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Internacional

Londres endurece contato com Espanha

Para OMS, fechar fronteiras e implantar quarentena é ineficaz e a Espanha tem meios para conter focos de Covid-19

por FolhaPress

28/07/2020 - 05h00

Fernando Calvo

Premiê espanhol, Pedro Sánchez, critica Reino Unido por quarentena a espanhóis

Bruxelas -  Fechar fronteiras e restringir viagens não são a melhor estratégia para impedir o contágio por coronavírus, afirmou nesta segunda (27) o diretor-executivo da OMS (Organização Mundial de Saúde), Michael Ryan, chefe do programa de emergências da entidade.

Ryan não comentou especificamente a inclusão neste domingo da Espanha na lista de destinos com quarentena obrigatório no Reino Unido, mas afirmou que esse tipo de cuidado -desde que acompanhado de um conjunto de outras medidas- faz sentido quando um país onde a transmissão está controlada quer evitar a entrada do vírus de países onde ela está ativa. O Reino Unido, no entanto, decidiu implantar neste domingo uma quarentena obrigatória de 14 dias para todos os que voltarem da Espanha,

Segundo relatório da OMS deste domingo, o Reino Unido ainda apresenta transmissão comunitária, enquanto a Espanha registra clusters (grupos localizados de contágio).

Ryan afirmou que o crescimento recente de casos na Espanha "está longe da situação inicial" e que o país tem um sistema de vigilância capaz de detectar e encapsular os focos. Também destacou que o governo não está sendo complacente, mas "vai levar dias ou semanas para conhecer o impacto da reação aos novos surtos".

Segundo o diretor da OMS, países que já conseguiram conter a transmissão precisam reforçar a vigilância para detectar focos e impedir que eles saiam do controle.

"É como uma cirurgia no cérebro: hoje morrem muito menos pacientes, porque a intervenção é cada vez mais precisa. Temos que remover os casos de coronavírus com precisão cirúrgica. Medidas amplas provocam danos muito maiores", afirmou Ryan.

Essa é a abordagem, por exemplo, de estados alemães como a Baviera, que implantou um programa de testes em massa para turistas que voltam ao país.

Foram montadas unidades móveis em fronteiras rodoviárias, aeroportos, estações de trem e de ônibus, com prioridade para os que chegam de 130 áreas listadas como mais críticas.

Dados da agência europeia de controle de doenças infecciosas mostram que o número de novos casos de coronavírus na Espanha quase quadruplicaram em julho, passando de 10,6/100 mil habitantes na quinzena encerrada em 1º de julho para 39,4/100 mil nas duas semanas até 26 de julho.

É menos de um quinto dos 217 novos casos/100 mil habitantes registrados na quinzena que terminou em 5 de abril, quando a Espanha ainda estava em quarentena.

Os números continuaram caindo mesmo depois do início da abertura gradual, em 13 de abril, e chegaram ao nível mais baixo (9,33/100 mil) em 13 de junho, dois dias antes da reabertura das fronteiras internas pela União Europeia.

Os atuais novos casos estão localizados na região nordeste do país, principalmente na Catalunha.

 

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