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Internacional

'Família Bolsonaro precisa ficar fora da eleição dos EUA', pede líder americano

Apoio do Brasil em aliança anti-China pode minimizar irritação de democratas com torcida do governo pró-Trump

por FolhaPress

29/07/2020 - 05h00

Fotos Públicas/Divulgação

Democrata Eliot Engel (ao lado) compartilha irritação com apoio dos Bolsonaro a Trump (acima) que está em campanha à reeleição

Washington - "Nós já vimos essa cartilha antes. É vergonhoso e inaceitável. A família Bolsonaro precisa ficar fora da eleição dos EUA", escreveu no Twitter o deputado democrata Eliot Engel, líder do comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados americana, na noite de segunda-feira (27).

Engel se referia a uma postagem do deputado Eduardo Bolsonaro, que compartilhou um vídeo de campanha do presidente Donald Trump com ataques aos democratas e escreveu: "Trump 2020".

Os democratas estão cada vez mais irritados com a campanha ostensiva que o presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e alguns assessores fazem para Trump, candidato à reeleição em novembro contra Joe Biden.

A memória da eleição de 2016, quando a sombra da interferência russa contra a então candidata democrata Hillary Clinton pairou sobre o pleito, ainda está muito viva, e qualquer sinal de país estrangeiro tentando influenciar a votação americana é encarado como uma ameaça.

"Integrantes do governo brasileiro deveriam parar de dizer que apoiam a eleição de Trump, isso é visto como uma forma de interferência, cria mal estar entre os democratas", diz Nick Zimmerman, diretor para o Brasil e Cone Sul no Conselho de Segurança Nacional durante o governo de Barack Obama.

MERKEL

"Não é à toa que [a chanceler alemã] Angela Merkel, [o presidente francês] Emmanuel Macron e [o premiê canadense] Justin Trudeau não se posicionam em relação à eleição americana."

Zimmerman cuidava do dia a dia da relação bilateral dos EUA com o Brasil e preparava Obama e o então vice-presidente, Biden, para interações com autoridades brasileiras.

Ainda que a média das pesquisas, como as compiladas pelo site RealClear Politics, mostre Biden 9,1 pontos porcentuais à frente de Trump, com 50%, contra 40,9%, Bolsonaro não parece ter um plano B.

"A gente torce pelo Trump. Temos certeza de que vamos potencializar, e muito, o nosso relacionamento. Se der o outro lado, da minha parte vou procurar fazer algo semelhante [manter a aproximação com os EUA]", disse o presidente brasileiro, durante transmissão nas redes sociais, em 16 de julho.

"Se eles não quiserem, paciência, né? O Brasil vai ter que se virar por aqui."

Empecilhos que precisam ser contornados

Desmatamento na Amazônia e violações de direitos humanos também poderiam se tornar empecilhos para o apoio dos EUA à entrada do Brasil na OCDE, o clube dos países ricos, por exemplo. Uma maneira de se aproximar de um governo democrata seria cooperar em relação à China. A Guerra Fria 2.0 entre China e Estados Unidos e as pressões para que o Brasil encampe um dos lados da briga vão continuar com Trump reeleito ou com Biden presidente.

Na semana passada, relatório democrata intitulado "O novo grande irmão: China e o autoritarismo digital" recomendava apoio à criação de uma coalizão de países para conter a China.

Biden já anunciou que, caso eleito, promoverá uma cúpula global para a democracia em seu primeiro ano de governo para confrontar países não democráticos. Em outras palavras, uma aliança anti-China.

Twitter suspende Trump Jr.

O Twitter suspendeu por 12 horas a conta de Donald Trump Jr., filho do presidente dos Estados Unidos, por violar as regras da rede social nesta terça-feira (28). A medida foi justificada porque um vídeo que foi compartilhado continha "informações incorretas sobre Covid-19". Segundo a mídia norte-americana, o vídeo tinha uma fala da médica Stella Immanuel defendendo que a hidroxicloroquina cura o novo coronavírus (Sars-CoV-2) e que o uso de máscaras não ajuda a conter a disseminação do vírus. No entanto, a fala contradiz diversos estudos que apontam a ineficácia do medicamento contra a doença. Além disso, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o uso de uma proteção facial como uma das formas de evitar a contaminação pela doença.

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