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Internacional

Morre ex-ditador do Zimbábue

Anti-Mandela, Mugabe apostou na via do confronto e foi de herói a ditador

por FolhaPress

07/09/2019 - 06h00

Philimon Bulawayo/Reuters

Robert Mugabe visto quando era presidente do país, em 2006

Singapura - Robert Mugabe, ex-ditador do Zimbábue, morreu nesta sexta-feira (6) aos 95 anos em Singapura, onde passava por tratamento médico. A morte foi comunicada pelo atual presidente do país, Emmerson Mnangagwa, e sua causa não foi informada. Mugabe assumiu o poder em 1980 e o deixou 37 anos depois, em 2017. 

Com a morte de Robert Mugabe nesta sexta-feira, fecha-se um ciclo na história africana, o dos pais da pátria. Foram-se as principais figuras que levaram dezenas de países à independência no século passado, quase sempre com enorme sacrifício pessoal: Agostinho Neto (Angola), Samora Machel (Moçambique), Julius Nyerere (Tanzânia) e, claro, Nelson Mandela (África do Sul).

Mugabe (1924-2019) era, em muitos aspectos, o anti-Mandela. Ou, numa definição talvez mais apropriada, o Mandela que não deu certo.

Eram líderes negros em países com minorias brancas que tomaram o controle do Estado.

PRISÃO

Passaram longos períodos na prisão: Mandela ficou 27 anos encarcerado e Mugabe, 11. Soltos após pressão internacional intensa, assumiram o controle de movimentos de libertação nacional e credenciaram-se como líderes populares. Em determinado momento, na virada das décadas de 1970 e 1980, tinham estatura política semelhante. Seus caminhos bifurcaram ao se sentarem na cadeira de presidente. 

O Zimbábue é um país cindido etnicamente, entre a maioria shona e a minoria ndebele, e o presidente adotou uma estratégia de política identitária desde o começo de seu governo que se tornaria a base de seu regime autoritário.

Na eleição de 1980, que preparou o país para a independência, o voto seguiu linhas étnicas e Mugabe elegeu-se com folga. Logo estaria dando início a uma campanha de intimidação nas áreas rivais que deixou mais de 30 mil mortos.

A figura algo sinistra, de óculos pesados e rosto carrancudo, tornou-se um ícone do autoritarismo africano. 

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