguns condomínios de Bauru resolveram se unir para arrecadar alimentos.

O Villaggio 2, por exemplo, preparou um drive thru dentro do residencial no sábado (11), das 10h às 13h.

De acordo com o morador Marcelo Rasi, a ideia partiu do diretor administrativo do condomínio, Jairo Gomes, bem como da moradora Rita Botto Paulin. Os condôminos, segundo ele, pretendem angariar até uma tonelada de mantimentos, que serão encaminhados ao Fundo Social de Solidariedade.

O drive thru, de acordo com Rasi, contou até com a presença do Capitão América. "O objetivo também é conscientizar a criançada a se unir para ajudar quem mais precisa", complementa.

OUTRO CASO

Ainda na zona sul da cidade, o Condomínio Parati conseguiu encher um porta-malas de um carro com itens da cesta básica. A ideia partiu da arquiteta Lúcia Berriel, de 67 anos, que vive no prédio.

Segundo a moradora, ela soube que a Igreja São Judas precisava de donativos para distribuir à comunidade à qual pertence. "Em vez de ajudar sozinha, eu coloquei no grupo do condomínio no WhatsApp e todo mundo deixou mantimentos em um carrinho situado no hall de entrada do edifício", acrescenta.

Agora, Berriel pretende dar continuidade à ação mensalmente, podendo, inclusive, mudar a destinação dos donativos.

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