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Bauru sofre com falta d'água e plano feito há 7 anos foi pouco utilizado

Elaborado há 7 anos, o Plano Diretor de Água propôs soluções para o bastecimento, mas é seguido a passos lentos pelo DAE

por Marcele Tonelli

11/04/2021 - 05h00

JuRehder

Plano diretor

A estiagem acentuada deste ano tem gerado uma situação nunca vista nem mesmo nas últimas crises hídricas, onde já em abril o efeito das torneiras secas pela baixa vazão do Rio Batalha é sentido. Com a ameaça de um rodízio próximo, a missão do Executivo não é só colocar mais caminhões-pipa nas ruas, mas encarar o problema com medidas efetivas. E o Norte para enfrentar esse transtorno crônico do abastecimento é o Plano Diretor de Água (PDA), que foi entregue há 7 anos para a prefeitura, mas poucas metas foram cumpridas e a passos lentos pelo DAE. O documento, inclusive, já demanda até atualização.

De 2014 até hoje, cerca de cinco presidentes diferentes passaram pelo DAE. A última troca, inclusive, ocorreu, nesta sexta (9), na gestão de Suéllen, que completou 100 dias de governo e terá pela frente o desafio de uma gestão continuada na autarquia e com investimentos maciços no abastecimento. Até porque a falta de água é apontada como um dos 3 principais problemas da cidade, conforme apontou a pesquisa JC/Ágili.  

Elaborado em 2014, o PDA diagnosticou a situação do abastecimento e da produção de água na cidade e propôs soluções para a correção (veja mais ao lado), vislumbrando um horizonte de, no mínimo, 20 anos, ou seja, até 2034. O documento virou lei municipal em 2019, mas até hoje não há fiscalização sobre o que foi cumprido ou não pelo DAE.

Mesmo desatualizado há 2 anos, o plano já previa, que, até 2024, o sistema Estação de Tratamento de Água (ETA)/Batalha não seria mais suficiente para, sozinho, abastecer mais de 30% da cidade e planejava uma nova fonte de captação, que nunca saiu do papel. Hoje, o Batalha ainda abastece 38% da população, informa o site do DAE.

Pelo plano, o município já deveria ter investido cerca de R$ 146,8 milhões em ações de melhorias, montante que representa 57% do total de investimentos previstos pelo PDA até 2034.

AÇÕES

Contudo, pouco se fez. A setorização de redes de abastecimento que deveria abranger toda a cidade para controle de pressão da água, por exemplo, ocorreu apenas em parte do Jd. Bela Vista e no Pq. das Nações.

A troca de hidrômetros para evitar leituras incorretas, por sua vez, não superou 1,2 mil imóveis dos 135 mil existentes no município.

Sobre as novas interligações de adutoras, o DAE diz que obras estão em execução, mas não detalha.

O documento prevê ainda a modernização da ETA, que também não saiu do papel, assim como a viabilização de uma nova captação em 2.ª nascente, que custaria até R$ 45 milhões. O DAE diz não dispor deste recurso.

POÇOS SIM

O que realmente parece ter avançado foram as inaugurações de novos poços do DAE. Bauru conta hoje com 35 deles e não há limites para novas perfurações, segundo o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), observadas as distâncias entre cada um e apresentados os devidos estudos geológicos.

Novos poços e reservatórios estão no plano de governo da prefeita Suéllen para resolver a falta de água. Ela promete inaugurar três neste início de governo. O primeiro, na Praça Portugal, previsto para o segundo semestre deste ano. Ele deve beneficiar bairros da zona Sul abastecidos pelo Batalha. Com isso, a expectativa é de que a vazão do sistema ETA aumente para outras localidades.

Os outros dois poços são previstos para o ano que vem. Um na Vila Falcão, também voltado aos bairros abastecidos pelo Batalha, e outro no Mary Dota, região que tem registrado aumento populacional.

Outra proposta da prefeita para superar a estiagem de 2021 é reativar o poço do Pq. Real, terminar interligações e entregar, em abril, o reservatório Alto Paraíso, que deve melhorar o abastecimento na região da Vl. Falcão, Jd. Ferraz, Vl. Independência e Ouro Verde.

"O desafio é grande, mas sabemos que o DAE tem capacidade técnica para avançar e melhorar o abastecimento para a população", diz a prefeita.

'Prestação de contas'

Segundo um engenheiro especialista em recursos hídricos e gestão ouvido pelo JC, a prefeitura precisa encontrar meios de cobrar de forma mais incisiva melhor desempenho da autarquia no cumprimento do Plano Diretor de Água.

"É preciso, no mínimo, cobrar uma prestação de contas, do que fez ou não e os motivos. Essa autoridade superior deveria cobrar isso de forma sistematizada, bimestral, trimestral, semestral e até de forma pública do DAE. Hoje, não acontece nada com os presidentes que não cumprem o plano", avalia. "No setor privado, se a chefia não realiza aquilo que está previsto ano a ano, é demissão", compara o engenheiro, que pediu para não ser identificado para evitar indisposições.

Reflorestamento sem parceria

Aceituno Jr

Lagoa de Captação do Batalha; manancial tem sucumbido sem ações para sua preservação

Essencial para recuperação do manancial, que hoje sucumbe ao longo das estiagens, o reflorestamento da Bacia do Alto Batalha prevê ações em 500 hectares, mas, até o ano passado, apenas 85 hectares tinham sido recuperados. Audiências públicas nos últimos anos trataram sobre parcerias entre Bauru, Agudos e Pirantinga para o reflorestamento, mas nenhum acordo efetivo foi firmado até hoje.

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