Bauru e grande região

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Ciclistas reclamam de mobilidade urbana e 'fogem' para as trilhas

Cidade não acompanha aumento de novos usuários e pesquisador aponta Rodrigues como principal via para ter ciclofaixas

por Bruno Freitas

17/04/2021 - 05h00

Aceituno Jr

Ciclismo no perímetro urbano. Na foto acima, Dionízio Eduardo Ferraz

Vista como saudável, econômica e ambientalmente correta, as bicicletas tiveram um 'boom' de vendas em Bauru em 2020 e início de 2021. O ciclismo também é considerado um dos esportes que mais cresceram durante a pandemia. Porém, as bikes estão praticamente 'invisíveis' no perímetro urbano, já que a cidade está muito longe do ideal para acolher os ciclistas. A constatação é dos próprios usuários, tanto os que insistem quanto os que desistiram de utilizar as ciclovias, para ir e vir. E ainda há os que 'fogem', no bom sentido, para as trilhas, para poder desfrutar do esporte com segurança e em meio à natureza. Estes são maioria. Todos os sábados e domingos as trilhas que ligam Bauru a outras cidades estão sempre movimentadas.

Ao todo, Bauru conta com 11 km de pistas exclusivas aos ciclistas, distribuídas entre as avenidas Engenheiro Edmundo Coube, Nações Norte, Jorge Zaiden e em um trecho que liga o Distrito 1 ao Núcleo Octávio Rasi. Em 2018, a promessa do governo municipal da época era de 70 quilômetros.

O arquiteto Dionísio Eduardo Ferraz, 62 anos, pedala três vezes por semana há quatro anos. Ele opta pelas trilhas, porque Bauru não abraça os ciclistas na região central e bairros. "O nosso trânsito não está acostumado, não há incentivo e sinto falta de espaço para circular na cidade, além de bicicletários nos parques. Por isso optamos pelas trilhas, nossa válvula de escape. Seria muito bom se as lojas de bikes se unissem e conversassem com a Câmara e Prefeitura e apresentassem ideias de melhorias", sugere o ciclista. 

O empresário Samir Hadba, 44 anos, é um exemplo de quem começou a pedalar pra valer na pandemia. Ele revela que deu 'start' no perímetro urbano, mas considera muito perigoso. "As nossas ciclovias funcionam mais ou menos no final de semana. Veículos atrapalham e as vias são estreitas. Bauru não tem estrutura para ciclista. É inviável", comenta.

Ele sugere que as ciclovias da Getúlio e da Comendador Martha fossem para o canteiro central, igual em São Paulo.

PESQUISA

Em dissertação de mestrado apresentada na Unesp de Bauru, o arquiteto Vinicius Faria Queiroz Dias apresentou uma pesquisa específica que avaliou a qualidade de sistemas cicloviários de Bauru. Ele realizou o estudo em quatro ciclovias e cinco ciclofaixas da cidade e foram ouvidos 236 usuários. A metodologia utilizada consistiu em entrevistas aos usuários, levantamento por meio de auditoria técnica e registro fotográfico e definição do Índice de Qualidade do Sistema Cicloviário.

A pesquisa científica permitiu considerar que no perímetro urbano o trânsito é intenso para os ciclistas, que eles se queixaram da falta de segurança (acidentes), buracos e imperfeições no pavimento das vias, além da faltam de iluminação e de sinalizações adequadas.

Outro problema são as travessias e intersecções. Na análise, em todas as ciclovias e ciclofaixas de Bauru, além da descontinuidade delas, apresentaram pior avaliação a falta de estacionamento para bicicleta (bicicletário), além das sinalizações de trânsito e os buracos. "Foi possível observar na época da pesquisa (2017), em relação às ciclovias, no geral, que vão favorecer parcialmente o deslocamento dos ciclistas a implantação, preferencialmente, pela avenida Rodrigues Alves. No entanto, o índice geral do sistema cicloviário de Bauru é muito baixo, sendo necessário uma adequação urgente, caso o município pretenda incentivar o uso da bicicleta na cidade para melhorar a mobilidade urbana", explica Vinicius Faria Queiroz Dias.

Não saiu do papel

Em julho de 2018, a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) garantiu na época, por meio do Plano de Mobilidade Urbana de Bauru, que as ciclovias começariam a ser conectadas e que os 10 quilômetros existentes aumentariam para 70 até dezembro de 2020. O fato empolgou, em vão, os ciclistas. Hoje elas continuam segmentadas em trechos isolados.

O atual titular da Seplan, Nilson Ghirardelo, esclarece que a Prefeitura não possui verba no momento.

Vereador pede bicicletário

O vereador Ubiratan Cassio Sanches, o Pastor Bira (Podemos), enviou à prefeita Suéllen Rosim, via Diário Oficial, um pedido de inserções de bicicletários nos parques municipais. Em pesquisa de preço, o JC apurou que os custos variam entre R$ 335,00 a R$ 950,00 cada dispositivo que comporta várias bicicletas estacionadas.

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