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Nações Norte: projeto de 4 'Vitórias Régias' esquecido há mais de dez anos

Grande área verde do Parque do Castelo, que poderia se transformar no novo cartão-postal de Bauru, segue 'engavetada'

por Tisa Moraes

17/10/2021 - 05h00

Malavolta Jr.

Área na avenida Nações Norte destinada ao sonhado parque tem 240 mil metros quadrados

Uma área verde equivalente a quatro vezes o tamanho do Parque Vitória Régia, que poderia se transformar no novo cartão-postal de Bauru, permanece esquecida há mais de dez anos pelas administrações municipais. Com implantação prevista no Plano Diretor de 2008, o Parque Jurandyr Bueno Filho, também conhecido como Parque do Castelo, tem projeto arquitetônico pronto e poderia mudar o cenário da cidade na região da av. Nações Norte, com previsão de espaços de lazer, esporte, cultura e entretenimento, mas que nunca saíram do papel.

Alegando ausência de recursos, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) segue sem planos para iniciar as obras no local, que seriam importantes para começar a descentralizar a demanda da população por espaços públicos ao ar livre em Bauru. O Plano Diretor de 13 anos atrás, aliás, prevê a implantação de nove parques lineares em áreas de fundos de vale, como o Parque do Castelo, inclusive para retenção temporária de águas da chuva por meio de barragens ou piscinões.

Trata-se de um tema que ganha maior urgência no momento em que as pessoas começam a retomar suas vidas após mais de um ano e meio de pandemia, em que a busca por lazer em contato com a natureza parece ter aumentado, conforme apontam especialistas ouvidos pelo JC. Esta hipótese é reforçada, aliás, pelo que ocorreu no último feriado de 12 de outubro no Zoológico de Bauru, que lotou e precisou, pela primeira vez na história, fechar seus portões (leia mais na página ao lado).

SEM RECURSOS

Porém, segundo o titular da Semma, Dorival Coral, a implantação de qualquer parque novo na cidade dependerá da captação de recursos, como emendas parlamentares, já que não há disponibilidade de verbas próprias para a execução de projeto desta natureza ao menos até o fim de 2022. "Provavelmente, o Parque do Castelo é o que demandaria maior investimento. Gostaríamos de poder executar todos, mas, infelizmente, por falta de dinheiro, precisamos fazer opções", observa, destacando que o Parque Água do Sobrado, localizado em um fundo de vale na região do Jardim Jussara, seria o mais viável para implantação, mas também condicionada à captação de verbas.

Com uma área de aproximadamente 240 mil metros quadrados recortada pelo Córrego Água do Castelo, o Parque do Castelo, que chegou a ser apelidado de futuro "Ibirapuera de Bauru", possui área quatro vezes maior que a do Parque Vitória Regia, que tem 57 mil metros quadrados. Pelo projeto de implantação, o complexo contemplaria espaço para shows, quadras esportivas, centro de convivência, restaurante, lanchonete, área de exposições e lago ornamental.

Ainda em 2018, o então prefeito Clodoaldo Gazzetta afirmou que a construção do parque custaria em torno de R$ 12 milhões e que o início das obras seria uma das prioridades de seu governo para aquele ano. Porém, até hoje, foram realizadas apenas ações preliminares, como o plantio de mudas no local, que também recebeu pista de caminhada e ciclovia no entorno.

Em 2019, o solo de parte do parque foi alterado para a instalação de uma pista de motocross, destinada à realização da etapa de um campeonato. Hoje, a área é palco de 'pancadões' promovidos aos finais de semana por jovens moradores das imediações.

Moradores do entorno lamentam ausência de investimentos

Malavolta Jr.

Richard Simões passeia com Cafu, na esperança de que, um dia, o parque se torne uma realidade

Moradores de bairros próximos ao sonhado Parque Jurandyr Bueno Filho, como Jd. Godoy, Pq. Santa Cecília e Jd. Marília, convivem com a expectativa de, um dia, a área receber a estrutura prometida pelo poder público há mais de uma década. As irmãs Fernanda de Sousa, 21 anos, e Jennyfer Sousa Pereira, 14, frequentemente fazem caminhadas na pista construída no entorno do local, porém, lamentam o abandono do espaço.

"Bastante gente vem caminhar no fim da tarde e à noite, quando fica mais fresco, mas falta iluminação e, como tem muito mato, acaba ficando perigoso", relata Fernanda.

Já Jair Silva de Souza, 56 anos, que trabalha com locação de materiais para festas, reclama das promessas não cumpridas pela administração municipal e menciona que, na região, não há opções de lazer gratuitas ao ar livre para a população. "Então, infelizmente, a molecada acaba ficando na rua", diz.

Da mesma forma, o auxiliar de laboratório Richard Nelson Guanaes Simões, 54 anos, conta que ouve falar da construção do parque desde que se mudou para aquela região, há três anos, e ainda mantém a esperança de que, em um futuro não tão distante, ele possa se tornar realidade. "Acho que todos os moradores aproveitariam mais se tivesse alguma estrutura, com mais opções de lazer e com segurança, porque não tem nenhum espaço público bom aqui nesta região".

Ajuda ao Vitória Régia

Desde julho de 2020, a prefeitura conta com apoio de voluntários do projeto "Abrace o Parque" para a manutenção do Vitória Régia. Segundo Adilson Motta, um dos idealizadores da iniciativa, a mobilização ocorreu a partir do entendimento de que o estado de conservação do local era deficitário.

A pedido do projeto, a Semma instalou 13 lixeiras no parque e uma empresa doou 32 placas educativas sobre as medidas para manter o local limpo. Mesmo assim, em todas as manhãs de terça, quinta e sábado, o grupo, hoje formado por seis voluntários, faz a recolha do lixo descartado irregularmente pelos frequentadores.

"Infelizmente, ainda falta segurança. Recentemente, duas patas que vivem no lago deram cria a 16 patinhos e, hoje, só sobraram dois. Estamos lutando para que o Vitória possa ter mais monitoramento e, assim, se manter como um verdadeiro cartão postal da cidade", completa Motta.

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