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Quase triplica a quantidade de mães depois dos 40 anos

Gravidez nessa faixa etária em Bauru cresceu 176% entre 2000 e 2020

por Marcele Tonelli

12/05/2021 - 05h00

Leira Borges/Divulgação

"Aos 40, a gente já passou por muita coisa, tem mais paciência e curte mais a maternidade", diz Cristiane Siena, mãe de Antônio

A maternidade sempre foi um dos sonhos da tecnóloga em marketing Cristiane Siena, mas, antes, a prioridade era a construção de uma carreira e o alcance de certa estabilidade financeira. Quando tudo isso aconteceu, próximo aos 40 anos, ela decidiu que era a hora de engravidar. Cristiane é o exemplo de um comportamento que tem crescido entre as mulheres de Bauru. Dados da Fundação Seade, com base nos registros de nascidos vivos dos cartórios de Registro Civil, mostram que a maternidade acima dos 40 anos quase triplicou em duas décadas na cidade.

De 2000 para 2020, o número de mães nessa faixa etária aumentou 176%: de 63, no início do milênio, para 174 no ano passado. Os nascidos com genitoras entre 30 a 39 anos também cresceram 47% no período. De 1.177, em 2000, as mães com essa idade somaram 1.737 em 2020 (veja mais no quadro).

O fenômeno na estrutura etária da maternidade, segundo explica a demógrafa da Fundação Seade, Lúcia Maiumi Yazaki, está relacionado a mudanças de perspectivas e da vida socioeconômica das mulheres, aspectos que impactaram diretamente no comportamento reprodutivo.

"Antes, elas completavam o ensino médio e partiam para a maternidade. Hoje, muitas almejam ensino superior e uma especialização maior para galgar melhores colocações no mercado. E isso faz com que elas revejam suas prioridades e até adiem a maternidade. Atualmente, a maioria tem filho a partir dos 35 anos, que é uma idade em que, geralmente, a pessoa está em condição mais estabilizada", observa a demógrafa.

PRIORIDADES

Foi exatamente o que fez Cristiane, que é casada há duas décadas, mas optou por ter o Antônio, com 10 meses hoje em dia, apenas ao atingir os 39 anos.

Ela conta que, em um de seus últimos empregos, como coordenadora de marketing, viajava semanalmente. E foi após a perda de uma gestação inesperada anterior que Cristiane decidiu iniciar uma nova fase, mais planejada, com rotina menos acelerada e com ênfase na maternidade.

"Aos 40, a gente já passou por muita coisa, tem mais paciência e curte mais a maternidade. Não pensa mais em noitada, balada. A prioridade é o filho. E, no meu caso, como eu pretendo não ter mais, tenho consciência de que quero aproveitar ao máximo todas as etapas dele. É uma realização", comenta a mãe de primeira viagem.

Apesar de ainda existir certo risco na gravidez de pessoas acima dos 40 anos, a demógrafa Lúcia Yazaki considera que os avanços da medicina encorajaram a maternidade mais tardia. "Acredito que seja evolução o fato de poder planejar quando quer ter filhos e quantos se quer ter", pontua.

Outro dado que a pesquisa mostra é que março, abril e maio continuam sendo os meses de maior pico de nascimentos, fenômeno para o qual a Fundação Seade não tem respostas.

EM QUEDA

Por outro lado, uma tendência de queda nos nascimentos é observada em Bauru nas faixas etárias de mães entre 20 e 29 anos e das que têm abaixo de 20 anos, que, até o início do milênio, representavam a maioria proporcional em relação a todas as idades.

De 2000 e 2020, o número de nascimentos com mães na faixa entre 20 e 29 anos caiu de 2.914 para 2.189, decréscimo de 24%. Já os nascimentos entre mães com idades abaixo dos 20 anos foram de 1.142 para 507, diminuição de 55%.

Nascimentos caíram

A pesquisa Fundação Seade também mostra que, apesar de oscilações pontuais, o número de nascimentos teve decréscimo de até 13% em duas décadas. Em 2000, nasceram 5.301 crianças e, depois, houve queda neste número, que alcançou 4.412 em 2010. Dois anos depois, o número subiu e chegou a 4.920 em 2014. Mas, em 2016, a queda voltou a ocorrer e, em 2020, os nascimentos totalizaram 4.610.

"Se o ritmo continuar, talvez, daqui a 40 anos, a população comece a reduzir, porque nasce cada vez menos crianças. Por enquanto, o que temos é um crescimento desacelerado e uma das razões é a queda na fecundidade, que caiu para 1,6 filho por mulher no Estado, em 2020", finaliza a demógrafa.

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