Bauru

Geral

Com até 2,5 mil visitantes em um dia, Zoo não conta com socorrista

Situação vem à tona após grávida passar mal no local; Jurídico da Prefeitura de Bauru analisa se há obrigatoriedade do serviço

por Larissa Bastos

15/09/2021 - 05h00

Aceituno Jr./Arquivo JC

Semma pediu análise sobre obrigatoriedade ou não de equipe de socorristas no Zoológico de Bauru

Com até 2,5 mil visitantes em média aos domingos, o Zoológico de Bauru, principal ponto turístico da cidade, não possui socorristas ou profissionais capacitados para prestar primeiros socorros aos frequentadores. A questão vem à tona após uma grávida de 7 meses passar mal na área de alimentação do parque e ter que esperar uma hora por atendimento. O fato ocorreu no último domingo (12). Questionada, a prefeitura, por meio da Secretaria do Meio Ambiente (Semma), afirma que o Jurídico analisa se há obrigatoriedade legal de ter uma equipe de socorristas no Zoo.

Moradora de Araçatuba (192 quilômetros de Bauru), Doralice Brito da Silva Barbosa, de 33 anos, que é técnica de enfermagem e está grávida de 7 meses, conta que veio até Bauru em uma excursão e pretendia ter um dia de lazer com o marido e o filho. "Por volta das 8h40, tive uma crise de hipoglicemia e desmaiei. Os primeiros a me ajudarem foram os organizadores da excursão, que pediram ajuda aos funcionários do parque, mas eles alegaram que não podiam prestar atendimento. Então, chamaram o Samu, que só chegou uma hora depois, perto de 9h40".

Após a chegada da ambulância, Doralice foi levada para a Maternidade Santa Isabel, onde fez exames e recebeu alta. "Foi uma situação horrível, não tinha socorro algum. Sou profissional da saúde e sei que minutos fazem a diferença para salvar vidas. Foi minha primeira vez nesse Zoológico e não tenho mais vontade de voltar", lamenta.

Quem também ficou indignado com a situação foi o agente de viagens Elton de Freitas Selingardi, de 27 anos, organizador da excursão. "Um lugar com o tamanho do Zoo, que recebe tantas pessoas, deveria ter um posto de atendimento. Essa situação pode até prejudicar minha empresa. Pensei até em representar sobre a falta desse serviço ao Ministério do Turismo ou até ao Ministério Público", argumenta.

JURÍDICO

De acordo com Dorival Coral, titular da Semma - pasta responsável pela administração do Zoo -, até o momento, a informação é de que não há obrigatoriedade legal de se manter uma equipe para atendimento ou primeiros socorros no Zoológico. "Agora, em função do ocorrido e da nossa preocupação em atender as pessoas que chegam até lá, acionamos o Jurídico [da prefeitura] para verificar se realmente é necessário termos uma equipe de plantão, considerando o volume de pessoas que vão até o local. Vamos aguardar essas manifestações para fazermos o que é correto", explica.

Porém, ele já adianta que, se for constatado não haver obrigatoriedade, o parque deverá permanecer sem socorristas. "É um custo complicado para um município que tem dificuldade financeira. Se houver um corte ou algo parecido, pode até ser que algum funcionário faça um atendimento básico. Mas, no caso de uma grávida em que há indicação de alteração arterial, a orientação é que você apenas mantenha a pessoa deitada até o resgate", detalha Coral.

Além disso, ele afirma que discute a possibilidade de oferecer cursos de primeiros socorros aos servidores para que eles estejam aptos a atuar em situações simples que vierem a ocorrer.

'PRIORIDADE BAIXA'

Questionado sobre o tempo para chegar ao local, o Samu informou, por meio de nota, "que o atendimento via telefone à paciente foi feito por um médico que passou todas as orientações e constatou que o caso era de prioridade verde (baixa), o que, seguindo os protocolos, pode ser atendido dentro de até 2 horas, conforme a gravidade de outros casos simultâneos". Ainda por meio do comunicado, a direção do Samu ressalta que, "em nenhum momento, houve negligência, imprudência ou imperícia ou omissão de socorro".

Ler matéria completa

×