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2.º semestre tem 'boom' de casamentos

Flexibilização das regras sanitárias em Bauru com o arrefecimento da pandemia provocou retomada em massa de matrimônios

por Marcele Tonelli

17/10/2021 - 05h00

Maikon Sahara/Divulgação

Mariana Nunes e Filipe Teodoro finalmente irão se casar em novembro deste ano, após a cerimônia ser remarcada várias vezes na pandemia; foto é do pré-wedding, de janeiro de 2020

Desde que disse "sim" ao pedido de Filipe Teodoro, de 32 anos, lá em 2019, Mariana Nunes, 27 anos, começou o planejamento para se casar na igreja, com direito a uma festa com a família e os amigos. Mas, esse momento precisou ser adiado várias vezes por conta do novo coronavírus. Agora, com o arrefecimento da pandemia e a flexibilização maior das regras sanitárias, ela finalmente realizará esse sonho. Assim como Mariana e Filipe, centenas de casais voltaram a planejar a união, o que tem gerado um "boom" na procura por igrejas em Bauru, neste segundo semestre de 2021.

Considerado um dos locais mais procurados para cerimônias religiosas, o Santuário Nossa Senhora de Fátima, no Jardim Estoril, já não tem mais datas para este ano. Como forma de atender aos apelos dos fiéis, o padre Gustavo Natividade conta que tem aberto exceções e realizado casamentos até em seus horários de folga.

"Por causa da pandemia, muitos casais que se uniriam em 2020 ou no primeiro semestre de 2021 remarcaram as datas, a maioria para este segundo semestre, o que superlotou a agenda. Temos realizado casamentos às sextas-feiras e em até três horários diferentes aos sábados, mas a demanda é grande", comenta. "Como forma de ajudar as pessoas, temos aberto exceções e realizado casamentos até aos domingos, no almoço, e vésperas de feriados", conta o padre, complementando que, no Santuário Nossa Senhora de Fátima, somente há agenda para fevereiro de 2022.

Natividade acrescenta que a alta demanda não se limita apenas a essa igreja. "Estou em frequente contato com outros padres e o que eles contam é que a situação tem sido a mesma em outras paróquias. É uma realidade da Diocese de Bauru", conclui.

MARCA E DESMARCA

Mariana Nunes é uma das pessoas que engrossam esse "boom" de casamentos, que teve início após agosto deste ano, quando houve maior flexibilização das regras sanitárias para conter a Covid-19.

Ela foi pedida em casamento outubro de 2019 e seu sonho era que as uniões civil e religiosa ocorressem no mesmo dia, mas, por não conseguir conciliar as datas e por causa da pandemia, acabou cedendo. "Passei até por sessões de terapia por causa das frustrações que tive. Estava tudo pronto e tivemos que remarcar várias vezes. Foi uma escolha difícil, mas entendi que não daria para conciliar tudo. E, como nosso apartamento já estava todo mobiliado e pronto para morar, aceitei dividir as datas. Meu marido me convenceu de que, assim, a comemoração seria dupla", comenta a jovem.

A data inicial do casamento era 23 de maio de 2020, mas, por causa da pandemia e fechamentos, foi transferida para 17 outubro daquele ano. Na época, contudo, as regras ainda eram muito restritivas e o casal teria que limitar o casamento para 30% de convidados e encerrar a festa até 21h30, o que gerou a desistência. Eles, então, se uniram apenas no civil, em 19 de junho.

A celebração religiosa e a festa foram remarcadas para 6 de novembro. O buffet, contudo, foi alterado por falta de agenda e o casal precisou encontrar um novo local para a esperada celebração.

O vai e vem, inclusive, gerou gastos a mais na ordem de até R$ 10 mil a Mariana e Filipe. "Foi uma luta, mas confesso que estou ansiosa da mesma forma que em 2020. E, agora, a festa terá um sentido especial. Será o reencontro com muitos amigos que não víamos há tempos por causa da pandemia", finaliza a jovem.

'A demanda dobrou', diz celebrante

Denis Silveira/Divulgação

Renato Venturini: "Antes, eu fazia uma média de quatro casamentos. Em setembro, foram oito"

O mercado de casamentos fora dos muros das igrejas também está aquecido. É o que garante o celebrante Renato Venturini, que atua há 13 anos realizando uniões de histórias de amor de casais.

"A demanda dobrou. Antes, eu fazia uma média de quatro casamentos no mês. Em setembro, foram oito e tenho a agenda tomada até setembro de 2022. Os fornecedores têm se esforçado para atender a todos", comenta. Segundo ele, a pandemia fez uma nova modalidade de casamentos despontar, a que prevê cerimônias mais intimistas, com público reduzido e maior qualidade.

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