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Assembleia é invadida em Quito

Brasil e mais seis países culpam ditador venezuelano por crise no Equador, que vive uma onda de violentos protestos

por FolhaPress

09/10/2019 - 06h00

Iván Alvarado/Reuters

Equatoriano abre bandeira à frente de milhões de protestantes

Brasília - O Brasil e mais seis países latinos responsabilizaram nesta terça (8) o ditador venezuelano pela crise no Equador.

Em nota publicada no site do Itamaraty, os governos de Argentina, Brasil, Colômbia, El Salvador, Guatemala, Paraguai e Peru culpam o regime de Nicolás Maduro por tentar "desestabilizar" a democracia equatoriana.

Ainda segundo a nota, Maduro estaria buscando "estender as diretrizes de seu governo nefasto aos países democráticos da região".

O Equador vive uma onda de violentos protestos há seis dias em função do aumento de mais de 100% no preço dos combustíveis, desencadeado pelo fim de subsídios governamentais. O término do incentivo estatal foi adotado em cumprimento a um acordo de austeridade feito com o FMI em troca de um empréstimo concedido pelo fundo em fevereiro.

O bloco de países, diz a nota, demonstra "seu forte apoio às ações empreendidas pelo Presidente Lenín Moreno para recuperar a paz, a institucionalidade e a ordem, utilizando os instrumentos concedidos pela constituição e pela lei, assim como ele vem fazendo". 

Até agora, 570 manifestantes foram detidos pelas forças de segurança, em uma repressão que foi definida por organismos internacionais como excessivamente violenta.

Devido à magnitude dos protestos em Quito, a capital, o governo decidiu transferir a sede da administração para a costeira Guayaquil na segunda (8), após cinco dias de conflitos entre policiais e manifestantes -em sua maioria, estudantes e indígenas.

Nesta terça, o governo afirmou estar aberto à mediação internacional por meio da Organização das Nações Unidas (ONU) ou da Igreja Católica para resolver o impasse. Em paralelo, Moreno repetiu que a alta dos combustíveis será mantida.

Após invasão, milhares esperam nas ruas por manifestação nesta quarta

Manifestantes ligados à Conferência Nacional Indígena do Equador (Conaie) chegaram a invadir nesta terça-feira, 8, o prédio da Assembleia Nacional em Quito, horas depois de o presidente Lenín Moreno transferir a capital para Guayaquil, na costa do país.

Os indígenas, uma das principais forças políticas do Equador, tomaram o edifício aos gritos de "Fora, Moreno!" Eles foram retirados do prédio pouco depois.

O prédio foi invadido depois de os manifestantes romperem grades de proteção que envolviam a entrada principal da assembleia. Mais de 10 mil pessoas se concentram em Quito à espera de uma grande manifestação marcada para esta quarta-feira contra o presidente. Os líderes da Conaie pediram que os manifestantes, muitos deles jovens, não entrem em confronto com a polícia.

Houve disparo de bombas de gás lacrimogêneo, segundo testemunhas. A polícia cerca o quarteirão onde fica a assembleia.

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