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Greve na Emdurb termina e coleta deve ser normalizada em até 8 dias

Segundo a Semma, desafio é recolher cerca de 1 mil toneladas de lixo que ainda estão acumuladas nas ruas de Bauru

por Tisa Moraes

05/08/2022 - 05h00

Aceituno Jr.

Assembleia que definiu fim da paralisação na Emdurb foi realizada na manhã desta quinta (4)

Os servidores da Emdurb decidiram, em assembleia realizada nesta quinta-feira (4), encerrar o movimento de greve em Bauru, um dia após a empresa apresentar nova proposta à categoria, durante audiência realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15.ª Região, em Campinas. Ainda ontem, no início da tarde, 100% dos coletores de lixo já haviam retornado ao trabalho, depois da assinatura da minuta de acordo entre as partes, que já foi encaminhada para homologação do TRT. Agora, o desafio é a normalização total do serviço, uma vez que há um acúmulo de cerca de 1 mil toneladas de resíduos pela cidade.

Desse modo, apesar da retomada integral dos servidores às ruas, a prefeitura informou que irá manter, ao menos até a próxima semana, o contrato emergencial com a empresa terceirizada, firmado durante o período de greve. Segundo Sidnei Rodrigues, diretor do Departamento de Ações e Recursos Ambientais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), pasta responsável pelo contrato da coleta de lixo junto à Emdurb, com o reforço da empresa, o serviço deverá ser normalizado em até oito dias.

"Estimamos que ainda haja um acúmulo de 1 mil toneladas de lixo nas ruas de Bauru, considerando que, todos os meses, levamos cerca de 7 mil toneladas ao aterro de Piratininga e, em julho, foram encaminhados 6 mil", afirma. Enquanto toda a demanda reprimida não for normalizada, a prefeitura continuará pagando R$ 259,00 por tonelada recolhida pela MB Construções e Serviços Ltda., que seguirá atuando em 45% das rotas de coleta.

COMPENSAÇÃO

Já os coletores da Emdurb, como forma de compensar o período em que ficaram parados, irão fazer duas horas extras diárias durante 15 dias ou até a regularização do serviço - o que ocorrer primeiro. Não haverá descontos nos salários. Assim que o acúmulo de resíduos for extinto, a empresa terceirizada será dispensada, conforme já previa o contrato em caso de encerramento da greve.

A paralisação teve duração de 18 dias, período em que a categoria reivindicou aumento do vale-compras, de R$ 625,00 para R$ 1 mil, valor atualmente pago aos servidores da administração direta e indireta. O pedido era para que fosse concedida majoração de R$ 187,50 em agosto e outros R$ 187,50 em janeiro de 2023. Requeriam, ainda, que o montante que ficaria faltando para completar o vale de R$ 1 mil entre agosto e dezembro de 2022 fosse pago em 12 vezes ao longo do ano que vem.

Em assembleia realizada no pátio do Departamento de Limpeza Pública da Emdurb, os servidores decidiram aceitar a oferta apresentada pela empresa no TRT, na quarta-feira, de reajuste de R$ 150,00 no vale-compras a partir de janeiro de 2023, mais R$ 150,00 a partir de maio e outros R$ 75,00 em setembro do ano que vem, totalizando os R$ 1 mil.

Já os retroativos de agosto de 2022 a agosto de 2023 serão pagos em 12 parcelas de R$ 287,50 mensais, a partir de setembro do próximo ano.

'VITORIOSO'

Advogado do Sindicato dos Servidores Municipais de Bauru (Sinserm), José Francisco Martins classificou o movimento grevista como vitorioso, visto que os trabalhadores conseguiram fazer com que a Emdurb deixasse de condicionar a majoração do vale-compras ao reequilíbrio financeiro da empresa.

"Agora, os funcionários têm algo concreto. Mas, independentemente da garantia de equiparação do valor do vale, os servidores puderam demonstrar à população que há necessidade de melhoria nas condições de trabalho e de caminhões com condições de rodar. E que é preciso fazer, o quanto antes, o realinhamento de preços pagos pela tonelada recolhida e a reestruturação administrativa da empresa, diminuindo custos e aumentando receitas, para que ela alcance sua sustentabilidade", completa.

Pagamento de salários irá atrasar em cerca de uma semana

O presidente da Emdurb, Everson Demarchi, confirmou ao JC que o pagamento dos salários dos servidores, que deveria ocorrer nesta sexta-feira (5), irá atrasar em cerca de sete dias. A dificuldade, segundo ele, decorre da perda de receita registrada durante o período de greve, que correspondeu a R$ 800 mil somente na primeira semana de paralisação.

"Ainda não temos o cálculo da segunda semana, mas já sabemos que não haverá condições de pagar os salários em dia. Agora, com a retomada de 100% dos coletores, esperamos produzir e receber o quanto for possível para tentar fazer o pagamento até o dia 12. É a nossa previsão", frisa.

Por meio de nota, a prefeitura informou que não há possibilidade jurídica para efetuar uma eventual antecipação de receita à Emdurb, por serviços que ainda não foram prestados, como alternativa para evitar o atraso no repasse dos salários.

Segundo o advogado do Sinserm, José Francisco Martins, os funcionários estão conscientes sobre a possibilidade de demora de alguns dias para o recebimento das remunerações. Ele complementa que a categoria não pretende deflagrar qualquer novo movimento grevista ou operação-padrão em razão disso. "Neste momento, os trabalhadores estão dando um voto de confiança à nova presidência da Emdurb, de que ela conseguirá tornar a empresa viável", completa.

Ainda de acordo com Demarchi, o acordo firmado com servidores também incluiu a desistência do pedido, feito por ele ao TRT, de aplicação de multa no valor de R$ 1 mil por funcionário que descumprisse os percentuais mínimos estabelecidos pelo tribunal a cada dia. Já o processo protocolado junto à Corregedoria da Emdurb para apurar se coletores realizaram operação-padrão seguirá tramitando.

A denúncia, conforme o JC noticiou, foi feita pela prefeita Suéllen Rosim na noite de terça-feira (2), em vídeo postado em suas redes sociais, em que ela acompanha, de carro, o trajeto de um dos caminhões no Centro da cidade e relata que, em várias quadras, coletores recolheram apenas parte dos resíduos, deixando sacos de lixo "para trás".

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