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Projeto do DAE para perdas de água 'naufraga'

Empresa contratada para elaboração do Plano Diretor de Perdas de Água rescindiu contrato e DAE pode perder recurso de meio milhão de reais

por Marcele Tonelli

11/04/2021 - 05h00

Samantha Ciuffa

Hidrômetros têm vida útil de cinco anos e, após esse tempo, o medidor é desgastado, o que geralmente provoca registro de consumo incorreto

Em 2019, a Prefeitura de Bauru e o DAE comemoravam a aprovação de um recurso na ordem de meio milhão de reais junto ao Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) para o combate às perdas de água tratada no município, que representam quase metade da produção. O projeto, contudo, naufragou e a autarquia pode perder o recurso que conquistou. Isso porque a empresa contratada para a então elaboração do Plano Diretor de Perdas de Água não entregou os relatórios previstos e o DAE resolveu rescindir o contrato. O prazo final, inclusive, expirou no mês passado.

Agora, a autarquia deve analisar junto à Fehidro, a possibilidade de manter a verba, mesmo diante da situação.

O recurso do Fehidro ajudaria a cidade a dar andamento a um dos principais pontos previstos pelo Plano Diretor de Águas (PDA) de Bauru, que é a elaboração de um cronograma de combate às perdas gerenciado pelo DAE.

Hoje, litros e mais litros escorrem por meio de vazamentos visíveis ou invisíveis, ou não são computados por hidrômetros defeituosos ou antigos. O índice de perdas atual da cidade é de até 47% e o objetivo era reduzi-lo para 25% até 2034.

Conforme o JC noticiou nos últimos dias, a manutenção do índice em questão derrubou a cidade da 61.ª para a 77.ª posição no ranking de saneamento do Instituto Trata Brasil, que utiliza informações do Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento. O que colocou Bauru atrás de municípios como Santos, por exemplo, que tem perdas na ordem de 17%.

O plano elaborado pela empresa tinha custo de R$ 218 mil e traçaria diagnósticos e prognósticos da rede, propondo ações a serem realizadas dentro de um cronograma.

RESCISÃO

Ocorre que a empresa contratada deveria ter entregado oito relatórios para elaboração do plano, mas entregou apenas três. O DAE, então, abriu um processo de rescisão do contrato e, segundo o JC apurou, a situação está em litígio até hoje.

A autarquia, agora, busca traçar ações práticas que sejam possíveis de serem realizadas com o que tem em mãos.

'Investir em poços sem combater perda é jogar água fora'

Na avaliação do engenheiro especialista em recursos hídricos ouvido pelo JC (ele preferiu não se identificar), o investimento em novos poços antes de combater as perdas e ampliar a setorização na cidade não é eficaz.

"Investir em poços sem combater as perdas é jogar água fora. O DAE é passivo na constatação de vazamentos visíveis, depende da comunicação da população e ainda assim leva dias, às vezes semanas, para resolver, quando deveria levar horas. A ação da autarquia precisa ser preventiva, até porque existem vazamentos invisíveis no solo arenoso", comenta.

Ele defende que a setorização derruba o número de vazamentos, por estabilizar a rede e diminuir a pressão. "Hoje, a zona alta é misturada com a zona baixa em Bauru. E quando há um vazamento é preciso fechar, às vezes, o registro do próprio reservatório, o que deixa muita gente sem água", observa.

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