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Reage São Paulo propõe horário alternativo para bares com música

Movimento pedirá à prefeitura para que esses locais funcionem das 19h às 23h; objetivo é ajudar classe artística

por Lilian Grasiela

22/04/2021 - 05h00

Aceituno Jr.

Avenida Getúlio Vargas, em Bauru, é uma via que concentra muitos bares com música ao vivo

O coordenador do movimento Reage São Paulo, Walace Sampaio, irá formalizar nesta quinta-feira (22) um pedido à Prefeitura de Bauru para que bares com música ao vivo sejam autorizados a funcionar com horário diferenciado nesta segunda etapa da chamada fase de transição do Plano São Paulo, que entra em vigor no sábado (24). A medida busca beneficiar a classe dos músicos, considerada por ele uma das mais duramente afetadas pelas restrições da pandemia.

A partir de sábado, restaurantes, lanchonetes e similares, como bares com função de restaurante, poderão abrir das 11h às 19h, com limite de ocupação de até 25% da capacidade do imóvel. A autorização para funcionamento, prevista no Plano São Paulo, se estende a salões de beleza, barbearias, atividades culturais e também academias de ginástica. No documento que será remetido ao Executivo, Sampaio irá propor que estabelecimentos da cidade com música ao vivo funcionem das 19h às 23h.

"Nós entendemos que, neste momento em que começa a abertura dos bares, a partir deste sábado, deva também ter um horário para abertura dos bares com música ao vivo, prestigiando os músicos de Bauru e de cada município do estado de São Paulo", declara. "Nós não vemos razão nenhuma para que a pessoa possa frequentar um bar à tarde e seja proibida de frequentá-lo à noite. O vírus não dorme durante o dia e acorda à noite apenas".

O coordenador do Reage São Paulo conta que esta classe está enfrentando dificuldades. "O segmento que talvez seja o que mais sentiu a crise, desde o início, é o segmento dos músicos que atuam em bares e casas de shows em Bauru", diz. "Essas pessoas ficaram sem renda alguma e proibidas de trabalhar até hoje. É um segmento que está esquecido pelos governos estadual e municipal. É como se fosse um segmento invisível, que não existisse".

Na opinião de Sampaio, esse horário alternativo para bares com música poderá ser viabilizado pelo fato de a prefeita Suéllen Rosim (Patriota) já ter se declarado contrária ao lockdown e favorável à economia. "O que a gente espera é que ela transforme o discurso em prática e, por decreto, autorize a abertura dos bares com música ao vivo no período noturno em Bauru", afirma. "O fato da Suéllen ser cantora gospel nos da mais esperança ainda".

DRAMA

O cantor Kadu Reis, que trabalha em bares, festas e shows, falou sobre a dificuldade de não poder trabalhar já há quase dois meses. "A nossa classe é uma classe invisível aos olhos do poder público. Nós ficamos mais da metade do ano passado parados, tivemos uma pequena volta, um pequeno fôlego, e estamos parados agora há quase dois meses", diz.

Segundo ele, cerca de 400 pessoas vivem da música hoje em Bauru. "Muitas pessoas tiveram que vender equipamentos e instrumentos e parar com a atividade porque não tinham mais como se sustentar e pagar dívidas", conta. "A gente tinha uma média de shows por semana. Você parar e não ter condições de fazer mais nada é muito difícil".

Para Reis, a liberação de um horário alternativo para bares com música é fundamental para que a classe artística local possa se reerguer. "Nós entendemos a pandemia, sabemos dos riscos. O que não entendemos é a falta de proatividade dos governantes", declara. "O que nós estamos pedindo é para que olhem com carinho para nossa classe".

O também cantor Guto Vianni revela que muitos colegas não estão conseguindo sobreviver. "O que mais nos deixa preocupado é que amigos estão passando dificuldade de verdade. Alguns músicos não estão conseguindo ter nenhum tipo de respaldo, de nenhuma esfera", lamenta. "A gente sabe dos perigos da vida noturna para a disseminação do vírus, mas não é nada diferente daquilo que acontece durante o dia".

Na opinião dele, a classe artística está sendo completamente ignorada neste processo de retomada da economia. "A maioria dos comércios tem condição de se reinventar, mesmo com dificuldades. Já o músico não tem essa opção. Ele acaba tendo que desenvolver trabalhos secundários porque, às vezes, não consegue suprir aquela demanda que ele tinha. Isso acarreta vários prejuízos, como depressão", desabafa.

No aguardo

Walace Sampaio, que também é diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru e Região (Sincomércio), conta aguardar parecer da prefeitura sobre pedido para que o comércio de Bauru funcione em horário diferenciado - das 9h às 17h (comércio de rua) e das 12h às 20h (shoppings). "Nós não tivemos resposta. Renovamos ontem (anteontem) o pedido na forma de apelo à prefeitura para que ela baixe decreto autorizando. Não há razão alguma para que esse pleito nosso não seja atendido, já que ele continua cumprindo as oito horas de abertura do Plano São Paulo e é muito mais adequado à realidade de Bauru", conta.

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