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Projeto aposta em livros para empoderar e atrair meninas para carreira científica

Meninas: arqueólogas, etnólogas, museólogas e o que mais quiserem indica obras com protagonismo feminino e promove encontros virtuais em escolas e com autoras

por Tabita Said

21/07/2021 - 10h41

Ilustração: Nicolas Lener. MAE/USP

A ideia é promover igualdade de gênero entre crianças e adolescentes

O projeto Meninas: arqueólogas, etnólogas, museólogas e o que mais quiserem é um serviço de curadoria de livros voltado para crianças e adolescentes do ensino fundamental e médio. Toda quinta-feira, são indicadas obras da literatura infanto-juvenil que abordem temáticas de protagonismo, representatividade e diversidade feminina. A curadoria é feita pela biblioteca do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP. Estas informações foram retiradas do Jornal da USP.

Originalmente criado para realizar visitas e conversas em escolas públicas do Estado de São Paulo, o projeto Meninas surgiu em resposta ao dia 11 de outubro – data estipulada pela Organização das Nações Unidas para promover igualdade de gênero entre crianças e adolescentes.

Ele foi idealizado por Viviane Wermelinger Guimarães, chefe da Seção Técnica de Expografia do MAE, que convidou todas as mulheres da equipe do museu para participar. “A ideia era fazer um bate-papo da equipe do MAE com alunas do ensino fundamental e médio sobre ingresso na universidade pública e carreiras científicas que mulheres podem ocupar, que são todas”, reforça Viviane.

Além do cuidado com a representatividade feminina - seja no tema do livro, seja na autoria, o projeto trabalha com temas específicos de acordo com datas comemorativas ou contextos da atualidade. O objetivo é ampliar o horizonte literário das crianças e famílias.

“Neste mês de julho, temos o Dia do Arqueólogo. Então a gente está indicando livros relacionados a esta profissão”, conta Viviane. Ela e a equipe se preparam para continuar com os encontros nas escolas ano que vem, quando também deverão realizar uma exposição de lambe-lambes. “As escolas e o campus da USP no Butantã devem receber essa intervenção, com as frases extraídas desses encontros.”

CLUB DE LEITURA DO MAE

A indicação de livros fez tanto sucesso que deu origem a outro projeto: o Clube de Leitura do MAE. São indicações semestrais de escritoras indígenas e negras brasileiras, que estão fora do circuito comercial. Após a leitura semestral, Viviane organiza um encontro com a autora.

No mês de abril, em comemoração ao Abril Indígena, o projeto indicou a autora Auritha Tabajara. “É um livro completamente fora da caixa, porque é uma mulher indígena, nordestina, escrevendo cordel. O livro é de uma editora indígena, também”, explica Viviane.

A próxima autora será indicada nas redes sociais no domingo, 25 de julho – Dia da Mulher Negra.

“Tudo começou com o projeto Meninas, que é para bater papo com meninas para dizer que elas podem sim estudar o que quiserem, podem estudar numa universidade pública e que a USP é lugar delas.”

Participam da equipe do projeto Meninas e Clube de Leitura do MAE: Viviane Wermelinger Guimarães – museóloga; Carla Gibertoni – arqueóloga e educadora; Monica Amaral – bibliotecária; Luciana Cecília Araujo Nascimento – beletrista; Nicolas Simoes Lener – estudante de Arquitetura e Urbanismo e responsável pelas ilustrações dos posts.

E-mail para contato: [email protected]

Dando prioridade à rede pública de ensino, a equipe realizou encontros-piloto com uma escola estadual no bairro do Bixiga, em São Paulo. Por causa da pandemia, as visitas foram suspensas, mas a indicação de leitura continuou nas redes sociais do museu.

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