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Para Professora Bebel, Estado precisa avaliar efeitos da pandemia no ensino

Deputada estadual esteve em Bauru e participou de reuniões com a CUT e a Apeoesp, da qual ela é também presidente

por Tânia Morbi

10/09/2021 - 05h00

Malavolta Jr.

A deputada estadual Professora Bebel também critica o período integral em escolas do ensino médio

Em Bauru para reuniões promovidas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e subsede do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), a deputada estadual Professora Bebel (PT) afirmou que o governo estadual deveria priorizar projetos que possam avaliar os efeitos que a pandemia causou na qualidade do aprendizado dos alunos da rede estadual e permitir que tenham acesso ao conhecimento não adquirido. 

Para ela, que é presidente estadual da Apeoesp, outras pautas que vêm sendo discutidas pelo governo, como o novo currículo do ensino médio e as escolas de tempo integral, poderiam esperar diante da urgência em avaliar qual o impacto causado pelo distanciamento dos estudantes das escolas e da rotina escolar.

"Se preocupar com os estudantes que não tiveram acesso à aprendizagem desde 2020. Esse deveria ser o foco e não está sendo. Tem um monte de pautas, mas esta deveria ser a prioridade: como fazer com que os estudantes tenham acesso ao conhecimento que lhes é de direito e que vem suspenso desde o ano passado?", questiona.

Em sua opinião, o conteúdo das aulas de 2020 e deste ano poderia ser trabalhado conjuntamente, de forma interdisciplinar. Mas, para isso, seria preciso contratar professores, o que, para a parlamentar, é uma barreira para o governo.

INTEGRAL

Professora Bebel é contra o período integral nas escolas de ensino médio, pois, na sua avaliação, o modo não é inclusivo. "Não é inclusão, mas exclusão. Porque desconsidera que estes alunos são trabalhadores e não têm condição de ficar o dia todo nas escolas, a menos que tivesse bolsa para estes estudantes e eles pudessem estudar em período integral".

Além disso, ela questiona a forma como foi feita a proposta. "Vem de forma muito autoritária, porque deveria ouvir os conselhos escolares". 

GREVE SANITÁRIA

A Apeoesp exigiu, através de uma greve sanitária, que os professores pudessem trabalhar remotamente, até que estivessem completamente vacinados, reivindicação que foi conquistada, segundo a deputada.

Ela, contudo, afirma que, atualmente, 49% dos professores estão com o ciclo vacinal concluído (duas doses) e, mesmo assim, o governo determinou que todos voltassem às aulas. "Nós entramos na Justiça e ganhamos. O governo recorreu, mas com outro termo, fora do que estávamos reivindicando, que era a vacinação destes 51% para o retorno presencial".

REFORMA

Bebel também tem atuado na Assembleia Legislativa (Alesp) contra a aprovação do Projeto de Lei Complementar 26, que, em sua avaliação, fere os princípios da administração pública ao acabar com a estabilidade do servidor público. "Estabilidade não é privilégio do servidor. É uma forma de garantia de que não haverá perseguição, inclusive contra denúncias. Estabilidade é para cumprir princípio e também porque, quando se fala em serviço público, devemos pensar em política de Estado e em continuidade. Se aprovada, vai ser um desmonte do Estado de São Paulo".

Ela também critica o ponto da reforma que estabelece o prazo de 15 para faltas injustificadas, caso contrário, passarão por processo administrativo. "Temos que fazer uma frente muito forte em todo Estado para que a PEC não seja aprovada". O projeto deve estar na pauta da Alesp agora em setembro.

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