Bauru e grande região

 
Entrevista da semana

Na liderança de 12,2 mil pessoas

O sócio-fundador e vice-presidente da Paschoalotto narra um pouco da sua trajetória, que chega a se confundir com a história da empresa

por Cinthia Milanez

22/11/2020 - 05h00

Malavolta Jr.

O bom trato com as pessoas e a dedicação ajudaram Eric Garmes de Oliveira a chegar longe: hoje, ele é sócio-fundador e vice-presidente da Paschalotto

Natural de Santa Cruz do Rio Pardo, Eric Garmes de Oliveira, de 44 anos, se mudou para Bauru ainda na adolescência. A dedicação e o bom trato com as pessoas o ajudaram a chegar longe. Hoje, ele é sócio-fundador e vice-presidente da Paschoalotto, que emprega 12,2 mil funcionários distribuídos em Bauru, Agudos e Marília. A empresa, inclusive, pode se tornar a primeira da cidade listada na Bolsa de Valores.

Primogênito do comerciário Israel Benedito de Oliveira (já falecido) e da professora aposentada Neusa Maria Garmes, de 71, Eric tem dois irmãos, a professora e representante comercial Elen Garmes de Oliveira, de 43, além do profissional de Marketing e DJ Earl Garmes de Oliveira, de 40.

Viúva, a mãe de Eric se casou de novo com Charles Bittencourt. Além disso, mesmo aposentada, Neusa também trabalhou na Paschoalotto por mais de seis anos e só saiu em meados de 2020. Ela, inclusive, era a operadora com mais idade da empresa.

Em 2005, o executivo conheceu a advogada Gabriela Busatto Ferrari, de 48, dentro da própria Paschoalotto, onde ambos trabalhavam. Um ano depois, eles se casaram e tiveram a estudante Ana Gabriela Ferrari Garmes, que possui, hoje, 13 anos.

A seguir, Eric fala sobre a sua trajetória, que se caracteriza, principalmente, pelo foco nas pessoas. Deu tão certo que ele até escreveu um capítulo do livro "Histórias de Sucesso", publicado em 2018. Confira alguns trechos da entrevista:

Jornal da Cidade - Você é santa-cruzense. Por qual motivo se mudou para Bauru?

Eric Garmes de Oliveira - Eu cheguei a Bauru em 1991 para fazer o ensino médio no Preve Objetivo e acompanhar a minha avó materna, Izaura Pitta Garmes, que havia acabado de ficar viúva.

JC - A sua avó deu nome àquele bairro da cidade?

Eric - Sim. Ela foi a minha segunda mãe e também a minha primeira 'coach', como dizem hoje em dia.

JC - Do que você se lembra da sua infância?

Eric - Eu tive uma infância raiz. Brincava na rua, andava de bicicleta e pescava nos rios Pardo e Paranapanema, semanalmente, com o meu pai. Tanto que este é o meu principal hobby até hoje. Viajo, pelo menos, duas vezes por ano para a Amazônia e já fui para fora do País para praticá-lo.

JC - Além da pescaria, tem alguns outros hobbies?

Eric - Eu gosto de ler, cozinhar, praticar esportes e tocar. Falando em música, já fui guitarrista e vocalista da banda XYZ, fundada por mim, inclusive. Hoje, desempenho as mesmas funções na NPM, formada por colaboradores da própria Paschoalotto. Além de mim, integram o grupo, mais voltado ao pop rock, Bruno Villela (diretor financeiro e guitarrista), José Lídio (gerente de Operações e baixista) e Fábio Cucci (advogado e baterista).

JC - De onde surgiu a sua inspiração para os negócios?

Eric - Como quase toda a minha família está ligada à área jurídica, eu decidi estudar Direito na Instituição Toledo de Ensino (ITE). Sonhava em ser promotor ou juiz. Em 1995, quando já fazia faculdade, arrumei um emprego de temporário no Banco Ford. Lá, passei por duas promoções, a de analista e a de coordenador de Cobrança. Em 1997, contratei o doutor Nelson Paschoalotto para atuar junto à empresa como advogado. No ano seguinte, me formei e o profissional me convidou para trabalhar com ele. Logo, a minha inspiração para os negócios surgiu graças ao doutor Nelson.

JC - A Paschoalotto, então, foi fundada em 1998?

Eric - Nesta data, o doutor Nelson fechou o primeiro contrato. Eu, ele e o seu filho, o Rodrigo Paschoalotto, somos sócio-fundadores da empresa.

JC - Como aconteceu o "boom" da Paschoalotto?

Eric - Em 2008, nós consolidamos a governança corporativa na empresa. Na época, o doutor Nelson se tornou presidente do Conselho de Administração, o Rodrigo assumiu como presidente e eu virei vice-presidente.

JC - O que mudou desde a fundação da empresa?

Eric - Nós começamos com uma empresa de cobrança na fase mais longa do atraso. Hoje, trabalhamos a partir do primeiro dia em que as contas vencidas não são quitadas através de todos os canais disponíveis. Ao longo do tempo, passamos a buscar o fortalecimento da relação entre as empresas e os seus consumidores. Não apenas recuperamos o crédito, mas os clientes também.

JC - Em qual momento você sentiu que tinha o dom para liderar?

Eric - Na época em que eu estudava Direito, assumi a presidência do Centro Acadêmico do curso e nós estabelecemos o trote solidário. Quando saí, fui o primeiro a fazer a prestação de contas, que está exposta na biblioteca da faculdade até hoje.

JC - E qual curso fez nesta área?

Eric - Eu fiz duas pós-graduações, uma em Gestão de Serviços Jurídicos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e outra em Executivo pela Fundação Dom Cabral (FDC). Em 2019, recebi dois reconhecimentos: o Prêmio Ouvidorias Brasil, da Associação Brasileira das Relações Empresa Cliente (Abrarec), pelos serviços prestados em prol do instituto das ouvidorias no País, além do Prêmio ABT, da Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), pela implantação do produto Pagou Fácil.

JC - Por fim, como você se vê daqui para a frente?

Eric - Eu me vejo perpetuando o nosso negócio, sempre focado nas pessoas. Além disso, gostaria de pescar com maior frequência, contribuir com startups e desenvolver projetos sociais voltados para a terceira idade. Quando mais velhas, as pessoas começam a perder algumas habilidades e se sentem pouco desejadas. Penso em um espaço onde os jovens possam se aconselhar com elas, independentemente de classe social, promovendo a diversidade. A nossa grande força está nisso. Os três pilares da Paschoalotto neste sentido são a empatia, o respeito e a união.

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