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Bauru não está no ranking das cidades que mais emitem CO2

Anuário classifica os municípios pelo gás carbônico que liberam ao queimar combustível

por Tisa Moraes

25/11/2021 - 05h00

Éder Azevedo/JC Imagens

Paulo César Razuk, professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Unesp

Bauru não está entre as cidades paulistas que mais emitem gás carbônico (CO2) resultante da queima de combustíveis fósseis, conforme revela o Anuário de Energéticos por Municípios 2021, elaborado pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado. O levantamento, que utiliza dados coletados no ano anterior, lista os 15 maiores emissores de CO2, ranking em que Bauru não aparece.

O campeão é a cidade de São Paulo, com 10,2 milhões toneladas liberadas no ano e o 15.º colocado é Limeira, com 716,7 mil toneladas. Já Bauru, que é o 18.º município mais populoso do Estado, contabilizou a emissão de 393,8 mil toneladas de CO2 em 2020, ficando na 31.ª posição no ranking.

Segundo Paulo César Razuk, professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Unesp e especialista na área de energia, o resultado está relacionado ao fato de o município ser pouco industrializado e ter renda per capita menor do que as localidades mais ricas do Estado.

"Em Bauru, faltam indústrias, que geram riquezas, arrecadação de impostos e empregos que demandam mão de obra mais qualificada e, por isso, oferecem salários maiores. Bauru ainda não tem uma vocação industrial, como Jaú, Birigui, Lençóis e Marília, apenas para citar exemplos de cidades da região. Além disso, outros setores, como o comercial e de serviços, precisariam ser mais pujantes", avalia.

Razuk salienta que, embora a emissão de gás carbônico em níveis não tão elevados favoreça o meio ambiente, ela é, ao menos até hoje, muito mais sinônimo de baixa atividade industrial mesmo. "Não é resultado de nenhuma política pública municipal para reduzir a emissão de gases poluentes", acrescenta. Para se ter ideia, entre os maiores emissores de CO2 no Estado, depois de São Paulo, figuram, pela ordem, municípios também industriais como Guarulhos, Campinas, Paulínia e Cubatão.

PRINCIPAIS COMBUSTÍVEIS

Segundo o levantamento, no ano passado, entre os principais combustíveis, os bauruenses consumiram 147,4 milhões de litros de etanol hidratado, 85,8 milhões de litros de óleo diesel e 57,8 milhões de litros de gasolina. Considerando todos os derivados de petróleo e etanol, o montante representa 0,9% de tudo o que foi utilizado no Estado. Já o óleo combustível, que, segundo Razuk, é usado principalmente em caldeiras industriais, correspondeu a 141 mil toneladas consumidas.

Ainda de acordo com o engenheiro, um menor patamar de industrialização também resulta, quase sempre, em baixo consumo de energia, o que se confirma no caso de Bauru. Em relação ao uso de eletricidade, o município não figura no ranking dos 15 maiores consumidores. O 1.º colocado, novamente, foi São Paulo, com utilização de 2,2 milhões de tonelada equivalente de petróleo (toe), e o 15.º, Limeira, com 121,3 mil toe. Já Bauru somou o consumo de 77,6 mil toe.

"Todos estes resultados estão relacionados ao baixo nível de industrialização da cidade. Aliás, a situação dos nossos distritos industriais é lamentável. No Distrito Industrial 1, por exemplo, não há vaga para estacionar. No Distrito Industrial 2, as empresas se queixam da falta de infraestrutura, ruas não pavimentadas. Tudo isso pesa para a evasão das indústrias que já existem e para afugentar novos investimentos", avalia o engenheiro.

'Compatível com o porte'

Por meio de nota, a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado avaliou que o consumo de combustíveis e emissões de CO2 em Bauru foram "compatíveis com o porte econômico" e populacional da cidade. Destacou, ainda, que o Anuário contempla um acervo atualizado do universo energético municipal e, ao mesmo tempo, identifica os desafios tanto na oferta quanto na demanda de insumos necessários ao desenvolvimento regional, contribuindo, assim, para a expansão do emprego e renda da população.

"Gestores municipais, inclusive, podem fomentar, em parceria com o governo do Estado, a elaboração de políticas públicas relacionadas ao planejamento energético regional, alinhadas aos conceitos de sustentabilidade, preservação ambiental e uma economia voltada ao bem-estar social", completa a pasta.

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