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Já em aplicação, Novo Ensino Médio tenta dar protagonismo aos alunos

Apesar do início obrigatório ser em 2022, escolas públicas e privadas de Bauru já iniciaram o novo modelo neste ano

por Guilherme Tavares

17/10/2021 - 05h00

Guilherme Tavares

Gerson Trevizani Filho, diretor do Sieeesp, analisa mudanças

O chamado Novo Ensino Médio começa oficialmente de forma obrigatória em 2022, mas escolas estaduais e particulares em Bauru já iniciaram a aplicação do modelo neste ano. A mudança fundamental é a possibilidade de o próprio estudante escolher parte das disciplinas com as quais tem mais afinidade, montando a própria grade conforme a predileção das áreas a fim de aprofundar os estudos. O principal objetivo é tentar aumentar o protagonismo do aluno.

Na rede estadual paulista, a implantação já começou para os alunos do 1.º ano e terá sequência daqui para frente. Já nas escolas particulares, cada rede tem adotado um método de implantação, sendo que algumas já aplicam o novo modelo também no 2.º e 3.º ano.

Com as alterações do Novo Ensino Médio, os estudantes passam das atuais 3 mil horas de carga horária para cerca de 3,5 mil horas nos três anos. Dessas, 1,8 mil horas continuam sendo de formação geral básica, composta por 12 disciplinas tradicionais (veja mais no quadro ao lado).

A novidade está justamente nos chamados itinerários formativos, conjunto de disciplinas as quais podem ser escolhidas pelos próprios alunos. "É uma forma de a escola fazer mais sentido para o estudante. Quando ele aprofunda os estudos de acordo com as preferências, a mensagem é que o talento dele vai ser valorizado, vai trabalhar melhor as próprias habilidades. E também acreditamos que isso vai reduzir a evasão escolar", afirma Gustavo Mendonça, gestor do Ensino Médio da Secretaria de Educação do Estado.

Hoje, ainda segundo Mendonça, cerca de um quinto dos jovens abandonam as escolas estaduais no Ensino Médio.

ITINERÁRIOS FORMATIVOS

Os itinerários formativos são o conjunto de disciplinas, projetos, oficinas, núcleos de estudo, entre outras situações de trabalho, que os estudantes podem escolher no Novo Ensino Médio. Cada rede pode selecionar até três modelos de eletividade para o funcionamento dos itinerários.

No formato antigo do Ensino Médio, o aluno não tinha caminhos optativos para sua aprendizagem: todos estudam os mesmos componentes curriculares ao longo do ensino. Com a nova proposta, eles devem cumprir um currículo mínimo comum de todas as áreas do conhecimento e ainda terão uma parte flexível.

O diretor regional do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), Gerson Trevizani Filho, acredita que as mudanças, apesar de trabalhosas, serão positivas. "Essa transformação vai dar trabalho, mas acho que dá mais liberdade para o aluno ir para a área de maior interesse. Isso traz autonomia para o jovem e o direciona melhor para o mercado de trabalho", analisa.

CAPACITAÇÃO

Para se adequarem às novas diretrizes do Ensino Médio, profissionais da educação têm passado por treinamento. Em Bauru, a rede privada investe em capacitação desde 2019. "Os professores têm feito cursos, aprendendo a elaborar projetos", diz Gerson Trevizani Filho.

Segundo o gestor do Ensino Médio de SP, Gustavo Mendonça, os cerca de 90 mil docentes do Estado passaram por treinamento com seminários e cursos. A maior parte foi promovida na plataforma online Escola de Formação, da Secretaria de Educação.

Além disso, a pasta informa ter investido cerca de R$ 150 milhões nas escolas da rede para aquisição de produtos pedagógicos, equipamentos e material didático.

AVALIAÇÃO POSITIVA

Apesar de o Novo Ensino Médio começar oficialmente em 2022, em muitas escolas particulares de Bauru, os itinerários formativos foram implantados já a partir deste ano. As gêmeas Beatriz e Bruna Rios Zotto, 16 anos, alunas do segundo ano do Ensino Médio, têm gostado do novo formato.

"Acho que é um adicional, tem contribuído sim para os estudos. Acho que ajuda especialmente na redação", aponta Beatriz. "Prefiro mais as áreas de exatas e biológicas, tenho me aprofundado nessas disciplinas. Acredito que vão ser muito úteis no vestibular", complementa Bruna.

Mudanças exigem capacitação de professores e investimentos em escolas

Para se adequarem às novas diretrizes do Ensino Médio, profissionais da Educação têm passado por treinamento. Em Bauru, a rede privada investe em capacitação desde 2019. “Os professores têm feito cursos, aprendendo a elaborar projetos”, diz Gerson Trevizani Filho, diretor regional do Sieeesp.

Segundo o gestor do Ensino Médio de SP, Gustavo Mendonça, os cerca de 90 mil professores do Estado passaram por capacitação com seminários e cursos. A maior parte promovida pela plataforma online Escola de Formação, da Secretaria de Educação.

Além disso, a pasta informa ter investido cerca de R$ 150 milhões nas escolas da rede para aquisição de produtos pedagógicos, equipamentos e material didático.

Desafio dos gestores tem sido em relação ao vestibular

Neste primeiro ano de implantação do Novo Ensino Médio, o maior desafio dos gestores tem sido em relação ao vestibular, uma vez que conteúdos estão sendo planejados sem saber, ao certo, como as principais provas do País cobrarão esses conhecimentos nos próximos anos.

Segundo o diretor regional do Sieeesp, Gerson Trevizani Filho, a falta de clareza sobre como os vestibulares se adaptarão à mudança tem dificultado o planejamento pedagógico. "Por isso, nós preservamos essa formação geral básica tão intensa quanto antes, porque, como existe essa lacuna para o vestibular, o aluno vai chegar sabendo tudo. Nós vamos dar oportunidade para escolher o 'a mais'. Gosta mais de exatas? Matemática financeira, astronomia. Biológicas? Ciências da saúde", exemplifica.

O gestor do Ensino Médio da Secretaria de Educação do Estado, Gustavo Mendonça, concorda que ainda existem pontos nebulosos na relação escolas e vestibulares. "Tem algumas mudanças que a gente não sabe exatamente como as universidades ou o próprio Enem vão fazer, mas a gente tem algumas pistas. O vestibular da Unicamp, por exemplo, já está mais adaptado. Para o candidato de Medicina, a prova de ciências da natureza tem mais peso. A Fuvest tem uma primeira fase comum a todos e a segunda é uma prova específica da área do aluno".

Em julho, o Ministério da Educação (MEC) publicou a Portaria 521 com o cronograma do Novo Ensino Médio, também prevendo a avaliação do novo Enem. Neste ano, estão sendo elaboradas e consolidadas as matrizes para avaliar as áreas de conhecimento. Em 2022, tais matrizes devem ser validadas para a elaboração do documento básico do exame, com novas diretrizes. O novo formato da prova deve ser aplicado em 2024.

O Ministério da Educação, em seu site oficial, informa que a lei do Novo Ensino Médio não trata especificamente do Enem e compreende que o exame deverá se adequar às mudanças, porém, não detalha como tais adequações serão feitas.

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