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Entrevista da semana

'A educação está no meu sangue'

É o que diz o mantenedor e diretor administrativo do Grupo Preve; ele até tentou, mas não conseguiu seguir para outra área

por Cinthia Milanez

15/11/2020 - 05h00

Malavolta Jr.

Formado em Engenharia Agronômica, Gerson optou por trabalhar no setor educacional

Com pai e mãe educadores, Gerson Trevizani Filho, de 51 anos, levou adiante o legado familiar e enxerga a educação como a principal virtude da humanidade. Formado em Engenharia Agronômica pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), ele é mantenedor e diretor administrativo do Grupo Preve, fundado pelo seu pai, o já falecido Duda Trevizani.

Também filho da professora aposentada Carmen Silvia de Oliveira Trevizani, de 74, Gerson nasceu em Pirajuí e tem cinco irmãos. O profissional chegou a Bauru ainda criança.

Em 1987, ele conheceu a farmacêutica bioquímica Luciana Minetto Maciel Trevizani, de 50, com quem se casou e teve a diretora de escola Patrícia, de 27, além do estudante de Odontologia Gerson Neto, de 23.

Abaixo, o empresário, que defende a volta às aulas de maneira consciente, fala sobre a sua vida pessoal e profissional. Confira alguns trechos da entrevista.

Jornal da Cidade - Você nasceu em Pirajuí. Por qual motivo a sua família se mudou para Bauru?

Gerson Trevizani Filho - O meu pai morava em Pirajuí, mas lecionava em Bauru, Araçatuba etc. Ele se juntou com outros três professores e abriu um cursinho pré-vestibular em Bauru. Nós nos mudamos logo depois.

JC - Morou em alguma outra cidade?

Gerson - Eu estudei Engenharia Agronômica na UEL entre 1986 a 1991. O meu pai tinha algumas fazendas no Mato Grosso e, desde que me formei, trabalhava no Preve e tomava conta destas propriedades. Porém, ele resolveu vendê-las para investir na abertura de outras escolas e passei a atuar somente nesta área. A minha graduação me deu uma base boa na parte administrativa dos colégios, função que exerço até hoje.

JC - A sua especialização é em qual área?

Gerson - Em 2008, concluí uma Especialização em Ensino a Distância pela Unip. Nós abrigamos um polo da faculdade voltado a esta modalidade.

JC - Mais alguém da família seguiu os passos do seu pai?

Gerson - Uma das minhas irmãs, a Márcia, se formou em Pedagogia. Hoje, ela é diretora dos ensinos Infantil e Fundamental 1 do Preve, em Bauru.

JC - O quão importante é a educação para você?

Gerson - Trata-se da principal virtude da humanidade. Os países mais desenvolvidos são aqueles que investem pesado em educação. Sem ela, ninguém prospera honestamente.

JC - Pensa em, talvez, voltar a atuar como engenheiro agrônomo?

Gerson - Eu cresci dentro do Preve e a minha intenção é levar adiante o legado que os meus pais deixaram. A educação está no meu sangue. Já tenho uma filha, a Patrícia, que também atua neste meio. Ela se formou em Pedagogia e Direito. Hoje, dirige um dos nossos colégios, o Criarte.

JC - Você estudou em alguma escola fundada pelo seu pai?

Gerson - Em 1973, o Preve começou a funcionar como uma preparação para o vestibular em uma sala do Cursos Brasil, pertencente à dona Gilda Improta. Nos anos iniciais, eu estudei nesta escola. Depois, virou Cursos Brasil Preve. Fiquei lá até terminar o cursinho. E mais: recebi o diploma do Ensino Médio das mãos do meu pai.

JC - Como conheceu a sua esposa?

Gerson - Eu a conheci na escola. Ela era de Macatuba e viajava todos os dias para estudar no Preve, em Bauru. Na época, houve uma greve na UEL e voltei para a cidade. Nós estamos juntos desde 1987 e nos casamos em 1992.

JC - Tem algum hobby?

Gerson - Eu curto jogar tênis, me reunir com os amigos e, principalmente, viajar. O meu destino favorito é a Itália. Qualquer parte dela. Além disso, também gosto de cantar. Inclusive, eu e a minha esposa fazemos parte do Grupo Cantares, regido pela Idinha (Teixeira). Nos apresentamos uma vez ao mês na missa da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus.

JC - Você acredita que, com a interrupção das aulas, os brasileiros passaram a dar mais valor à educação?

Gerson - A maioria não dá o devido valor à educação. Alguns países europeus, que já vivenciam a segunda onda da Covid-19, fecharam tudo, exceto as escolas.

JC - Você também assumiu o cargo de diretor regional do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp) do seu pai. Qual é o maior desafio da entidade?

Gerson - O maior desafio do sindicato, com certeza, corresponde a este ano de pandemia. Outras entidades, ligadas aos professores, fazem um lobby muito grande para impedir a volta às aulas. Ninguém quer correr riscos e, por isso, eu defendo um retorno consciente dos alunos às escolas.

JC - De que forma?

Gerson - Em primeiro lugar, a retomada deverá ocorrer de maneira opcional, pelo menos, enquanto não existir uma vacina. As escolas também precisarão obedecer todos os protocolos de biossegurança, como o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs). Muita gente questiona que as crianças não seguirão as regras. Mal sabem que elas se comportam bem melhor do que os adultos.

JC - Por fim, você tem algum sonho?

Gerson - O meu sonho é envelhecer, com saúde, ao lado da minha esposa para que possamos fazer muitas viagens ainda.

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